10 cidades sustentáveis do mundo

Luana Caires
08.09.2011

Reykjavik é 100% abastecida por energia renovável, foto: Benjamin Dumas

Se transformar em uma cidade sustentável está longe de ser uma tarefa fácil, mas também não é impossível. ((o)) Eco selecionou 10 localidades que podem até não serem ecologicamente perfeitas, mas são exemplos de que é possível diminuir o impacto ambiental de um centro em urbano optando por um planejamento que inclua o verde em sua paisagem e preze por formas mais sustentáveis de organização. Confira a seguir o que foi ou tem sido feito para tornar essas urbes mais “verdes”.

1. Reykjavik, Islândia 

Há mais de 50 anos a Islândia tem se empenhado em diminuir sua dependência de combustíveis fósseis aproveitando seu potencial natural para a geração de eletricidade. Não é de se estranhar que sua capital seja 100% abastecida por energia limpa e de baixo custo. Parte dos veículos da cidade já são movidos a hidrogênio, tendência que deve aumentar ainda mais. O país está investindo pesado nessa tecnologia e pretende se tornar  uma “economia do hidrogênio” nas próximas décadas. No mês passado, foi posto em prática um experimento perto das usinas geotérmicas de  Reykjavik  para testar a viabilidade de se estocar carbono criando emendas de calcário no subsolo. Se tudo ocorrer como esperado, o dióxido de carbono ficará permanentemente aprisionado no solo, o que deve permitir que usinas geotérmicas se livrem dos dióxidos de carbono que elas trazem das profundezas e se tornem efetivamente neutras.

2.Malmö, Suécia

Pioneira na utilização de energia renovável, Malmö também é apontada como a primeira cidade de Troca Justa da Suécia. Ali, o governo tem incentivado o consumo de mercadorias locais produzidas eticamente, promovendo a conscientização dos seus habitantes sobre a importância de se estabelecer um mercado justo e sustentável. A cidade recicla mais de 70% do lixo coletado e os resíduos orgânicos são reaproveitados para a fabricação de biocombustíveis que, juntamente com a energia hidrelétrica, solar e eólica, alimenta o Western Harbor, uma comunidade 100% dependente de energia limpa. Além disso, Malmö possui mais de 400 quilômetros de ciclovias em seu território ­– cinco quilômetro s a mais Copenhague, na Dinamarca–, sendo a cidade sueca com maior número de vias para ciclistas. No ano passado, o uso das bicicletas aumentou 11% e 40% dos deslocamentos relacionados ao trabalho foram feitos utilizando a magrela.

3.Vancouver, Canadá

Líder do ranking das cidades mais habitáveis do mundo por quase dez anos, Vancouver é a cidade da América do Norte com a menor pegada de carbono. Mais de 200 parques esverdeam a sua área urbana e pelo menos 90% da sua energia já provém de fontes renováveis. Em 2005, o governo colocou em prática uma estratégia para que todos os edifícios construídos na cidade oferecessem uma melhor performance ambiental. Desde então, disponibiliza para a população todas as informações necessárias sobre como diminuir o impacto de suas residências e oferece incentivos para que seus habitantes façam uso de energia solar. Até 2020, a cidade pretende neutralizar toda a emissão de gases estufa proveniente dos seus edifícios, que hoje são responsáveis por 55% das emissões de Vancouver.

Por quase 10 anos, Vancouver liderou o ranking das cidades mais habitáveis do mundo, foto:R.Fun

4.Copenhague, Dinamarca

Quando o assunto é ecocidade, Copenhague é um dos principais nomes que devem vir à sua cabeça. No ano passado, ela ficou entre as cidades Mais Habitáveis do mundo, de acordo com a classificação da revista Monocle, e faturou o título de Melhor Cidade para Ciclistas. Cerca de 40% de sua população pedala diariamente para se deslocar pela área urbana e foi lá que surgiu pela primeira vez o empréstimo público de bicicletas. Desde 1990, a cidade conseguiu reduzir suas emissões de carbono em 25% e até 2015 o governo pretende transformá-la na ecometrópole número um do mundo. Além do investimento em fontes limpas de energia – lá foi inaugurada, em 2001, um dos maiores parques eólicos marítimos do mundo –, Copenhague é elogiada pelos esforços desenvolvidos na última década para manter as águas de seu porto limpas, local tão seguro que hoje pode até receber banhistas.

