Aplicativos ajudam franceses a planejar seus deslocamentos

Luana Caires
22.09.2011

São 35 aplicativos para facilitar e incentivar deslocamentos mais verdes, foto: Divulgação

Para o Ministério do Desenvolvimento Sustentável francês, a tecnologia pode ser uma grande aliada na batalha por um transporte mais sustentável. O governo pretende mostrar que é possível mudar o comportamento com a ajuda da internet móvel, criando acesso a aplicativos com dicas valiosas sobre como diminuir as emissões de dióxido de carbono em seu caminho e planejar melhor a sua rota.

Essa iniciativa está afinada com o contexto da democratização do uso e do acesso à rede 3G, a chamada “smartphonização” do país. Segundo uma pesquisa realizada pela Association Française du Multimédia Mobile, 37,2% dos usuários de telefonia móvel da França possuem acesso à internet em seu aparelho e 31,4% deles têm um smartphone. A ideia é aproveitar a utilização crescente da rede móvel para facilitar e incentivar o uso de meios alternativos de transporte.

Encontrar um posto de aluguel de bicicletas na França agora ficou fácil

Por isso, foram criados 35 aplicativos que podem ser usados tanto para descobrir o posto mais próximo de aluguel de bicicletas quanto para organizar caronas ou calcular a forma mais prática de chegar ao seu destino usando vários tipos de transporte disponíveis em sua cidade. E se engana quem acha que só os parisienses poderão desfrutar desses serviços. Alguns deles podem ser usados em qualquer parte do país, e localidades como Lyon, Rennes, Nice, Reims, Bordeaux e outras já contam com informações específicas sobre suas rotas que podem ser acessadas tanto por turistas quanto pelos seus habitantes.

Com o Velodispo, por exemplo, o usuário pode utilizar sua geolocalização para encontrar o ponto de aluguel de bike mais próximo em 14 cidades francesas e outras 3 no exterior – Cardiff, Reading e Estocolmo. Depois de garantir a magrela, basta informar a sua rota que o programa lhe informa qual é a melhor estação para entregar a bicicleta no fim do trajeto e, para os esquecidinhos, o aplicativo também dá um lembrete indicando o momento em que o ciclista deve partir para conseguir devolver a bicicleta antes do seu aluguel vencer. E as vantagens desse aplicativo não param por aí. Quem não gosta de pedalar de baixo de chuva pode consultar as condições climáticas da região antes de fazer a locação.

Eco-citoyens: Para calcular o impacto do seu estilo de vida e receber dicas diárias

Já o Eco-citoyens calcula o impacto dos seus deslocamentos e ainda oferece sugestões e informações sobre como economizar energia, reduzir suas emissões de gases estufa e como consumir de maneira a diminuir sua marca no meio ambiente. A cada dia o usuário recebe uma dica de comportamento para tornar seu cotidiano mais verde e ainda pode se submeter a testes para saber como está o seu desempenho e aprender como melhorar seus hábitos. O programa também permite encontrar os postos de reciclagem mais próximos e acessar informações sobre a qualidade do ar nas principais cidades francesas.

O usuário pode ainda se submeter a testes para saber como está o seu desempenho

Aqueles que precisarem de um automóvel por uma, duas horas ou até mesmo por um fim de semana inteiro podem recorrer ao Buzzcar para efetuar aluguel de um veículo de um proprietário particular. O aplicativo põe o locatário em contato com o dono do carro e permite a realização da reserva. Os envolvidos em uma transação de compartilhamento são notificados instantaneamente. E os que precisam de uma carona não ficam de fora. São vários os programas que disponibilizam a rota dos seus cadastrados, facilitando o contato entre eles e a organização de uma carona.

Quem depende totalmente do transporte público também foi lembrado. O aplicativo da RATP (Reseau Autonome des Transports Parisiens), por exemplo, permite ao cidadão planejar sua rota combinando o metrô, os ônibus e os trens que circulam pela região metropolitana. O usuário pode ainda acompanhar em tempo real o horário de circulação, as informações sobre o tráfego e consultar o mapa da extensa malha metroviária da cidade.

