10 cidades sustentáveis do mundo

Luana Caires
08.09.2011

Reykjavik é 100% abastecida por energia renovável, foto: Benjamin Dumas

Se transformar em uma cidade sustentável está longe de ser uma tarefa fácil, mas também não é impossível. ((o)) Eco selecionou 10 localidades que podem até não serem ecologicamente perfeitas, mas são exemplos de que é possível diminuir o impacto ambiental de um centro em urbano optando por um planejamento que inclua o verde em sua paisagem e preze por formas mais sustentáveis de organização. Confira a seguir o que foi ou tem sido feito para tornar essas urbes mais “verdes”.

1. Reykjavik, Islândia 

Há mais de 50 anos a Islândia tem se empenhado em diminuir sua dependência de combustíveis fósseis aproveitando seu potencial natural para a geração de eletricidade. Não é de se estranhar que sua capital seja 100% abastecida por energia limpa e de baixo custo. Parte dos veículos da cidade já são movidos a hidrogênio, tendência que deve aumentar ainda mais. O país está investindo pesado nessa tecnologia e pretende se tornar  uma “economia do hidrogênio” nas próximas décadas. No mês passado, foi posto em prática um experimento perto das usinas geotérmicas de  Reykjavik  para testar a viabilidade de se estocar carbono criando emendas de calcário no subsolo. Se tudo ocorrer como esperado, o dióxido de carbono ficará permanentemente aprisionado no solo, o que deve permitir que usinas geotérmicas se livrem dos dióxidos de carbono que elas trazem das profundezas e se tornem efetivamente neutras.

2.Malmö, Suécia

Pioneira na utilização de energia renovável, Malmö também é apontada como a primeira cidade de Troca Justa da Suécia. Ali, o governo tem incentivado o consumo de mercadorias locais produzidas eticamente, promovendo a conscientização dos seus habitantes sobre a importância de se estabelecer um mercado justo e sustentável. A cidade recicla mais de 70% do lixo coletado e os resíduos orgânicos são reaproveitados para a fabricação de biocombustíveis que, juntamente com a energia hidrelétrica, solar e eólica, alimenta o Western Harbor, uma comunidade 100% dependente de energia limpa. Além disso, Malmö possui mais de 400 quilômetros de ciclovias em seu território ­– cinco quilômetro s a mais Copenhague, na Dinamarca–, sendo a cidade sueca com maior número de vias para ciclistas. No ano passado, o uso das bicicletas aumentou 11% e 40% dos deslocamentos relacionados ao trabalho foram feitos utilizando a magrela.

3.Vancouver, Canadá

Líder do ranking das cidades mais habitáveis do mundo por quase dez anos, Vancouver é a cidade da América do Norte com a menor pegada de carbono. Mais de 200 parques esverdeam a sua área urbana e pelo menos 90% da sua energia já provém de fontes renováveis. Em 2005, o governo colocou em prática uma estratégia para que todos os edifícios construídos na cidade oferecessem uma melhor performance ambiental. Desde então, disponibiliza para a população todas as informações necessárias sobre como diminuir o impacto de suas residências e oferece incentivos para que seus habitantes façam uso de energia solar. Até 2020, a cidade pretende neutralizar toda a emissão de gases estufa proveniente dos seus edifícios, que hoje são responsáveis por 55% das emissões de Vancouver.

Por quase 10 anos, Vancouver liderou o ranking das cidades mais habitáveis do mundo, foto:R.Fun

4.Copenhague, Dinamarca

Quando o assunto é ecocidade, Copenhague é um dos principais nomes que devem vir à sua cabeça. No ano passado, ela ficou entre as cidades Mais Habitáveis do mundo, de acordo com a classificação da revista Monocle, e faturou o título de Melhor Cidade para Ciclistas. Cerca de 40% de sua população pedala diariamente para se deslocar pela área urbana e foi lá que surgiu pela primeira vez o empréstimo público de bicicletas. Desde 1990, a cidade conseguiu reduzir suas emissões de carbono em 25% e até 2015 o governo pretende transformá-la na ecometrópole número um do mundo. Além do investimento em fontes limpas de energia – lá foi inaugurada, em 2001, um dos maiores parques eólicos marítimos do mundo –, Copenhague é elogiada pelos esforços desenvolvidos na última década para manter as águas de seu porto limpas, local tão seguro que hoje pode até receber banhistas.