5.Portland, Estados Unidos

Ela tem inspirado outros centros americanos a incluir espaços verdes em seu planejamento urbano. Para conservar os áreas vegetativas em sua volta, foi estabelecido um limite para o avanço da urbanização da cidade, que conta com 92 mil acres de  área verde  e mais de 300 quilômetros de ciclovias. Portland foi a primeira cidade dos Estados Unidos a aprovar um plano para reduzir as emissões de dióxido de carbono e tem promovido sistematicamente a construção de prédios verdes. Além disso, cerca de 40% de sua população utiliza ou a bicicleta ou o transporte coletivo para ir ao trabalho e, desde de outubro, o governo recolhe os resíduos orgânicos, que são enviados para centros de compostagem. Hoje, metade da energia utilizada pela cidade é obtida a partir de fontes limpas, como a luz solar e o aproveitamento de resíduos para a produção de biocombustível.

6.Bahia de Caráquez, Equador

A Bahia de Ceráquez é um verdadeiro paraíso para os ecoturistas. Nos anos 90, o local foi devastado ao ser atingido por um terremoto. Então, o governo e  algumas ONGs decidiram reconstruí-la como uma cidade sustentável. Eles desenvolveram programas para conservar a biodiversidade local e controlar a erosão, implantaram esquemas de incentivo à agricultura orgânica e de reutilização  dos resíduos privados e dos mercados públicos na compostagem. É de lá a primeira fazenda orgânica certificada de camarões.

7. São Francisco, Estados Unidos

Ela foi a primeira cidade americana a banir o uso de sacolinhas plásticas e brinquedos infantis fabricados com produtos químicos questionáveis. São Francisco é também uma das cidades líderes na construção de prédios verdes e já possui mais 100 deles. Quase metade dos seus habitantes utiliza o transporte publico ou a bicicleta para se locomover todos os dias e mais de 17% da população faz bom proveito dos parques e das áreas verdes da cidade. Em 2001, os eleitores aprovaram um incentivo de 100 milhões de dólares para o financiamento da instalação de painéis solares e turbinas eólicas e de reformas para tornar as instalações públicas da cidade mais energeticamente eficientes.

São Francisco foi a primeira cidade americana a banir o uso de sacolas plásticas, foto: Billy Gast

8. Sidney, Austrália

A Austrália foi o primeiro país a banir as lâmpadas incandescentes, substituindo-as por modelos mais energeticamente eficientes. Em Sidney, as emissões de gases estufa diminuíram 18% apenas com a reforma de suas instalações públicas. Além disso, lá foi colocado em prática um projeto de uma rede regional de bicicletas que deve unir 164 bairros. Com essas medidas, o uso da magrela triplicou nas áreas em a rede foi instalada. Também foi em Sidney que surgiu a Hora do Planeta, em que toda a cidade desligou as luzes por 1 hora para chamar atenção para o problema do aquecimento global.

9. Freiburg, Alemanha

Desde que foi reconstruída após a Segunda Guerra Mundial, Freiburg vem experimentando o modo de vida sustentável. É lá que se encontra a famosa Vauban, uma vila de 5 mil habitantes criada para servir de distrito modelo de sustentabilidade. Todas as casas são construídas de maneira a provocar o menor impacto possível no meio ambiente, mas ela é conhecida mesmo por ser uma comunidade livre de automóveis e que incentiva modos mais ecológicos de deslocamento. Em Freiburg também existe uma vila totalmente abastecida por energia solar.

10. Curitiba, Brasil

Ela não é chamada de cidade modelo à toa. Seu eficiente transporte público é utilizado por 70% da população e, se consideradas somente as metrópoles verdes, ou seja, centros urbanos de grande porte, Curitiba só perde para Copenhague no índice de menor emissão de dióxido de carbono per capita e para Vancouver no quesito produção de energia renovável. A cidade possui ainda um bom programa de conservação da biodiversidade e de reflorestamento de espécies nativas e tem uma área verde de 51 metros quadrados por habitante.