Com o aplicativo da RATP, o usuário pode planejar melhor a sua rota

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Vaga por vagas: trocando um carro por 12 bicicletas

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Vaga por vagas: trocando um carro por 12 bicicletas

Raul Bueno
20.09.2011

Vaga ao longo do passeio: 6 x 2,1m. Um carro ou 12 bicicletas. Ilustrações: Raul Bueno

Automóveis nas cidades têm dois grandes problemas: o primeiro é a poluição que causam. Este talvez possa ser sanado por carros 100% elétricos como o Nissan Leaf ou o Tesla. O outro problema pode ser respondido por qual qualquer iniciado em urbanismo: carros ocupam espaço nas ruas e construções.

Inspirado pelo PARK(ing) Day, na última sexta-feira, 16 de setembro, segue uma sugestão para facilitar a vida de quem anda de bicicleta e reduzir um pouco a prevalência do carro no uso do espaço público. Afinal, bicicletas e automóveis competem por vagas. No entanto, no espaço de uma vaga de automóvel — de 6 metros de comprimento por 2,1 metros de largura — cabem 12 magrelas.

No Rio de Janeiro é proibido prender bicicletas ao mobiliário urbano (veja o vídeo no final). Então o que fazer?

Este urbanista (e ciclista) que vos escreve acha que seria revolucionário demais, pelo menos no momento, substituir de cara as preciosas vagas dos motoristas por bicicletários. Então, pensei em um projeto de vaga com uso flexível: pode ser usada por um automóvel ou, como alternativa, por 6 bicicletas e 4 lambretas. Siga as ilustrações para entender o projeto.

Me parece uma boa idéia. Alguma autoridade responsável pelo pelo trânsito se habilita?

 

Apoiado deste modo sobre o passeio, o bicicletário não atrapalha o fluxo de pedestres e não impede a vaga de ser usada por um automóvel, caso não esteja ocupada por bicicletas.

 

Quando não há carro, ½ dúzia de bicicletas e quatro lambretas.

Quando um carro ocupa a vaga, os bicicletários não impedem que as suas portas abram. Nada como convivência pacífica.

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Vídeo: Rio de Janeiro: PARK(ing) Day 2011, debate e festa

 

 Raul Bueno mora no Rio de janeiro e é um ciclista inveterado. Além disso é Arquiteto Urbanista, trabalha na Defournier & Associados e leciona no Bennett e na FAU-UFRJ.

 

Veja aqui o vídeo polícia tentando apreender um bicicleta no RJ, durante um choque de ordem



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Rio de Janeiro: PARK(ing) Day 2011, debate e festa

Adriana Sansão
18.09.2011

O Programa PARK(ing) Day foi criado pelo Rebar, um estúdio de Arte e Design norte americano, e teve a sua primeira edição em 2005 em São Francisco. O objetivo do programa é a ocupação de uma vaga de estacionamento para convertê-la em área de lazer, por algumas horas. Surgiu da necessidade de se pensar sobre a maneira como as ruas são usadas, e sobre a quantidade de área destinada a estacionamentos, que poderiam ser melhor aproveitadas pela população.

O uso da vaga na Praça Tiradentes começou às 14 horas, quando iniciamos a montagem da estrutura de bambu no local. Às 16 horas, com quase tudo pronto, começamos a montar o som e a fazer os demais arremates, transformando a vaga em um mini auditório-discoteca, com direito a luzes e globo espelhado.

O debate iniciou-se às 18h30, tendo como convidados o Secretário Municipal de Transportes Alexandre Sansão, o consultor do ITDP Roberto Adler, e o Subsecretário Municipal de Patrimônio, Intervenção Urbana, Arquitetura e Design Washington Fajardo.

O formato do debate foi de uma entrevista, onde a organização fez perguntas aos convidados tendo como tema a relação Carros X Espaço público. Posteriormente, as perguntas foram abertas à plateia. Temas como a redução do uso dos automóveis particulares, transporte cicloviário e transformação de áreas de estacionamento em áreas de lazer deram o tom do debate.

Às 20h30 começou a festa dentro da vaga, com o DJ Quito e convidados, que tocaram os vinis do Wilson, melhor vendedor de discos do centro e que faz ponto diante do imóvel do Studio X – Rio, apoiador do evento. A festa se estendeu até meia noite, atraindo os pedestres que atravessavam a praça.