5.Portland, Estados Unidos

Ela tem inspirado outros centros americanos a incluir espaços verdes em seu planejamento urbano. Para conservar os áreas vegetativas em sua volta, foi estabelecido um limite para o avanço da urbanização da cidade, que conta com 92 mil acres de  área verde  e mais de 300 quilômetros de ciclovias. Portland foi a primeira cidade dos Estados Unidos a aprovar um plano para reduzir as emissões de dióxido de carbono e tem promovido sistematicamente a construção de prédios verdes. Além disso, cerca de 40% de sua população utiliza ou a bicicleta ou o transporte coletivo para ir ao trabalho e, desde de outubro, o governo recolhe os resíduos orgânicos, que são enviados para centros de compostagem. Hoje, metade da energia utilizada pela cidade é obtida a partir de fontes limpas, como a luz solar e o aproveitamento de resíduos para a produção de biocombustível.

6.Bahia de Caráquez, Equador

A Bahia de Ceráquez é um verdadeiro paraíso para os ecoturistas. Nos anos 90, o local foi devastado ao ser atingido por um terremoto. Então, o governo e  algumas ONGs decidiram reconstruí-la como uma cidade sustentável. Eles desenvolveram programas para conservar a biodiversidade local e controlar a erosão, implantaram esquemas de incentivo à agricultura orgânica e de reutilização  dos resíduos privados e dos mercados públicos na compostagem. É de lá a primeira fazenda orgânica certificada de camarões.

7. São Francisco, Estados Unidos

Ela foi a primeira cidade americana a banir o uso de sacolinhas plásticas e brinquedos infantis fabricados com produtos químicos questionáveis. São Francisco é também uma das cidades líderes na construção de prédios verdes e já possui mais 100 deles. Quase metade dos seus habitantes utiliza o transporte publico ou a bicicleta para se locomover todos os dias e mais de 17% da população faz bom proveito dos parques e das áreas verdes da cidade. Em 2001, os eleitores aprovaram um incentivo de 100 milhões de dólares para o financiamento da instalação de painéis solares e turbinas eólicas e de reformas para tornar as instalações públicas da cidade mais energeticamente eficientes.

São Francisco foi a primeira cidade americana a banir o uso de sacolas plásticas, foto: Billy Gast

8. Sidney, Austrália

A Austrália foi o primeiro país a banir as lâmpadas incandescentes, substituindo-as por modelos mais energeticamente eficientes. Em Sidney, as emissões de gases estufa diminuíram 18% apenas com a reforma de suas instalações públicas. Além disso, lá foi colocado em prática um projeto de uma rede regional de bicicletas que deve unir 164 bairros. Com essas medidas, o uso da magrela triplicou nas áreas em a rede foi instalada. Também foi em Sidney que surgiu a Hora do Planeta, em que toda a cidade desligou as luzes por 1 hora para chamar atenção para o problema do aquecimento global.

9. Freiburg, Alemanha

Desde que foi reconstruída após a Segunda Guerra Mundial, Freiburg vem experimentando o modo de vida sustentável. É lá que se encontra a famosa Vauban, uma vila de 5 mil habitantes criada para servir de distrito modelo de sustentabilidade. Todas as casas são construídas de maneira a provocar o menor impacto possível no meio ambiente, mas ela é conhecida mesmo por ser uma comunidade livre de automóveis e que incentiva modos mais ecológicos de deslocamento. Em Freiburg também existe uma vila totalmente abastecida por energia solar.

10. Curitiba, Brasil

Ela não é chamada de cidade modelo à toa. Seu eficiente transporte público é utilizado por 70% da população e, se consideradas somente as metrópoles verdes, ou seja, centros urbanos de grande porte, Curitiba só perde para Copenhague no índice de menor emissão de dióxido de carbono per capita e para Vancouver no quesito produção de energia renovável. A cidade possui ainda um bom programa de conservação da biodiversidade e de reflorestamento de espécies nativas e tem uma área verde de 51 metros quadrados por habitante.

 

Post editado em 05/10/2011: nos comentários, nossos leitores criticaram a falta de um método objetivo para a escolha dessa seleção de cidades sob o título “As 10 cidades mais sustentáveis do mundo”. Achamos que o texto foi bem pesquisado e está bem feito, mas concordamos com o argumento. Por isso, consideramos que o post não é mais um ranking, uma lista de posições, mas uma seleção de cidades que se destacam. Curitiba, representando a América Latina, certamente merece estar na lista, como mostram vários links de textos nacionais e internacionais sobre o tema. Eduardo Pegurier, editor de Cidades.