 

Post editado em 05/10/2011: nos comentários, nossos leitores criticaram a falta de um método objetivo para a escolha dessa seleção de cidades sob o título “As 10 cidades mais sustentáveis do mundo”. Achamos que o texto foi bem pesquisado e está bem feito, mas concordamos com o argumento. Por isso, consideramos que o post não é mais um ranking, uma lista de posições, mas uma seleção de cidades que se destacam. Curitiba, representando a América Latina, certamente merece estar na lista, como mostram vários links de textos nacionais e internacionais sobre o tema. Eduardo Pegurier, editor de Cidades.



Tags: , , , ,




Ilha será 100% abastecida por energia renovável

Luana Caires
08.07.2011

Projeto de 87 milhões de dólares deve ser concluído ainda neste ano, foto: Jose Mesa

Localizada a 1500 quilômetros da costa espanhola, El Hierro em breve será reconhecida por depender unicamente de sua própria energia renovável. Com isso, evitará a emissão de 18 200 toneladas de dióxido de carbono por ano, já que não será mais necessário transportar combustível fóssil até a ilha.

O projeto, orçado em 87 milhões de dólares, prevê a criação de um parque eólico de 11.5 MW e de uma usina hidrelétrica de 11.3 MW, que devem fornecer 80% da energia utilizada pelos 11 mil habitantes locais. O restante será produzido por  meio de coletores solares termais fotovoltaicos conectados à rede elétrica. Se tudo correr como esperado, as obras deverão ser concluídas ainda neste ano.

Muitos têm se referido a El Hierro como a primeira ilha autossuficiente em energia renovável, mas é preciso lembrar que a pequena Samsø, na Dinamarca, há anos depende apenas da energia limpa que produz.

Samsø, a primeira ilha a depender exclusivamente de energia limpa, foto: Plougmann

Tudo começou em 1997 quando a ilha, de 48 quilômetros de comprimento e 24 quilômetros de largura, venceu uma competição do governo dinamarquês para tornar-se uma comunidade modelo na produção e utilização de energia limpa. Desde então, 21 turbinas eólicas foram construídas em Samsø para atender às necessidades dos seus 4 mil habitantes. O aquecimento das casas de suas 22 aldeias fica por conta de grandes painéis solares e usinas movidas a caldeiras alimentadas por lascas de madeira e palha.

Mas nem por isso  a iniciativa de El Hierro deixa de ter importância. Projetos como esses devem ser celebrados e incentivados, pois são exemplos de locais onde as sementes do nosso futuro energético estão sendo lançadas.

Via: Inhabitat

 

Veja também:

Linha de trem-bala ganha túnel recoberto por células solares

Pesquisadores criam celular “movido” a micróbios

Estudantes criam esterilizador hospitalar movido à luz solar

 



Tags:




Linha de trem-bala ganha túnel recoberto por células solares

Guardian Environment Network
14.06.2011

O túnel solar de 3,2 Km na linha entre Paris e Amsterdã, foto: divulgação

Por Damian Carrington

Um túnel de 3.200 metros na Bélgica, construído para proteger trens da queda de árvores vizinhas, desde a semana passada, passou a produzir um benefício ambiental duplo, pois também permitiu a instalação de um projeto de energia solar.

A linha de trem-bala que vai de Paris à Amsterdã passa, ao longo do caminho, por Antuérpia e ladeia uma velha floresta. Para evitar a necessidade de cortar árvores próximas à ferrovia, um longo túnel foi construído para proteger o trecho que, em seguida, foi recoberto por 16 mil painéis solares. A energia elétrica que eles produzem é equivalente a um dia de consumo de todos os trens da Bélgica, e ainda ajudará o suprimento da estação de Antuérpia.

“Na operação de trens, essa é a maneira perfeita de reduzir a pegada de carbono, porque ela usa espaços que não tem qualquer valor econômico. E os projetos podem ser realizados em até um ano já que não motiva protestos como acontece quando se trata de parques eólicos”, diz Bart Van Renterghem, diretor do braço inglês da Enfinity, empresa belga de geração de energia renovável, responsável pela instalação dos painéis (veja abaixo o vídeo sobre o novo túnel).


 
“Em Londres, fechamos dois projetos com empresas ferroviárias e de fornecimento de água, mas eles estão parados por enquanto”, conta Van Renterghem.

A razão da interrupção foi a controversa decisão do governo inglês de reavaliar os subsídios para grandes projetos de energia solar, o que reduziu os seus retornos financeiros.