Além de abrir a reflexão sobre a quantidade excessiva de estacionamentos na cidade, a Intervenção temporária objetivou ativar o espaço urbano, imaginar novas paisagens e presentear a cidade com um evento que rompesse a linha contínua do cotidiano, fazendo do espaço público um lugar mais amável para a população.

 

Leia também: Deixe seu carro em casa! Programação nacional para o DMSC 2011

 

*Adriana Sansão é arquiteta e urbanista, professora da PUC-Rio. Ela foi uma das organizadoras do PARK(ing) Day 2011 no RJ. É autora dos blogs Notas Temporais e 100 países, dedicado aos relatos de viagens.



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Hertz lança aluguel de bicicletas elétricas em Londres

Luana Caires
14.09.2011

A diária de cada magrela motorizada sai por 20 pounds, foto: Ultramotor

Quem visitar a capital inglesa agora terá uma opção mais sustentável para se locomover pela cidade. A Hertz, conhecida pelo aluguel de automóveis, começou a oferecer também bicicletas elétricas para os seus clientes. A empresa já conta com 12 e-bikes da Ultra-motor disponíveis tanto para turistas quanto para residentes. A iniciativa deve agradar ao prefeito Boris Johnson, que, além de ser ciclista de carteirinha, pretende transformar Londres na capital europeia de veículos elétricos.

Impulsionada pela popularidade crescente das bicicletas elétricas e pelo aumento do número de ciclistas, a Hertz percebeu o potencial de oferecer aos cidadãos um meio de transporte mais verde que, ao mesmo tempo, facilitasse o seu deslocamento pelas inúmeras ruas de mão única da cidade. A diária de cada magrela motorizada sai por 20 pounds (mais ou menos 54 reais) e inclui um breve treinamento, uma trava e uma cópia do AA Leisure Guide de Londres – uma espécie de guia de lazer – e, quem quiser, pode optar por um capacete de proteção.

A Husqvarna Concept E-go da BMW, foto: Divulgação

Mas não é só a Hertz que anda apostando no transporte elétrico. A BMW anunciou o lançamento de uma motocicleta elétrica, a Husqvarna Concept E-go. A máquina pesa só 80 Kg – existem modelos elétricos que têm 135 Kg – e sua bateria é responsável por um terço do seu peso.

E a tecnologia elétrica já deixou de ser exclusividade de aviões, motos, bicicletas e automóveis. Em agosto, um protótipo de helicóptero totalmente elétrico levantou seu primeiro voo, roubando o recorde de tempo no ar do modelo X2, produzido pela gigante da aviação, Sikorsky,  e já aposentado. Mesmo assim, o helicóptero voou por apenas 2 minutos e 10 segundos. A autonomia é tão curta porque a hélice e os mecanismos estabilizadores de um helicóptero são vorazes consumidores de energia.

Em seu primeiro voo, o protótipo já bateu um recorde, foto: Gizmag

 

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Via: Inhabitat



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10 cidades sustentáveis do mundo

Luana Caires
08.09.2011

Reykjavik é 100% abastecida por energia renovável, foto: Benjamin Dumas

Se transformar em uma cidade sustentável está longe de ser uma tarefa fácil, mas também não é impossível. ((o)) Eco selecionou 10 localidades que podem até não serem ecologicamente perfeitas, mas são exemplos de que é possível diminuir o impacto ambiental de um centro em urbano optando por um planejamento que inclua o verde em sua paisagem e preze por formas mais sustentáveis de organização. Confira a seguir o que foi ou tem sido feito para tornar essas urbes mais “verdes”.

1. Reykjavik, Islândia 

Há mais de 50 anos a Islândia tem se empenhado em diminuir sua dependência de combustíveis fósseis aproveitando seu potencial natural para a geração de eletricidade. Não é de se estranhar que sua capital seja 100% abastecida por energia limpa e de baixo custo. Parte dos veículos da cidade já são movidos a hidrogênio, tendência que deve aumentar ainda mais. O país está investindo pesado nessa tecnologia e pretende se tornar  uma “economia do hidrogênio” nas próximas décadas. No mês passado, foi posto em prática um experimento perto das usinas geotérmicas de  Reykjavik  para testar a viabilidade de se estocar carbono criando emendas de calcário no subsolo. Se tudo ocorrer como esperado, o dióxido de carbono ficará permanentemente aprisionado no solo, o que deve permitir que usinas geotérmicas se livrem dos dióxidos de carbono que elas trazem das profundezas e se tornem efetivamente neutras.