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Recicladora é multada por despejo irregular no Paraná

Luana Caires
12.08.2011

O descarte irregular de lixo hospitalar é perigoso, mas ainda ocorre com frequência, foto: BennyLin

Sacos contendo esparadrapos, seringas, mangueiras e gazes, algumas delas sujas de sangue, foram encontradas no último dia 8 de agosto no lixão de Ortigueira, a 100 quilômetros de Apucarana, norte do Paraná. Segundo relatos dos fiscais da Secretaria do Meio Ambiente que acompanharam o caso, funcionários de uma empresa de reciclagem chegavam de madrugada para descarregar os resíduos no local, onde foram depositados 3 mil quilos de lixo hospitalar. A recicladora foi multada em R$ 8,5 mil por crime ambiental e, de acordo com delegado Mário Sérgio Bradock,  seu dono poderá ser condenado a uma pena de 5 a 8 anos de prisão.

O descarte irregular desse tipo de resíduo representa um perigo iminente tanto para o meio ambiente quanto para a população, mas nem por isso tem sido menos recorrente. Em junho deste ano, outra empresa de coleta, dessa vez de Cianorte, também no Paraná, foi flagrada queimando lixo hospitalar de maneira inadequada. Luvas, frascos de remédios e instrumentos médicos eram incinerados próximos a uma estrada localizada a menos de 100 metros do córrego Apuí, que desagua no Rio Bolivar, responsável pelo abastecimento de água de Cianorte. A companhia foi multada em R$15 mil.

Alguns dias depois, um barracão clandestino de 350 metros quadrados contendo mais de 300 toneladas de detritos hospitalares foi encontrado em Tapejara, a 115 quilômetros de Maringá. De acordo com a Polícia Ambiental, o lixo estava armazenado no local há mais de um ano, colocando em risco as pessoas que moram perto do local, pois para contrair doenças não é preciso ter contato direto com o material já que agentes biológicos, como bactérias e vírus, podem ser transportados para longe por meio de insetos e animais.

Ainda no mesmo mês, resíduos hospitalares infectantes e outros recicláveis foram despejados em um trevo na rodovia PR-445. Parte dos materiais tinha identificação da Santa Casa de Londrina. De acordo com a gerente executiva da Irmandade Santa Casa de Londrina (Iscal), Ana Paula Luz, os resíduos recicláveis são coletados e transportados pelas cooperativas de recicláveis de Londrina. Para o recolhimento dos materiais infectantes, a Iscal contrata a empresa CTR de Maringá que faz a coleta, o tratamento e a destinação.

Infelizmente, esse cenário não é exclusividade do estado do Paraná. Em São Paulo, no Mato Grosso do Sul, em Goiás e no Rio de Janeiro também já foram registrados casos semelhantes. Um levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) apontou que apenas 57,6% do lixo produzido no Brasil em 2010 teve destinação adequada, sendo que 72% das cidades brasileiras depositam seus resíduos em locais impróprios.

 

*Com informações do Jornal de Londrina

 

 

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15 dicas para um consumo mais sustentável

Luana Caires
09.06.2011

Avalie os seus hábitos de consumo antes de comprar sem necessidade, foto: Trevin Chow

Você já parou para pensar sobre os impactos ambientais que o seu padrão de consumo causa? As compras que fazemos – seja na feira, no supermercado ou no shopping center –, a maneira como produzimos nosso lixo, como usamos nossos eletrodomésticos, como consumimos água e energia ou até mesmo carne e produtos de madeira deixa marcas degradantes no meio ambiente. Atualmente, consumimos 20% a mais de recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. Por isso, uma mudança de atitude é mais do que necessária e é bem mais simples do que você pode imaginar. Confira abaixo algumas dicas do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) para poupar o meio ambiente com pequenas alterações em nossos hábitos.