O governo inglês considera a energia solar cara demais, entretanto, Van Renterghem afirmou que ele assistiu aos custos caírem pela metade nos últimos 2 ou 3 anos, graças a economias de escala proporcionadas pela Alemanha, França e Bélgica.

A nova estação Blackfriars em Londres, que cruza o rio Tâmisa, terá a maior coleção de painéis solares da Grã-Bretanha quando for inaugurada, na primavera de 2012.

A cobertura da nova estação contará com 4.400 painéis que gerarão 1 Megawatt, o suficiente para prover 50% do seu próprio consumo. Porém, esse projeto não depende do nível de subsídios governamentais para energia solar. Seu custo de 7,3 milhões de libras (cerca de R$19 milhões) foi pago integralmente pelo fundo de meio ambiente do Departamento de Transporte.

 

Este artigo faz parte do Guardian Environment Network.



Tags: , ,




Pesquisadores criam celular “movido” a micróbios

Luana Caires
18.05.2011

O projeto recebeu uma bolsa de 100 mil dólares da Fundação Bill & Melinda Gates, foto: Erik Hersman

Muita gente diz a toa que não consegue viver sem celular. Mas nos países mais pobres do mundo isso não é exagero. A África é o mercado de celulares que mais cresce no mundo, pois é a única forma de comunicação que chega barata a lugares remotos. No entanto, centenas de milhares de pessoas não conseguem usufruir do serviço porque não têm acesso à energia elétrica. Pois um grupo de cientistas da Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas de Harvard (SEAS, na sigla em inglês) pode ter uma solução criativa para esse problema: eles estão desenvolvendo um carregador de bateria capaz de reaproveitar a energia produzida por microorganismos naturalmente presentes no solo.

Essa “mágica” é feita a partir de um dispositivo com uma superfície condutora que captura elétrons liberados durante o processo metabólico dos micróbios. A tecnologia já vem sendo usada para fornecer energia a lâmpadas do tipo LED em laboratório há mais de um ano. Se a ideia der realmente certo, o grupo pretende distribuir algumas baterias na África Subsaariana, como parte do estudo de campo. Atualmente, mais de 500 milhões de pessoas vivem nessa região sem energia em suas casas, ainda assim, 22% dos domicílios têm telefones móveis, cujos donos são obrigados a andar longas distância até as estações de carregamento.

O plano é que, depois de testados os protótipos, os dispositivos sejam construídos pela própria população local. Segundo a Dra. Aviva Presser Ainden, que lidera o projeto, é possível construí-los com materiais simples disponíveis na região, como telas de janelas e latas de refrigerante. A cientista acredita que um equipamento caseiro completo pode ser montado do zero em apenas alguns minutos a um custo de menos de um dólar. Simples e barata, a bateria movida a micróbios seria capaz de recarregar um telefone em até 24 horas.

Agora é torcer para que a ideia saia dos laboratórios para as casas africanas. Dinheiro, aparentemente, não será problema: no mês passado o projeto recebeu uma bolsa de 100 mil dólares da Fundação Bill & Melinda Gates.

 

Veja tambémEstudantes criam esterilizador hospitalar movido à luz solar



Tags: ,




Estudantes criam esterilizador hospitalar movido à luz solar

Luana Caires
05.05.2011

O Capteur Soleil, criado pelo francês Jean Boubour, foto: Rice University

Esterilizar utensílios médicos tem sido um desafio de longa data em países subdesenvolvidos, pelo menos nas clínicas localizadas em áreas não abastecidas por energia. Mas um equipamento criado pelos estudantes de engenharia da Rice University, nos Estados Unidos, pode ser a solução para esse problema. Eles adaptaram a tecnologia Capteur Soleil a uma autoclave ­­­–  aparelho que utiliza vapor de água sob pressão para a esterilização –, conseguindo captar luz solar para alimentá-la.

Criado há quase três décadas pelo inventor francês Jean Boubour, o Capteur Soleil é constituído por uma tubulação de aço emoldurada no formato de um “A” com uma camada de espelhos curvos na parte inferior. Esses espelhos redirecionam a luz solar para um tubo no vértice da moldura por onde passa água, que, com o calor, é transformada em vapor.