2.Malmö, Suécia

Pioneira na utilização de energia renovável, Malmö também é apontada como a primeira cidade de Troca Justa da Suécia. Ali, o governo tem incentivado o consumo de mercadorias locais produzidas eticamente, promovendo a conscientização dos seus habitantes sobre a importância de se estabelecer um mercado justo e sustentável. A cidade recicla mais de 70% do lixo coletado e os resíduos orgânicos são reaproveitados para a fabricação de biocombustíveis que, juntamente com a energia hidrelétrica, solar e eólica, alimenta o Western Harbor, uma comunidade 100% dependente de energia limpa. Além disso, Malmö possui mais de 400 quilômetros de ciclovias em seu território ­– cinco quilômetro s a mais Copenhague, na Dinamarca–, sendo a cidade sueca com maior número de vias para ciclistas. No ano passado, o uso das bicicletas aumentou 11% e 40% dos deslocamentos relacionados ao trabalho foram feitos utilizando a magrela.

3.Vancouver, Canadá

Líder do ranking das cidades mais habitáveis do mundo por quase dez anos, Vancouver é a cidade da América do Norte com a menor pegada de carbono. Mais de 200 parques esverdeam a sua área urbana e pelo menos 90% da sua energia já provém de fontes renováveis. Em 2005, o governo colocou em prática uma estratégia para que todos os edifícios construídos na cidade oferecessem uma melhor performance ambiental. Desde então, disponibiliza para a população todas as informações necessárias sobre como diminuir o impacto de suas residências e oferece incentivos para que seus habitantes façam uso de energia solar. Até 2020, a cidade pretende neutralizar toda a emissão de gases estufa proveniente dos seus edifícios, que hoje são responsáveis por 55% das emissões de Vancouver.

Por quase 10 anos, Vancouver liderou o ranking das cidades mais habitáveis do mundo, foto:R.Fun

4.Copenhague, Dinamarca

Quando o assunto é ecocidade, Copenhague é um dos principais nomes que devem vir à sua cabeça. No ano passado, ela ficou entre as cidades Mais Habitáveis do mundo, de acordo com a classificação da revista Monocle, e faturou o título de Melhor Cidade para Ciclistas. Cerca de 40% de sua população pedala diariamente para se deslocar pela área urbana e foi lá que surgiu pela primeira vez o empréstimo público de bicicletas. Desde 1990, a cidade conseguiu reduzir suas emissões de carbono em 25% e até 2015 o governo pretende transformá-la na ecometrópole número um do mundo. Além do investimento em fontes limpas de energia – lá foi inaugurada, em 2001, um dos maiores parques eólicos marítimos do mundo –, Copenhague é elogiada pelos esforços desenvolvidos na última década para manter as águas de seu porto limpas, local tão seguro que hoje pode até receber banhistas.

5.Portland, Estados Unidos

Ela tem inspirado outros centros americanos a incluir espaços verdes em seu planejamento urbano. Para conservar os áreas vegetativas em sua volta, foi estabelecido um limite para o avanço da urbanização da cidade, que conta com 92 mil acres de  área verde  e mais de 300 quilômetros de ciclovias. Portland foi a primeira cidade dos Estados Unidos a aprovar um plano para reduzir as emissões de dióxido de carbono e tem promovido sistematicamente a construção de prédios verdes. Além disso, cerca de 40% de sua população utiliza ou a bicicleta ou o transporte coletivo para ir ao trabalho e, desde de outubro, o governo recolhe os resíduos orgânicos, que são enviados para centros de compostagem. Hoje, metade da energia utilizada pela cidade é obtida a partir de fontes limpas, como a luz solar e o aproveitamento de resíduos para a produção de biocombustível.

6.Bahia de Caráquez, Equador

A Bahia de Ceráquez é um verdadeiro paraíso para os ecoturistas. Nos anos 90, o local foi devastado ao ser atingido por um terremoto. Então, o governo e  algumas ONGs decidiram reconstruí-la como uma cidade sustentável. Eles desenvolveram programas para conservar a biodiversidade local e controlar a erosão, implantaram esquemas de incentivo à agricultura orgânica e de reutilização  dos resíduos privados e dos mercados públicos na compostagem. É de lá a primeira fazenda orgânica certificada de camarões.

