Londrina: 83% dos rios locais estão poluídos

Luana Caires
29.07.2011

Uma das faces do Lago Igapó, foto: Luana Santos

Quem mora próximo ao lago Igapó, cartão postal de Londrina, ou costuma caminhar perto dele não fica surpreso ao sentir o mau cheiro de suas águas. Parte de uma bacia urbana de 4,5 quilômetros, ele sofre com o despejo irregular de esgoto e com as chuvas, que trazem lixo e terra de outras partes da cidade para o seu reservatório. O lago está cada vez mais assoreado. Já teve mais de três metros de profundidade, mas hoje apresenta pontos com menos de 20 centímetros. Essa triste realidade está longe de ser exclusividade do Igapó. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) constatou que 83% dos rios e córregos da região metropolitana apresentam alguma forma de poluição.

A pesquisa teve início em 2007 e levou dois anos para ser concluída. Durante esse período, foram avaliados 35 pontos das bacias do Jacutinga, Lindoia, Limoeiro, Cambé, Cafezal e Três Bocas, submetidos a análises de padrões físico-químicos, bacteriológicos e ecotoxicológicos. Então, os 84 rios que cortam a cidade foram divididos entre sete categorias, conforme o índice Avaliação Integrada da Qualidade de Água (AIQA), que vão de “muito boa” a “extremamente poluída”.

De acordo com o diagnóstico feito pelos pesquisadores, nenhum deles está em condições ideais ou péssimas, mas apenas 17% deles se encontram em níveis considerados bons. O estudo aponta ainda que 26% estão pouco poluídos, 29% apresentam níveis médios de contaminação, 14% possuem água poluída e outros 14% foram classificados como muito poluídos. Segundo a bioquímica do IAP, Gelsi Gonçalves, os resultados são relativamente bons, já que Londrina apresenta índices menores de poluição por resíduos industriais do que outras cidades de mesmo porte. “O problema é mesmo a poluição de origem orgânica, causada pelo lançamento de esgoto nos rios”, explica.

No início do mês de julho, dezenas de peixes amanheceram mortos no Ribeirão Lindoia. Fiscais do IAP constataram que a água possuía uma camada com aspecto viscoso e, depois da realização de alguns testes, concluíram que se tratava de uma contaminação por esgoto doméstico, já que foi encontrada uma grande quantidade de bactérias e coliformes fecais nas amostras colhidas.

Em abril deste ano, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) – responsável pelo serviço de água e esgoto do município – foi multada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema) em R$ 45 milhões por despejo irregular de esgoto nos ribeirões Cambezinho e Lindoia. A empresa, no entanto, até a data de hoje ainda não havia efetuado o pagamento da multa.

A companhia afirmou em nota oficial que todas as estações de tratamento de esgoto da Sanepar têm licença de operação do IAP e que os efluentes destinados aos rios são monitorados permanentemente de acordo com a legislação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Em declarações à imprensa, o gerente industrial da empresa, Roberto Arai, apontou a existência de ligações clandestinas de esgoto e disse não ter poder para punir seus responsáveis.

Segundo o secretário municipal do Ambiente, José Novaes Faraco, no dia 20 de maio a Sanepar pediu 90 dias para fazer modificações na rede de esgoto e para o pagamento da multa. Até o dia 20 de agosto a empresa deve apresentar um projeto de melhorias no sistema de canal de esgoto e serviços ambientais em Londrina e, caso opte por um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e assuma a revitalização da área degradada, o valor da multa pode baixar para cerca de R$27 milhões.

 

* Com informações do Jornal de Londrina e de O Diário

 

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Londrina testa repelente contra pombas

 



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Londrina testa repelente contra pombas

Luana Caires
15.06.2011

Na Praça Marechal Floriano Peixoto, tem penas para todos os lados , foto: Luana Santos

Quem mora ou trabalha próximo ao Bosque Municipal Marechal Cândido Rondon, no centro de Londrina, já deve estar acostumado a ouvir rojões no período da tarde. Incomodados com a grande quantidade de pombas que se abrigam nas árvores da região, taxistas recorrem ao estrondo para provocar a debandada dessas aves. Mas eles não são os únicos que se incomodam com a presença dessas visitantes indesejáveis. A equipe de limpeza quase não dá conta da sujeira provocada pelas quase 130 mil pombas da cidade e moradores e transeuntes reclamam do mau cheiro causado pelas fezes desses animais. Tentando solucionar esse problema, a prefeitura está testando um novo método: a utilização de um gel repelente aplicado nas árvores.

Essa não é a primeira tentativa de controle da espécie. A Secretaria do Meio Ambiente (SEMA) já construiu um pombal, usou gaviões – predadores naturais desse tipo de aves –, já podou as árvores do bosque e, na esperança de que elas abandonassem seus dormitórios, até instalou um equipamento sonoro emissor de ondas não captadas pelos humanos, mas capazes de atormentar  as pombinhas. Porém, nenhuma dessas medidas surtiu o efeito esperado. O Ibama chegou a autorizar o abate desses animais no campo, mas frente às restrições impostas pelo próprio instituto, o município teve dificuldades para colocar a iniciativa em prática.

Nem o movimento espanta as pombinhas, foto: Luana Santos

Agora a prefeitura está aplicando o gel repelente em vários pontos da cidade, inclusive no bosque. Feito à base de polibuteno, polímero inerte e resina sintética, o produto possui um aspecto viscoso que causa desconforto na ave, fazendo com ela deixe a árvore e procure outro local para o pouso. Segundo o secretário de Meio Ambiente José Faraco, o Ibama e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) não foram avisados porque “o produto não é nocivo para a saúde”. O médico veterinário especializado em aves, Ivens Gomes Guimarães, diz que já tem informações sobre o efeito do repelente. “É um produto que, aparentemente, não causa mal. Só gera um stress na ave”, afirma.

A superpopulação de pombas não preocupa somente pelo desconforto que causa para os habitantes. Elas competem por alimentos com espécies nativas, danificam monumentos da área urbana com suas fezes e podem transmitir doenças ao ser humano, como histoplasmose, infecção por salmonella e criptococose – infecção causada pela inalação de um fungo geralmente associado a fezes dos pombos que, em alguns casos, pode levar à morte. Em 2009, foram confirmados 4 casos dessa doença em Londrina.

Ainda não resolvida, a questão das pombas já virou piada na cidade. Tem até compositor local fazendo graça com o problema das aves.

A equipe de limpeza quase não dá conta da sujeira, foto: Luana Santos

*Com informações do Jornal de Londrina

 

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