Em vez de bombear o vapor direto para a autoclave, a ideia inovadora do time de pesquisadores foi usá-lo para aquecer uma placa condutora desenvolvida especialmente para o projeto, que funciona basicamente como a chapa de um fogão elétrico e pode ser aproveitada até para cozinhar.  O calor da placa então é usado para aquecer a autoclave, uma espécie de panela de pressão dentro da qual é colocado um compartimento com furos no fundo. Basta pôr água na “panela” e depositar os instrumentos médicos dentro desse compartimento para dar início à esterilização.

De acordo com o padrão estabelecido pelos Centers for Disease Control and Prevention dos Estados Unidos, para que esse procedimento seja bem sucedido é preciso que os utensílios sejam mantidos a uma temperatura de 121oC por pelo menos 30 minutos. Mas, utilizando a tecnologia criada por Boubour, esse processo pode ser um pouquinho demorado. Segundo Sam Major, um dos engenheiros envolvidos no projeto, com o sol forte do meio dia, o equipamento demora de 40 minutos a uma hora para começar a aquecer significativamente a autoclave.

E não pense que o Capteur Soleil tem sido empregado só para esse fim. Uma versão dele está sendo usada no Haiti como um fogão solar.

 

Veja também:

Time do MIT usa vírus para cultivar baterias

Catracas de metrô podem virar fonte de energia

Conversor doméstico transforma restos de comida em etanol

 



Tags: ,




Time do MIT usa vírus para cultivar baterias

Eduardo Pegurier
03.05.2011

Abalone vermelha colhida na Califórnia, foto: Roger

Conchas marítimas são feitas de materiais especiais, conta Angela Belcher, que chefia o grupo do MIT (Massachusetts Institute of Technology) especializado em materiais biomoleculares. A composição de uma concha abalone, como a da foto acima, é feita de 98% de carbonato de cálcio e 2% de proteína. Sua resistência é assombrosa, 3 mil vezes maior do que a sua contrapartida geológica — a substância encontrada na natureza, por exemplo, em rochas calcárias. A razão é que, apesar de ser um objeto grande, é composta de nanoestruturas que lhe conferem super poderes.

A natureza não aprendeu a fazer materiais maravilhosos como esse da noite para o dia. A vida na terra surgiu há mais ou menos 1 bilhão de anos, conta Belcher. Passaram-se outros 500 milhões de anos para que os primeiros organismos se tornassem capazes de produzir materiais rígidos, o que os permitiu evoluir dos aglomerados de células e formas moles para seres mais complexos. Nos 50 milhões de anos seguintes, os seres vivos passaram de aprendizes a exímios criadores de materiais diferenciados, como mostra o exemplo das conchas. E a proeza é realizada sem impacto ambiental nocivo.

“Não é fácil convencer um estudante de pós-graduação a se engajar em um projeto com duração de 50 milhões de ano”, brinca Belcher. O desafio do time que dirige é “convencer” organismos vivos a trabalharem com novas substâncias. Mais especificamente induzir vírus a se tornarem usinas de materiais, em seguida usados como baterias e células de energia solar. Quem sabe a gente ainda acaba pegando uma gripe do laptop.

Brincadeira à parte, se essa linha de pesquisa for bem-sucedida poderemos estar diante de fábricas biológicas que empregam microrganismos para produzir, em série e sem poluição, maravilhas para o ser humano. Para mais detalhes, veja o bem-humorado vídeo da palestra (em inglês com legendas).


 



Tags:




Cone translúcido usa sol para dessalinizar água

Eduardo Pegurier
02.05.2011

Watercone, foto: divulgação

A água cobre 3/4 da superfície do planeta, mas 97% do total disponível é água salgada e outros 2% estão presos em geleiras. Acessar o 1% disponível para consumo humano não é fácil. A pobreza nega a infraestrutura para sanear e abastecer uma população mundial que cresce. Do outro lado, a poluição e o mau uso reduzem a quantidade disponível para consumo.

Às populações sem acesso a água potável, uma alternativa é dessalinizar a água salobra ou impura de oceanos, rios e lagos. Mas a operação é intensiva em uso de energia e, portanto, cara. Assim, um equipamento simples e robusto como o Watercone (ou cone de água) é bem-vindo. Aliás, formas improvisadas do sistema são usadas por exércitos e beduínos do deserto.