7. São Francisco, Estados Unidos

Ela foi a primeira cidade americana a banir o uso de sacolinhas plásticas e brinquedos infantis fabricados com produtos químicos questionáveis. São Francisco é também uma das cidades líderes na construção de prédios verdes e já possui mais 100 deles. Quase metade dos seus habitantes utiliza o transporte publico ou a bicicleta para se locomover todos os dias e mais de 17% da população faz bom proveito dos parques e das áreas verdes da cidade. Em 2001, os eleitores aprovaram um incentivo de 100 milhões de dólares para o financiamento da instalação de painéis solares e turbinas eólicas e de reformas para tornar as instalações públicas da cidade mais energeticamente eficientes.

São Francisco foi a primeira cidade americana a banir o uso de sacolas plásticas, foto: Billy Gast

8. Sidney, Austrália

A Austrália foi o primeiro país a banir as lâmpadas incandescentes, substituindo-as por modelos mais energeticamente eficientes. Em Sidney, as emissões de gases estufa diminuíram 18% apenas com a reforma de suas instalações públicas. Além disso, lá foi colocado em prática um projeto de uma rede regional de bicicletas que deve unir 164 bairros. Com essas medidas, o uso da magrela triplicou nas áreas em a rede foi instalada. Também foi em Sidney que surgiu a Hora do Planeta, em que toda a cidade desligou as luzes por 1 hora para chamar atenção para o problema do aquecimento global.

9. Freiburg, Alemanha

Desde que foi reconstruída após a Segunda Guerra Mundial, Freiburg vem experimentando o modo de vida sustentável. É lá que se encontra a famosa Vauban, uma vila de 5 mil habitantes criada para servir de distrito modelo de sustentabilidade. Todas as casas são construídas de maneira a provocar o menor impacto possível no meio ambiente, mas ela é conhecida mesmo por ser uma comunidade livre de automóveis e que incentiva modos mais ecológicos de deslocamento. Em Freiburg também existe uma vila totalmente abastecida por energia solar.

10. Curitiba, Brasil

Ela não é chamada de cidade modelo à toa. Seu eficiente transporte público é utilizado por 70% da população e, se consideradas somente as metrópoles verdes, ou seja, centros urbanos de grande porte, Curitiba só perde para Copenhague no índice de menor emissão de dióxido de carbono per capita e para Vancouver no quesito produção de energia renovável. A cidade possui ainda um bom programa de conservação da biodiversidade e de reflorestamento de espécies nativas e tem uma área verde de 51 metros quadrados por habitante.

 

Post editado em 05/10/2011: nos comentários, nossos leitores criticaram a falta de um método objetivo para a escolha dessa seleção de cidades sob o título “As 10 cidades mais sustentáveis do mundo”. Achamos que o texto foi bem pesquisado e está bem feito, mas concordamos com o argumento. Por isso, consideramos que o post não é mais um ranking, uma lista de posições, mas uma seleção de cidades que se destacam. Curitiba, representando a América Latina, certamente merece estar na lista, como mostram vários links de textos nacionais e internacionais sobre o tema. Eduardo Pegurier, editor de Cidades.



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Aparelho taxa motoristas de acordo com uso do carro

Luana Caires
17.08.2011

Durante o teste, o preço por quilômetro rodado variava entre 2 e 28 centavos, foto: Chriszwolle

Imagine ter em seu automóvel um equipamento semelhante a um taxímetro que medisse não só a quilometragem como também o impacto ambiental de suas viagens. Pois o governo holandês instalou alguns aparelhos como esse em carros particulares para testar um novo sistema de taxação: em vez de cobrar impostos pela compra do veículo ou do combustível, os motoristas seriam taxados proporcionalmente ao uso que fazem deles.

Conectado à internet sem fio e ao sinal do GPS, o aparelho calcula o custo de cada trajeto utilizando uma fórmula baseada na distância percorrida, na emissão de gases estufa, nos desgaste das ruas e no dia e horário do deslocamento. Assim, quem rodar mais em horários de pico e em vias de tráfego intenso pagaria mais do que aqueles que usam o carro esporadicamente. No fim do mês, o motorista receberia um conta detalhando os horários e o custo de cada viagem.