  1. Questione e avalie os seus hábitos de consumo antes de decidir pela compra de qualquer produto e procure consumir apenas o necessário.
  2. Informe-se sobre a origem e o destino de tudo que você consome. Optar por produtos feitos com métodos sustentáveis ajuda a cadeia produtiva a ser mais responsável e minimiza os impactos no meio ambiente.
  3. Antes de comprar um novo equipamento, verifique a etiqueta e escolha aquele que consome menos energia.
  4. Evite luzes ou equipamentos ligados quando não for necessário. Os aparelho em stand-by continuam consumindo energia.
  5. Cobre das empresas de eletroeletrônicos uma política de coleta, reciclagem e fabricação de produtos  com baixo consumo de energia.
  6. Reduza o tempo do banho. Você poupa água e ajuda a diminuir o consumo de energia. E não deixe de revisar suas torneiras! Uma torneira pingando a cada 5 segundos representa, em um dia, 20 litros de água desperdiçada.
  7. Solicite produtos orgânicos com certificação de origem de qualidade de gestão ambiental aos supermercados e fornecedores de materiais de limpeza.
  8. Substitua a lâmpadas incandescentes por lâmpadas econômicas. Elas geram a mesma luminosidade, duram mais e poupam 80% de energia.
  9. Ligue a máquina de lavar roupa apenas com a carga cheia. Você poupa água, energia, sabão e tempo.
  10. Utilize sacolas de pano ou caixas de papelão em vez de recorrer às sacolinhas plásticas.
  11. Ao comprar móveis, prefira madeira certificada. Assim você evita o desmatamento da Amazônia.
  12. Sempre que possível, reutilize produtos e embalagens.
Não compre outra vez o que você pode consertar, transformar e reutilizar. E, mesmo que não seja feita a coleta seletiva em seu bairro, separe o lixo reutilizável do orgânico e encaminhe para a reciclagem. Reciclar é uma maneira de contribuir para a economia dos recursos naturais, a redução da degradação ambiental e a geração de empregos.
  13. Diminua o uso de produtos de higiene e limpeza. Assim você reduz o nível de poluentes presentes na água e no tratamento do esgoto.
  14. Incentive a carona solidária e organize caronas com familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho.
  15. Faça as contas: ir a pé, usar bicicleta, transporte coletivo ou táxi é mais barato e polui menos do que comprar um automóvel. Mas, se a compra de um carro for inevitável, consulte a Nota Verde do Proconve no site www.ibama.gov.br e a etiqueta de eficiência energética para escolher o modelo menos poluente. E não esqueça de manter em dia a manutenção do seu veículo. Faça inspeção veicular, não retire o catalisador, devolva a bateria e os pneus usados ao revendedor na hora da troca. Os pontos de venda são obrigados a aceitar e reciclar esses produtos.

 

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À beira da inauguração, aterro de Seropédica ainda é polêmico

Fabíola Ortiz
11.04.2011

Universidade Rural (UFRRJ), vizinha e opositora ao aterro de Seropédica. foto: blog Vestibulando

Considerado pelos defensores o projeto mais moderno de aterro sanitário da América Latina, Seropédica receberá 9 mil toneladas diárias de lixo da cidade do Rio de Janeiro. O começo parcial das operações está previsto para maio. Entretanto, a polêmica em torno da sua implementação continua. Há pelo menos oito anos brigam os governos locais e o estadual, a favor, e grupos de Seropédica, que se opõem à sua construção no município. Antes da inauguração, ainda haverá uma audiência pública para debater o assunto na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

O novo aterro substitui Gramacho, em Duque de Caxias, que, além das péssimas condições, está sendo encerrado após extrapolar a sua capacidade. Seropédica é um mega empreendimento de 400 milhões de reais, que será administrado pela Ciclus, que obteve a concessão pública da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) para explorar o serviço. A Ciclus é uma sociedade entre as empresas Júlio Simões e Haztec.

“As obras estão terminando e quando começar a operação, a ideia é erradicar rapidamente os dois lixões de Seropédica e Itaguaí, muito problemáticos, e começar a receber os resíduos desses municípios junto com os da cidade do Rio”, disse a O ECO a superintendente da Haztec, Adriana Felipetto, à frente do projeto.

De lixo à energia elétrica

A meta é fazer da nova central não apenas um local para despejo de lixo, mas para gerar energia elétrica através de biomassa, queimando o metano emanado pela decomposição do lixo. Essa forma de geração de energia não tem impactos negativos sobre o meio ambiente, garante Felipetto. Em Seropédica, a transformação do gás poderá gerar 30 megawatts de eletricidade, o suficiente para iluminar uma cidade com cerca de 100 mil habitantes. Ela também defende que o novo aterro é seguro e usa a melhor tecnologia disponível. Um aterro sanitário para lixo urbano é normalmente feito com argila e uma camada de manto de polietileno de alta densidade (PEAD) resistente a infiltrações. “Seropédica se destaca porque tem um sistema de drenagem e uma tripla cobertura de impermeabilização. Estamos instalando um aterro para resíduos urbanos com um metro de argila compactada, depois uma camada de manta PEAD, areia, argila de novo, eletrodos e ainda outra manta. Ou seja, zero contato com o solo e, além disso, os sensores estarão ligados a um sistema informatizado online em que qualquer vazamento de chorume será detectado e localizado”, assegurou.

Aterro sobre lençol freático

Entretanto, a instalação de um aterro desse porte em Seropédica preocupa a população do município. Um dos focos de resistência se concentra na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, onde estudam mais de 12 mil alunos e que estará a uma distância de apenas quatro quilômetros do aterro. Professor da instituição, Cícero Pimenteira, economista e doutor em planejamento energético, acredita que “a administração pública escolheu a pior área para instalar um aterro sanitário”, pois lá também está a reserva estratégica de água para o estado do Rio. “O aterro está sobre o aquífero Piranema”.

