Eduardo Pegurier
26.08.2010
Em uma rodovia de acesso à Beijing, os chineses experimentam o que talvez seja o pai e a mãe de todos os engarrafamentos de trânsito. É de fazer as paralizações do tráfego paulistano parecerem um piquenique no campo. A fase mais aguda durou 11 dias que se encerraram ontem, 25 de agosto, cobrindo uma extensão de 100 km. Parece que a coisa melhorou um pouco, mas ainda não acabou. As duas principais causas do gargalo são obras viárias combinadas ao número cada vez maior de caminhões de carvão que tentam atender ao apetite insaciável de energia da capital. Por isso, especula-se que o problema possa entrar setembro a dentro. O vídeo acima mostra imagens do nono dia — com direito a áudio em mandarim.
Nos últimos anos, a China consumiu um terço do concreto usado no mundo. E embora os gastos para 2010 com infraestrutura de transporte, somente em Beijing, devam atingir 11,8 bilhões de dólares, esse esforço não está sendo páreo à velocidade com que a frota de carros e caminhões cresce. Em 2000, havia cerca de 6 milhões de veículos privados no país e quase 20 mil km de rodovias. Em 2008, embora o último número tenha triplicado para 60 mil km, a frota de carros mais que decuplicou, atingindo cerca de 70 milhões de veículos – veja o gráfico produzido pela The Economist.
Os moradores próximos à estrada aproveitaram para vender comida aos desesperados motoristas por várias vezes o valor normal. Além do tempo parado, os infelizes também pagaram um preço recorde por comida chinesa.
A matéria do Huffington Post tem boas fotos.
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Tags: engarrafamento, mobilidade