O teste teve início há dois anos e o governo holandês planejava implementar o novo sistema no ano que vem, mas, depois que um novo partido assumiu o poder em 2010, a ideia acabou não saindo do papel. Os defensores da instalação de medidores em veículos particulares afirmam que a cobrança de impostos baseada no uso seria uma maneira mais justa de o governo arrecadar receita, já que o valor das taxas decorreria do uso propriamente dito, não apenas da posse de um automóvel.

Se o projeto fosse definitivamente implantado, os aparelhos de medição poderiam ser programados para que veículos com maior consumo de combustível pagassem tarifas mais altas, já que causam um impacto maior no meio ambiente. Esse poderia ser um incentivo para que a população investisse em transportes menos poluentes, como híbridos ou carros elétricos ou optassem pelo transporte público e até pelo uso de bicicletas, por exemplo. Estudos têm mostrado que os medidores oferecem aos motoristas um feedback negativo instantâneo capaz de influenciar seu comportamento, pois associa diretamente o deslocamento ao valor gasto pelo usuário do carro.

Outros governos, tanto na Europa quanto na Ásia e nos Estados Unidos,  já demonstraram interesse em cobrar impostos por quilômetro rodado para melhorar o tráfego de veículos nas grandes cidades, mas, como o sistema envolve o monitoramento dos motoristas, muitos eleitores e políticos se opõem ao projeto alegando preocupações com a privacidade dos cidadãos ou com a aceitação por parte da população de um novo imposto. Durante o teste holandês, o preço aplicado variava entre 2 e 28 centavos de euro por quilômetro. Segundo as estimativas do governo, a previsão era de que 60 ou 70% dos motoristas pagassem menos com os medidores do que com o sistema atual de taxação.

 

Via: New York Times

 

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Cidade espanhola troca carro por passe vitalício de trem

Luana Caires
14.07.2011

A nova linha de trens elétricos da Tranvía, em Murcia, foto:MΣTRØMURCIΔ

Para incentivar o uso do transporte público, o governo de Murcia fez uma proposta interessante aos seus habitantes: trocar um automóvel por um passe vitalício para transitar pela novíssima linha de trens elétricos da cidade. Bastava aos interessados ter um veículo em boas condições, com todos os tributos pagos, e fazer uma inscrição online no site da Tranvía.

Essa iniciativa marcou a primeira fase de uma campanha com o objetivo de diminuir a circulação de carros em suas ruas. Passado o período de inscrições, os automóveis trocados pela população ficaram expostos em uma das ruas das cidades e foram gradualmente desmontados por mecânicos convidados pela companhia de trens até desaparecerem completamente daquele cenário. Para tornar esse processo mais “interativo”, uma peça dos carros era retirada a cada comentário recebido no Facebook ou no Twitter da campanha. A companhia também tentou chamar a atenção para a dificuldade de se achar uma vaga para estacionar instalando veículos em locais inusitados do centro da cidade. Tinha até um automóvel empilhado em cima de outro.

Toda essa “promoção” parece ter tido efeito. Durante seu primeiro mês de funcionamento, os trens elétricos de Murcia, sétima maior cidade da Espanha, receberam em média 4,5 mil pessoas por dia – resultado tido como positivo pelo Conselho dos Transportes – e percorreram mais de 66 mil quilômetros, de acordo com dados do município. Outras duas linhas deverão ser lançadas entre 2014 e 2022 e o governo pretende continuar o incentivo ao uso do transporte público, mas terá muito trabalho pela frente. Estudos apontam que, hoje, 80% da população murciana se locomove por meio de veículos privados.

Uma das estratégias para consolidar a utilização dos trens elétricos tem sido conquistar os cidadãos pelo bolso. Para tanto, são oferecidos descontos para usuários que privilegiem esse meio de transporte. Enquanto o bilhete normal custa 1,35 euro, estudantes chegam a pagar 20 euros por uma carteirinha que dá direito ao  uso ilimitado dos trens pelo período de um mês, e quem tiver uma família numerosa, por exemplo, pode se cadastrar para comprar um pacote bilhetes pagando apenas 0,50 euros por viagem.