Apesar das explicações técnicas e tecnológicas de que o lixo não entrará em contato com o solo, Pimenteira é enfático ao levantar a possibilidade de que, em 5 anos (metade da vida útil do aterro), o manto impermeabilizante possa falhar. Se isso acontecer, “o lixo vai comprometer o lençol freático”. Ele descreve como assustador o cenário do lixão de Gramacho, que já deveria ter sido encerrado há mais de 10 anos. Gramacho tem 45 metros de altura de lixo exposto e mais 15 metros que afundou no mangue sem que o solo fosse protegido. “Em Seropédica, nos primeiros 10 anos, a pilha terá 20 metros de altura. A minha pergunta é: o que fazer depois que os eletrodos detectarem o vazamento de chorume no solo e no aquífero? Os acidentes ocorrem a partir do que os engenheiros não puderam prever”, alerta. O alto índice pluviométrico em Seropédica é outro agravante do aterro. “É como se estivéssemos injetando veneno na água para as gerações futuras que a consumirão”. Além disso, lembra, há outros riscos como a proximidade do porto de Sepetiba e da linha férrea, que podem levar a tentativa de burlar a proibição de importar lixo de outros municípios e estados. Para Ana Cristina dos Santos, presidente do sindicato de docentes da Rural (Adurrj), o impacto sobre a universidade e sobre o município é enorme. “Quase mil caminhões circularão pelas vias, uma delas a Rio-São Paulo, que já é precária”, enfatiza. “Serão nove mil toneladas diárias despejadas em Seropédica, um dos municípios mais pobres e de mais baixo IDH do estado”.



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Apesar de nova lei, Brasil ainda vai conviver com lixões

Fabíola Ortiz
08.04.2011

Lixão em Campina Grande, Paraíba. foto: Carla de Souza

 O fim dos lixões no Brasil ainda vai demorar para se tornar realidade. O país ainda terá que conviver com o problema, apesar de já ter um marco regulatório que prevê, até 2014, o fechamento de todos os locais em que o lixo é depositado sem tratamento ou separação. “É uma impossibilidade prática se levarmos em conta a realidade nacional”, reconhece o diretor jurídico do Instituto Brasil-PNUMA, Oscar Graça Couto. O especialista em direito ambiental da PUC-Rio e da Fundação Getúlio Vargas falou a O ECO, durante o seminário de Política Nacional de Resíduos Sólidos, nesta quarta-feira, 6 de abril, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN). O evento reuniu especialistas para analisar o panorama da gestão de resíduos no Brasil frente à nova lei.

2011 é o primeiro ano de implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada em agosto e regulamentada em dezembro de 2010, após mais de 20 anos de tramitação no Congresso Nacional. A nova lei apresenta inovações como a logística reversa e a responsabilidade compartilhada, envolvendo governos, fabricantes, distribuidores, comerciantes e consumidores no trato final do produto. As embalagens usadas terão que ser recolhidas e separadas na coleta seletiva para reciclagem. E as empresas terão até o final deste ano para desenvolver e apresentar propostas para garantir que os seus produtos façam o mesmo caminho de retorno após serem devolvidos pelos consumidores.

“A maior inovação é a integração, em uma mesma lei, de princípios e preocupações de esferas que vão da ambiental à  jurídica, econômica e social”, explicou Couto. Por exemplo, as cooperativas de catadores estarão inseridas em todas as fases da coleta de resíduos. ”Cada uma dessas dimensões deve se integrar. São atribuídas responsabilidades ao governo, empresas e a sociedade civil”. Ainda segundo Couto, apesar das falhas e possíveis brechas na lei, ela é uma importante mudança na prática da gestão dos resíduos sólidos no Brasil, que consagra os princípios do poluidor pagador e da fiscalização. “Até agora, a não observância de danos causados por resíduos tinham pouca consequências para quem desrespeitava as normas”, enfatizou. A partir da sua instalação, o não cumprimento da legislação prevê a punição nas esferas criminal, administrativa e civil com multas que podem variar de R$ 5 mil a 50 milhões e penas de até quatro anos de prisão.

Entretanto, apesar das boas intenções do novo marco regulatório, o tratamento de resíduos sólidos permanece um desafio. O Brasil produz 57 milhões de toneladas de lixo por ano, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Só a produção de lixo nas cidades brasileiras chega a 150 mil toneladas por dia. Dados do IBGE apontam que 73% dos 5.564 municípios brasileiros jogam seus resíduos sólidos em lixões ou em aterros controlados. Este último é um pouco melhor, porque embora não impeça a contaminação do solo ou do lençol freático, cobre o lixo ao invés de deixá-lo a céu aberto.

Já temos o papel com as regras, agora resta descobrir se elas serão de fato postas em prática.



