Cooperativa mineira cria acessórios com design a partir de material reciclado

Luana Caires
27.04.2011

Bolsas feitas de tecidos automotivos e cintos de segurança, foto: Divulgação

Foi-se o tempo em que peças feitas a partir de matéria-prima reutilizada eram sinônimo de produtos esteticamente caretas e mal acabados. Um ótimo exemplo são os artigos da Cooperárvore,  uma cooperativa social de Betim, Minas Gerais, que produz bolsas, carteiras, acessórios e até bandejas com resíduos de materiais utilizados na fabricação de automóveis, como cintos de segurança e estofados. Também são reaproveitados banners, lona de PET e tecidos naturais, como americano cru — um algodão rústico — e chita.

Criada em 2006, em parceria com as ONGs Fundação AVSI e CDM, a cooperativa faz parte do Árvore da Vida, programa desenvolvido pela Fiat Automóvel com o objetivo de  promover a inclusão social de jovens e adultos por meio de atividades socioeducativas e de geração de trabalho e renda no Jardim Teresópolis. Hoje, 27 famílias do bairro estão envolvidas com a Cooperárvore. “Trabalho fazendo uma das coisas de que mais gosto que é costurar”, afirma Wanda Aparecida Caetano Moreira. Wanda tem três filhos que também participam do projeto. “Vou trabalhar muito tranquila, pois meus filhos vão para escola na parte da manhã e à tarde voltam para as atividades do programa. Eles não têm tempo de ficar na rua”, completa. Na cooperativa são oferecidas oficinas de serigrafia, corte, costura e artesanato.

Sacola de compras, bandeja com almofada e porta squeeze da Cooperárvore, foto: Divulgação

A confecção dos produtos é coordenada pelo designer mineiro Igor Vilas Boas, mas as peças são resultado de um processo coletivo de criação em que as ideias de todos os integrantes do grupo são levadas em conta para que sejam produzidos artigos cada vez mais criativos e funcionais. Grande parte da matéria-prima é doada pela Rede Fiat de Cidadania e são feitas mais de 20 mil peças por ano, comercializadas na sede da cooperativa, em algumas lojas de Minas Gerais e pela internet.

Além de gerar renda para a comunidade, o projeto apresenta mais uma vantagem: o fato de oferecer ao consumidor artigos sustentáveis e de qualidade por preços entre 5 e 60 reais. Valores tão acessíveis são raros no mercado de produtos verdes.  Além do uso pessoal, está aí uma opção bacana para quem procura um presente útil, original e sustentável, sem o contrassenso de ter que gastar uma fortuna.

Carteiras e nécessaires práticas e acessíveis, foto: Divulgação

 

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