Via: Springwise

 

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Linha de trem-bala ganha túnel recoberto por células solares

Guardian Environment Network
14.06.2011

O túnel solar de 3,2 Km na linha entre Paris e Amsterdã, foto: divulgação

Por Damian Carrington

Um túnel de 3.200 metros na Bélgica, construído para proteger trens da queda de árvores vizinhas, desde a semana passada, passou a produzir um benefício ambiental duplo, pois também permitiu a instalação de um projeto de energia solar.

A linha de trem-bala que vai de Paris à Amsterdã passa, ao longo do caminho, por Antuérpia e ladeia uma velha floresta. Para evitar a necessidade de cortar árvores próximas à ferrovia, um longo túnel foi construído para proteger o trecho que, em seguida, foi recoberto por 16 mil painéis solares. A energia elétrica que eles produzem é equivalente a um dia de consumo de todos os trens da Bélgica, e ainda ajudará o suprimento da estação de Antuérpia.

“Na operação de trens, essa é a maneira perfeita de reduzir a pegada de carbono, porque ela usa espaços que não tem qualquer valor econômico. E os projetos podem ser realizados em até um ano já que não motiva protestos como acontece quando se trata de parques eólicos”, diz Bart Van Renterghem, diretor do braço inglês da Enfinity, empresa belga de geração de energia renovável, responsável pela instalação dos painéis (veja abaixo o vídeo sobre o novo túnel).


 
“Em Londres, fechamos dois projetos com empresas ferroviárias e de fornecimento de água, mas eles estão parados por enquanto”, conta Van Renterghem.

A razão da interrupção foi a controversa decisão do governo inglês de reavaliar os subsídios para grandes projetos de energia solar, o que reduziu os seus retornos financeiros.

O governo inglês considera a energia solar cara demais, entretanto, Van Renterghem afirmou que ele assistiu aos custos caírem pela metade nos últimos 2 ou 3 anos, graças a economias de escala proporcionadas pela Alemanha, França e Bélgica.

A nova estação Blackfriars em Londres, que cruza o rio Tâmisa, terá a maior coleção de painéis solares da Grã-Bretanha quando for inaugurada, na primavera de 2012.

A cobertura da nova estação contará com 4.400 painéis que gerarão 1 Megawatt, o suficiente para prover 50% do seu próprio consumo. Porém, esse projeto não depende do nível de subsídios governamentais para energia solar. Seu custo de 7,3 milhões de libras (cerca de R$19 milhões) foi pago integralmente pelo fundo de meio ambiente do Departamento de Transporte.

 

Este artigo faz parte do Guardian Environment Network.



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15 dicas para um consumo mais sustentável

Luana Caires
09.06.2011

Avalie os seus hábitos de consumo antes de comprar sem necessidade, foto: Trevin Chow

Você já parou para pensar sobre os impactos ambientais que o seu padrão de consumo causa? As compras que fazemos – seja na feira, no supermercado ou no shopping center –, a maneira como produzimos nosso lixo, como usamos nossos eletrodomésticos, como consumimos água e energia ou até mesmo carne e produtos de madeira deixa marcas degradantes no meio ambiente. Atualmente, consumimos 20% a mais de recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. Por isso, uma mudança de atitude é mais do que necessária e é bem mais simples do que você pode imaginar. Confira abaixo algumas dicas do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) para poupar o meio ambiente com pequenas alterações em nossos hábitos.