Ilustração: Mage Water Management

O Watercone é composto de uma base escura, a qual é sobreposta por um cone de plástico translúcido. Para funcionar, basta colocar a água salobra na base, fechar o engenho e deixar o sol fazer o trabalho. A água da base evapora e vai parar nas paredes do cone. De lá, escorre e se acumular em um receptáculo instalado na borda (veja ilustração). Em lugares ensolarados, o resultado é de um 1,5 litros de água potável por dia, produzida por energia solar totalmente “de grátis”.

O equipamento custa 49 euros (cerca de 115 reais) a unidade, mas há bons descontos para compras no atacado. Ele é leve e fácil de empilhar. E, como mostra o vídeo abaixo, robusto. Por mais que seja amassado, não quebra.


 

 

Leia também: As cisternas do semiárido nordestino

 
 

Via Treehugger



Tags: ,




Catracas de metrô podem virar fonte de energia

Luana Caires
14.04.2011

Alunos premiados com bolsa de estudos de R$ 15 mil, foto: Divulgação

A cada dia útil do ano passado, 2.56 milhões de pessoas, em média, passaram pelas catracas de metrô da cidade de São Paulo. E se todo esse movimento fosse convertido em energia? Foi essa ideia criativa que rendeu aos alunos de administração da FEI (Fundação Educacional Inaciana) a vitória no concurso EDP University Challenge 2010 – promovido pela primeira vez no Brasil por uma das maiores empresas européias do setor de energia e a quarta maior do país.

Para participar, os estudantes tiveram que elaborar um plano de marketing para a EDP. Mas o grupo da FEI, formado pelos alunos Renato Góis Figueiredo, Lucas Rodrigues Lamas e Tatiana da Silva, foi além e sugeriu o uso de geradores elétricos acoplados às catracas do metrô e de trens. “Assim como a água passa pelas turbinas de uma hidrelétrica gerando energia, as pessoas passarão pelas catracas e portas giratórias e terão os seus movimentos transformados em eletricidade. É algo simples e eficiente e que utiliza fonte de energia limpa”, explica Renato. A escolha de estações de metrô se deu justamente por serem lugares onde transitam milhões de paulistanos.

Depois de identificar o interesse da empresa em associar a marca EDP ao conceito de geração de energia limpa, os alunos da FEI desenvolveram um plano de comunicação integrada de marketing com o slogan “Bom para o planeta, melhor para você”. “A nossa intenção é conscientizar o público de que a empresa reconhece a importância da energia limpa e associar esse conceito à marca EDP”, destaca Renato. Os alunos foram premiados com uma bolsa de estudos no valor de R$ 15 mil e um estágio de três meses na sede da EDP no Brasil, com possibilidade de intercâmbio na Europa.

Como se tratava de um projeto de marketing, os universitários da FEI não discutiram em seu trabalho um mecanismo que pudesse transformar energia cinética em elétrica, nem analisaram a viabilidade de se instalar esse tipo de catracas no metrô de São Paulo. Mas estudantes chineses já desenvolveram um protótipo capaz de viabilizar o plano dos brasileiros.

A Green Pass, uma catraca energeticamente autossuficiente, foto: Divulgação

 

Aparentemente a Green Pass é uma catraca normal, porém é capaz de produzir toda a energia de que precisa para funcionar. O seu giro permite que as pessoas façam parte do processo de conversão de movimento em energia elétrica, possibilitando a utilização de cartões magnéticos, a inserção de moedas, bilhetes ou permitir que a catraca conte o número de pessoas que passam por ela. Esse engenho dos alunos da Guangdong University of Technology já venceu várias competições nacionais e internacionais de Design, incluindo o Prêmio Conceito Alemão IF, considerado o Oscar do Desenho Industrial. Não seria ótimo ter algumas dessas por aqui?

 

Veja também:

Conversor doméstico transforma restos de comida em etanol

Bola de futebol de dia, bateria à noite

 



Tags: , , ,




Índia: o complexo industrial Tata investe em energia limpa

Eduardo Pegurier
05.04.2011

Casa rural na Índia, próxima à Lohagad. foto: Abhijit Tembhekar

Um bilhão de indianos, a população do país, estão prosperando e querem consumir mais. Centenas de milhões ainda moram em vilarejos paupérrimos e não têm acesso nem mesmo a energia elétrica. Hoje, a maioria da energia nova do país é suja, baseada em combustíveis fósseis. O maior grupo privado do país é o Tata, com faturamento anual próximo a 70 bilhões de dólares, gerados por 114 empresas que operam em 80 países. O grupo Tata ganhou notoriedade internacional quando lançou o carro mais barato do mundo, o Tata Nano, de 2.200 dólares (cerca de R$3,5 mil). A Tata Energia, braço energético do conglomerado produz hoje 3.000 megawatts, dois terços de fontes fósseis como carvão, gás e óleo. Mas embora esse seja o caminho que vislumbra para expansão de capacidade nos próximos anos – a demanda da própria empresa deve aumentar para 25.000 megawatts –, se planeja para em 2025 dar uma guinada em direção à produção de energia limpa e descentralizada.