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São Paulo: medicamentos ganham programa Descarte Consciente

Luana Caires
30.03.2011

Não é balinha doce, SP compra cerca de 170 milhões de medicamentos por mês, foto: Pranjal Mahna

É inevitável. Ao fim de um tratamento de saúde é comum sobrar medicamentos e aí vem a pergunta: o que fazer com os eles? A resposta é importante. Segundo a Anvisa, só na capital paulistana são vendidos no varejo 170 milhões de produtos farmacêuticos por mês. Faz pouco tempo, remédios vencidos ou em desuso iam parar no lixo comum ou no vaso sanitário, hábito que pode causar a contaminação da água e do solo por substâncias químicas. Mas, desde o final do ano passado, foi inaugurado o programa Descarte Consciente.  Aprovado pela Secretaria de Saúde da cidade de São Paulo, o projeto é criação da Brasil Health Service (BHS), empresa de tecnologia e inovação em saúde, em parceria com a rede Droga Raia e a Medley. Ele já conta com 13 postos de recolhimento de fármacos na cidade de São Paulo. Além disso, as Unidades Básicas de Saúde da Prefeitura de São Paulo também recebem medicações fora de uso. Os pontos de coleta estão em expansão. Na capital, A rede Pão-de-Açúcar e a Drograria São Paulo estão criando seus próprios programas. Fora dela, o Descarte Consciente já tem 3 pontos em Limeira (SP) e, em breve, deve chegar a Belo Horizonte e Porto Alegre. A prefeitura do Rio de Janeiro também foi procurada, mas até agora não manifestou interesse.

Todos os postos de recolhimento são equipados com a Ecomed, uma estação coletora de resíduos de medicamento. A estação oferece três compartimentos de depósito: um para pomadas e comprimidos, um para líquidos e sprays e outro para caixas e bulas, que devem ser rasgadas antes do descarte. Os coletores têm aberturas do tipo boca de lobo e portas com fechamento a chave, impedindo a retirada do material depositado. Antes de fazer o descarte, o consumidor registra o tipo do medicamento que deverá depositar por meio do leitor de código de barras da Ecomed, sistema que permite o rastreamento de remédios controlados evitando que esse tipo de medicação seja desviada e revendida ilegalmente.

Estação de recolhimento Ecomed

Os dados registrados na máquina são usados para a elaboração do preservômetro – um índice que permite ao consumidor acompanhar quanto foi recolhido e quais os benefícios dessa coleta para o meio ambiente. De acordo com estimativas do pesquisador e sócio da BHS, Joe Roseman, cada quilo de medicamento recolhido deixará de contaminar 450 mil de litros de água e, segundo projeções do especialista, cerca de 186 toneladas devem ser coletadas no primeiro ano de funcionamento do programa.

É importante lembrar que mesmo as embalagens primárias – aquelas que entram em contato com a medicação – são consideradas como resíduos perigosos, já que podem ter sido contaminadas, e devem ser descartadas corretamente junto aos remédios.

Da Ecomed, o material é levado pelo Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb), órgão gerenciador dos serviços prestados na cidade de São Paulo, para a destinação final correta. Medicamentos vencidos e produtos químicos são enviados para usinas de incineração certificadas, enquanto seringas e agulhas são encaminhadas para uma usina de tratamento para serem descontaminadas e, em seguida, são mandadas para aterros especiais.

Urnas coletoras das farmácias do grupo Pão de Açúcar, foto: Divulgação

O Descarte Consciente já chegou a Limeira, no interior de São Paulo,  e sua implantação em Belo Horizonte e Porto Alegre já está sendo negociada. O número de postos de descarte ainda deve crescer bastante. Segundo o diretor-presidente da BHS, José F. Agostini Roxo, a rede Droga Raia pretende alcançar a marca de 200 lojas equipadas com a Ecomed. Espera-se que o programa chegue também ao Rio de Janeiro, mas ainda não foi possível chegar a um acordo com os gestores da capital carioca. “No Rio de Janeiro não é feito esse tipo de coleta e, ainda assim, a prefeitura está nos dizendo que não vai se comprometer com o recolhimento e a destinação final do material”, afirma Roxo.

Outras redes já têm projetos-piloto ou pensam em iniciá-los. O Grupo Pão de Açúcar, em parceria com a Eurofarma, inaugurou postos para descarte de medicamentos no fim de 2010 em cinco drogarias dos seus supermercados. Se esse projeto piloto for bem sucedido, o serviço deve ser estendido às 154 lojas do grupo que têm farmácias em suas instalações. Já a Drogaria São Paulo, líder no varejo farmacêutico no país, já está em negociação com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo para oferecer o recolhimento de remédios em suas lojas.

