Favelas precisam ser urbanizadas, diz Joan Clos

Gustavo Faleiros
22.08.2011

Semana da Água, em Estocolmo - foto: Alex de Sousa

“O mundo precisa de um novo movimento higienista.”  Este foi o argumento que o espanhol Joan Clos,  atual diretor do programa para cidades da ONU (UN-Habitat), levou ao público da 21a Semana Mundial da Água, que começou nesta segunda na cidade de Estocolmo, Suécia. Em referência às políticas públicas que transformaram cidades como Paris, Rio de Janeiro, Nova York e Londres no início do século 20 – quando ruas estreitas e cortiços foram substítuitos por novos bairros com luz elétrica e água encanada -, o representante da ONU disse que é preciso urbanizar as favelas em diversas partes do mundo.

Em cidades e bairros onde há qualidade de vida, a superfície ocupada com espaços públicos é de 25% a 35%. Em contraste, nas favelas apenas 2% a 3% da área ocupada é utilizada como ruas, praças e outros espaços públicos.

De acordo com os dados da UN-Habitat cerca de 800 milhões de pessoas vivem hoje em favelas na América do Sul, África e Ásia. Em alguns países, 60% da população urbana vive em assentamentos ilegais com habitações sem infraestrutura. A urbanização recente em nações em desenvolvimento, apontou Clos, difere daquela ocorrida no século passado por não vir acompanhada de industrialização.

Por isso, segundo ele, investimentos urbanos seriam uma forma de gerar oportunidades de emprego e renda. ”Se não existe a rua, não existe um lugar para acumular recursos, como água, saneamento, telecomunicações”, argumentou. Segundo o espanhol, em cidades e bairros onde há qualidade de vida, a superfície ocupada com espaços públicos é de 25% a 35%. Em contraste, nas favelas apenas 2% a 3% da área ocupada é utilizada como ruas, praças e outros espaços públicos. “A rua é a fábrica da cidade, é onde se produz o bem comum”, disse Clos.

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Um porto mais verde e articulado para o Rio

Sua palestra foi proferida na abertura do Semana Mundial da Água, que neste ano tem como tema principal o desafio de gerir os recursos hídricos em um mundo de urbanização acelerada. Até 2050, espera-se que cerca de 6 bilhões de pessoas vivam nas cidades, o dobro do atual número, ou aproximadamente 80% da população mundial projetada nas próximas décadas. “As áreas urbanas necessitam de um manejo adequado de seus recursos hídricos para que se evitem conflitos com as necessidades em zonas agrícolas fora das cidades”, frisou o diretor do Instituto Internacional para Água em Estocolmo, Anders Berntell

Oportunidade com as Olimpíadas no Rio 

Antes de assumir o cargo de diretor da UN-Habitat no ano passado, Joan Clos, foi prefeito de Barcelona entre os anos de 1997 e 2006.  Ele também esteve envolvido diretamente com a preparação das Olimpíadas de 1992, que até hoje são consideradas como projeto que mudou a face de Barcelona. Conversamos com Clos a respeito das Olimpíadas que começam a ser prepadas no Rio de Janeiro e ocorrem em 2016. Veja vídeo abaixo

 

Links Externos:

Nações Unidas – Habitat 
Semana Mundial da Água – Estocolmo

 



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Barcelona: Pontos Verdes ampliam reciclagem do lixo problemático

Adriana Sansão
15.09.2010

Ponto Verde, escrito em catalão - foto: Adriana Sansão

Você sabe o que fazer com aquele computador velho que não atrai nem o técnico de informática que poderia reaproveitar as peças? E com o isopor gigante que saiu da caixa da TV recém comprada? A cada dia descartamos mais objetos complicados, que não se enquadram nos recipientes de coleta seletiva tradicionais, os coloridos de amarelo (para metal), vermelho (plástico), azul (papel) e verde (vidro).

Pois há alguns anos, Barcelona, Espanha, implantou os chamados Puntos Verdes, centros de descarte para o lixo incomum ou complexo. Eles se dividem em três tipos: de bairro, zona, e os móveis. Os primeiros são dedicados a moradores, os segundos ao comércio; os últimos operam através de caminhões que circulam pela cidade atendendo às pessoas que não podem ou não querem deslocar-se. Ou seja, até quem não estiver disposto a uma caminhadinha de 15 minutos pelas calçadas perfeitas da cidade pode se dar o direito de esperar a coleta em casa.

Classifica-se o lixo que chega aos Puntos Verdes em:

  • Reutilizáveis: itens que podem ser imediatamente reaproveitados, como roupas, calçados e cartuchos de impressora vazios
  • Recicláveis: eletroeletrônicos, óleo de cozinha e pneus de pequeno porte
  • Especiais: itens exóticos, compostos de vários materiais ou perigosos, tais como as latas de spray de tinta e os diversos tipos de pilhas e baterias

Descartá-los nesses centros é garantia de que passarão pela triagem adequada e terão o melhor destino possível. Mas não param aí e ainda prestam outros serviços. Para os donos e donas de casa que gostam de tudo organizado, por lá também se pode descolar sacolas coloridas (para a seleção doméstica do lixo), bolsas de compra reutilizáveis feitas de tecido (em substituição às mal afamadas sacolas plásticas) e ainda distribuem um manual que é uma mão na roda. Por exemplo, não sabia o que fazer com embalagens tipo Tetra Pak; por fora, de papel e, por dentro, película de metal. No livrinho, aprendi que podia colocá-las nas latas amarelas normais, destinadas a metal.

No fim do período que passei em Barcelona, voltei a morar no meu antigo endereço, no Flamengo, Rio de Janeiro. Desde então, já cansei de rodar só para descartar um punhado de pilhas velhas. É verdade, havia uma cesta verde, própria para isso, em frente à minha casa, mas por um bom tempo ela andou, digamos, desaparecida…

A COMLURB, operadora local, informa que a coleta seletiva funciona em parte da cidade e é feita apenas semanalmente.  Fiz uma busca no site da empresa. Até tem uma lista de locais de descarte de baterias: mas não é nada amigável. Se refere a bairros, sem fornecer endereços e usa códigos que só urbanistas conhecem, ou alguém aí sabe o que é AP1 (para os íntimos, Área de Planejamento 1)?

Saudades de Barça.

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Adriana Sansão é arquiteta e urbanista, professora da PUC-Rio. Viveu em Barcelona entre 2008 e 2009. Lá, virou blogueira. É autora dos blogs Notas Temporais, sobre a temporada na Catalunha, e 100 países, dedicado aos relatos de viagens.

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