O caminho mais óbvio é construir hidroelétricas. A empresa diz que seus futuros projetos  no gênero tem o compromisso de não deslocar camponeses de terras cultiváveis. Mas suas ações mais atraentes estão em novas ou novíssimas tecnologias que ela pretende dominar, em alguns casos comprando empresas inovadoras onde for que elas estiverem. Aliás, dois terços das receitas do grupo Tata são geradas por suas subsidiárias no estrangeiro. Quando a conversa é sobre a Índia, para ganhar dinheiro, enfatiza a necessidade de adaptar qualquer que seja a tecnologia para prover serviços aos pobres, a maioria dos indianos, do jeito que eles querem e a um preço que possam pagar. Às vezes, gerar energia para uma antena de celular ou para iluminar uma vila rural e distante já é um enorme benefício para uma população acostumada a não ter quase nada.

É a ideia da base da pirâmide. Existem milhões de pessoas nessa faixa que são consumidores em potencial desde que você adapte as soluções às suas necessidades”, diz Avinash Patkar, o diretor de sustentabilidade da Tata Energia. Ainda não descobrimos o modelo que funciona (…), mas existe um mercado ali, lucros a serem obtidos, se conseguirmos inventar um sistema de geração de energia descentralizado”

Entre seus investimentos estão uma empresa australiana especializada em energia geotérmica, ou a Solar Reserve, americana com ideias ousadas em como concentrar energia solar. Segundo Patkar, a Tata também aposta e é imensamente otimista em relação à tecnologia de células fotovoltaicas produzidas em películas finas. Em Boston, nos EUA, adquiriu parte da Sun Catalytix, que nasceu dentro do MIT, e desenvolve um processo barato de separar o hidrogênio da água. Também investe em biocombustível. Uma ideia é incentivar cooperativas de agricultores na Índia a vender resíduos agrícolas para movimentar pequenas usinas de biomassa. Na mesma linha, quer produzir alimentos e biocombustível a partir de algas.

Parece que chegou a hora das multinacionais dos países emergentes. A Tata é um grupo poderoso que surgiu em um país associado à miséria. Tomara que ela trabalhe para reduzi-la e, melhor ainda, que cumpra as suas promessas de sustentabilidade.

 

Via Cnet News



Tags:




Tesla: ultracapacitores substituirão baterias de lítio

Eduardo Pegurier
24.03.2011

Tesla Roadster, esportivo elétrico que pode abrir caminho para novas tecnologias, foto: divulgação

“Se eu tivesse que fazer uma aposta, acredito que a chance é boa de que (o futuro) não é das baterias, mas dos capacitores”, afirmou Elon Musk, presidente da Tesla, a arrojada montadora de carros esportivos elétricos. Sua posição gerou surpresa porque os carros da empresa que dirige utilizam grandes baterias de lítio, a mesma tecnologia da usada para prover energia a laptops e celulares. Mas ele se referia a ultracapacitores e às possibilidades dos carros elétricos nas próximas duas décadas.

Ultracapacitores são apenas uma versão gigante e poderosa dos capacitores que fazem todos os eletrônicos funcionar. Como uma bateria, eles mantêm uma carga, mas, ao contrário delas, podem ser recarregados quase instantaneamente e não decaem ao das longo das recargas obrigadas pelo uso. O maior problema é a densidade de energia.

As baterias de lítio ganham porque oferecem densidade alta de energia. É preciso que ocorra um pulo tecnológico para que os ultracapacitores as substituam. Entretanto, Musk tem credenciais para impactar com a sua previsão. Antes de entrar para a Tesla, pesquisou ultracapacitores na Universidade de Stanford. Ele também acredita que até 2030 todos os carros serão elétricos.

 

via: Engadget



Tags: , ,




Anterior