 

Veja também: 80% dos antibióticos vendidos nos EUA são destinados a animais

 



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Lixo, o campeão ao contrário do carnaval carioca

Eduardo Pegurier
07.03.2011

Bloco das Carmelitas em Santa Teresa, até agora, campeão do lixo - foto: veredaestreita

2ª feira, 7 de março

No Rio de Janeiro, a cada ano os blocos de rua ganham mais força, mas parece que a celebração da alegria e da descontração confunde liberdade com sujeira. Nesse campeonato ao avesso, onde ganha (perdendo) quem deixa a maior quantidade de lixo, segundo o Jornal do Brasil, até sábado, estava na frente o bloco das Carmelitas, de Santa Teresa, com 2,5 toneladas recolhidas pela Comlurb. Em segundo lugar ficou o Vem ni mim que sou facinha, de Ipanema, que deixou para trás 2,2 toneladas. Seguiu o Embaixadores da Cidade Maravilhosa, Lapa, com 1,5 toneladas. Bem que a irreverência podia ficar apenas para os nomes de bloco e fantasias engraçadas…

 

4ª feira, 9 de março – atualização

Segunda as últimas notícias, o Carmelitas perdeu fácil a liderança. O bloco Quizomba, da Lapa, gerou 4,4 toneladas de lixo. Mesmo assim, perdeu para a dupla Bangalafumenga, Jardim Botânico, e Simpatia é quase amor, Ipanema. Os dois juntos, diz a Comlurb geraram 12 toneladas de lixo, ou uma média de 6 toneladas para cada um. Ganharam o campeonato do Ao contrário do que deveria ser.



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Recife: bairro da Bomba quer fazer um carnaval limpo

Celso Calheiros
04.03.2011

Preparando a folia e a limpeza, foto: Celso Calheiros

O bairro da Bomba do Hemetério, no Recife, se preparou como poucos para o Carnaval. Na verdade, a Bomba virou a novidade do Carnaval do Recife e quer fazer bonito em duas frentes – cultural e ambiental. O bairro é endereço de mais de 50 agremiações de cultura popular. Mobilizado, pressionou a prefeitura e conquistou um polo de Carnaval no bairro. Terá núcleo e palco, com atrações locais se apresentando junto com artistas consagrados, como Jorge Aragão, por exemplo.

A história do meio ambiente começa antes, em abril, quando líderes comunitários gestores do Programa Bombando Cidadania, iniciativa do  Instituto Walmart, idealizaram uma ação sócio-ambiental para o bairro, com o foco no lixo. Através do apoio técnico do Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano (IADH), foi desenvolvida uma Agenda 21 Local – na sua primeira etapa, um programa de sensibilização da comunidade para o principal problema ambiental do bairro, o destino dos resíduos sólidos.

Carnaval agendado e planejamento pronto, o passo seguinte é fazer uma festa memorável e limpa. Os líderes comunitários criaram tarefas, definiram os responsáveis por cada uma e estabeleceram um calendário. Primeira ação: articular com o comércio local a doação de tonéis, luvas, descartáveis, sacos de 100 litros para distribuir pelos locais de concentração e para os catadores de recicláveis. Depois, mobilização para se criar uma sinalização, com frases de efeito do tipo “Eu quero a Bomba limpa. E você?”. Também vão articular com os catadores para informar sobre a proibição de se utilizar o trabalho infantil, além de doar sacos grandes, fornecer equipamentos de proteção individual (EPIs) e camisetas com slogans positivos. Na pauta estão previstas conversas com os moradores de casas próximas aos focos de carnaval, para que eles coloquem as lixeiras da casa do lado de fora, para reforçar a oferta de um local certo para o lixo.

Bairro com 12.500 moradores, com 43% na classe C e 38% na classe D, conforme levantamento realizado em 2008, a Bomba do Hemetério também é um celeiro da cultura popular. O bairro é casa de mestres de coco, escolas de samba, troças carnavalescas, grupo de caboclinhos, bois, ursos, grupos de maracatu, de afoxés e tantas outras manifestações de origem africana. A região também passou a divulgar sua culinária regional. Tudo estará reunido como atração para turistas ou recifenses que chegam para conhecer diferentes manifestações do Carnaval na cidade.

Tudo correndo como o planejado, o Carnaval comprovará uma tese da coordenadora do projeto Agenda 21 Local, Mariana Melo, consultora do IADH. “A parceria entre o ambiental e o cultural dá certo”, garante. Ela, por exemplo, fomentou diferentes formas de sensibilização da comunidade através de peças de teatro, criação de grupos infantis de música com instrumentos reciclados, chamamentos para mutirões com encenações e vê o resultado do trabalho em diferentes atos. Um dos últimos foi a conquista, através de negociações diretas da comunidade com a empresa municipal responsável pela limpeza urbana, de um compactador de lixo dentro da comunidade e a substituição de caminhões de lixo por carros menores, mais adequados para andarem pelas estreitas vias da Bomba do Hemetério. Por essas e outras, faz sucesso o bordão que a comunidade forjou: “O que é da Bomba é bom!”



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Ipanema, purgatório da beleza e do lixo

Marcio Isensee
07.02.2011


 
São seis da tarde em Ipanema. Praia lotadíssima e, pena, descaradamente suja. O céu está de um azul imaculado e o sol ainda forte, devido ao horário de verão. Faço o trajeto do posto 9 até a pedra do Arpoador, conversando com frequentadores, trabalhadores das barracas e catadores de latas. No gogó, todo mundo concorda: o lixo na areia é um problema.

Os frequentadores parecem à vontade. Aproveitam a praia ao lado da sujeira, pisam e passam por cima de montinhos de lixo e dividem espaço com os muitos pombos que se aglomeram ao seu redor — como já disse o Woody Allen, ratos com asas. Presencio cenas de crianças que pegam garrafas, plásticos e outros detritos descartados e os usam como brinquedo no mar. Esse lixo ficará lá boiando por um bom tempo. Isso me faz pensar que uma grande parte do problema da praia está ligado aos tipos de produtos consumidos, com muita embalagem, sobras e desperdícios.

O pessoal das barracas me impressiona bem. Eles tentam fazer a sua parte. Distribuem saquinhos aos frequentadores, colocam lixeiras extras e cobram capricho do pessoal da Comlurb, a empresa pública responsável pela limpeza. Os catadores de lata, por necessidade, também ajudam. Conseguem tirar até R$ 150,00 em um dia. Como um quilo de lata — que contém 75 latinhas de cerveja ou refrigerante — vale entre 2,50 reais e 3,50, isso quer dizer que eles chegam a catar entre 3 mil e 4,5 mil latas por dia. É muuuuita lata! Como tem bastante catador (algo como 50, sou informado), sobram poucas jogadas na areia.

Enquanto fotografo sou “ferido em combate”. Estava andando pela areia, pisei em um palito de queijo coalho enterrado e cortei o pé. Acabei vítima das próprias mazelas que estou tentando documentar.

O trabalho da Comlurb é eficaz. Mas não adianta remediar, é preciso mudar o processo, entender porque se gera tanto lixo na praia. Ao mesmo tempo, é inexplicável porque apenas uns poucos frequentadores se dão ao trabalho de dar o devido fim aos detritos. Não há dificuldade.

Próximo às 20h, quando o sol se pôs, quase todos os banhistas restantes bateram palma, sorriram e celebraram mais um belíssimo dia na cidade. Ninguém olhou pra baixo e se preocupou com o lixo que ficou ali para a posteridade. Contraditório, não?



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Fim de semana de praia e sujeira

Eduardo Pegurier
30.01.2011

Hoje é domingo e o dia está ensolarado na maior parte do país. É dia de praia, lazer gratuito, agregador, saudável. Um dos favoritos do brasileiro, regularmente oferecido por gentileza da mãe natureza. Nosso litoral é generoso, mas a retribuição não fica a altura. Depois da cerveja, do papo, do vôlei e da pelada, do banho de mar; quando o pessoal vai para casa costuma deixar toneladas de lixo para trás. É ao mesmo tempo uma vergonha e um custo para as cidades litorâneas.

No Rio de Janeiro, toda a semana a prefeitura retira 537 toneladas de sujeira ao longo de 50 km de orla, ou 10,7 toneladas de lixo a cada quilômetro de praia. Isso ocupa 180 homens trabalhando cerca de 7 horas por dia. Todo esse esforço poderia ser liberado para fins mais nobres se melhorássemos de atitude. A cidade é bem provida de lixeiras, mas ninguém se digna a caminhar até os contêineres laranja-cheguei e despejar seu lixo lá. Ele fica de presente, na areia mesmo.

No Réveillon, maior festa do ano, essa quantidade chega a 610 toneladas em um só dia, mobilizando 3.800 trabalhadores e 300 veículos. Destas, 295 toneladas são removidas só em Copacabana. Isso quer dizer que, na noite da virada, a “princesinha do mar” aturou 73,8 toneladas em cada um dos seus 4 quilômetros de extensão. O vídeo abaixo mostra a beleza e a feiura. A maior comemoração do gênero no mundo, quando os fogos acabam, requer a maior operação de limpeza do planeta.

Uma pena que uma coisa exija a outra. O brasileiro que é limpo em casa, deveria o ser também na rua.
 


 



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