  1. Questione e avalie os seus hábitos de consumo antes de decidir pela compra de qualquer produto e procure consumir apenas o necessário.
  2. Informe-se sobre a origem e o destino de tudo que você consome. Optar por produtos feitos com métodos sustentáveis ajuda a cadeia produtiva a ser mais responsável e minimiza os impactos no meio ambiente.
  3. Antes de comprar um novo equipamento, verifique a etiqueta e escolha aquele que consome menos energia.
  4. Evite luzes ou equipamentos ligados quando não for necessário. Os aparelho em stand-by continuam consumindo energia.
  5. Cobre das empresas de eletroeletrônicos uma política de coleta, reciclagem e fabricação de produtos  com baixo consumo de energia.
  6. Reduza o tempo do banho. Você poupa água e ajuda a diminuir o consumo de energia. E não deixe de revisar suas torneiras! Uma torneira pingando a cada 5 segundos representa, em um dia, 20 litros de água desperdiçada.
  7. Solicite produtos orgânicos com certificação de origem de qualidade de gestão ambiental aos supermercados e fornecedores de materiais de limpeza.
  8. Substitua a lâmpadas incandescentes por lâmpadas econômicas. Elas geram a mesma luminosidade, duram mais e poupam 80% de energia.
  9. Ligue a máquina de lavar roupa apenas com a carga cheia. Você poupa água, energia, sabão e tempo.
  10. Utilize sacolas de pano ou caixas de papelão em vez de recorrer às sacolinhas plásticas.
  11. Ao comprar móveis, prefira madeira certificada. Assim você evita o desmatamento da Amazônia.
  12. Sempre que possível, reutilize produtos e embalagens.
Não compre outra vez o que você pode consertar, transformar e reutilizar. E, mesmo que não seja feita a coleta seletiva em seu bairro, separe o lixo reutilizável do orgânico e encaminhe para a reciclagem. Reciclar é uma maneira de contribuir para a economia dos recursos naturais, a redução da degradação ambiental e a geração de empregos.
  13. Diminua o uso de produtos de higiene e limpeza. Assim você reduz o nível de poluentes presentes na água e no tratamento do esgoto.
  14. Incentive a carona solidária e organize caronas com familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho.
  15. Faça as contas: ir a pé, usar bicicleta, transporte coletivo ou táxi é mais barato e polui menos do que comprar um automóvel. Mas, se a compra de um carro for inevitável, consulte a Nota Verde do Proconve no site www.ibama.gov.br e a etiqueta de eficiência energética para escolher o modelo menos poluente. E não esqueça de manter em dia a manutenção do seu veículo. Faça inspeção veicular, não retire o catalisador, devolva a bateria e os pneus usados ao revendedor na hora da troca. Os pontos de venda são obrigados a aceitar e reciclar esses produtos.

 

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Consumo consciente não é prioridade

Evento no Rio lança o livro verde dos negócios sustentáveis

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Evento no Rio lança o livro verde dos negócios sustentáveis

Fabíola Ortiz
01.06.2011

"Cross Wind Bridge", a ponte que gera a energia da sua própria iluminação, foto: divulgação

O evento Rio Global Green Business reúne, até sexta-feira, na sede da FIRJAN, representantes de países como Inglaterra, Itália, México, Holanda, Japão, Chile e Argentina. Como forma de estimular as boas práticas no mundo, será lançado o Bright Green Book, o “Livro Verde do Século 21”, que apresenta 100 iniciativas que tiveram destaque, nos últimos dez anos, na contribuição para a virada em direção ao desenvolvimento sustentável, desenvolvidas por cidades ou empresas.

Nessa corrida em busca de alternativas para atrelar a sustentabilidade à economia as armas são inovação e tecnologia.

Destacam-se entre os projetos apresentados as casas de Bambu com micro-concreto do arquiteto brasileiro Alejandro Sartori, do Instituto do Bambu (UFAL), um tipo de estrutura leve e 30% mais barata; a iniciativa holandesa “WaveRoller”, de geração de energia a partir das ondas marítimas; e a criação do Green Investment Bank, na Inglaterra, um banco de investimento especializado em negócios sustentáveis. De Portugal veio a (já anglificada) “Cross-Wind Bridge”, criada pelos designers portugueses Tiago Barros e Jorge Pereira ), que aproveita o fluxo de carros por baixo dela para movimentar o ar e, com essa energia eólica, manter sua iluminação à noite.

Entre os desafios da transição está a rápida urbanização do mundo. São as cidades, por exemplo, que, de forma direta ou através do seu consumo, geram 70% do efeito estufa antropogênico. No entanto, elas também estão no centro das inovações verdes, defende Alain Grimard, o canadense que ocupa o cargo de representante regional da ONU-HABITAT, Programa da ONU para os Assentamentos Humanos. “Mais da metade da população mundial vive em centros urbanos. São as cidades as que mais emitem gases de efeito estufa, mas igualmente são capazes de mudar este panorama”, disse ele a ((o))eco.

Se todas as cidades pintassem as ruas e os tetos dos edifícios nas cores branca, amarela ou verde, ao invés de cores escuras, haveria uma redução de 1 a 2% do total do consumo de energia. “Apenas a imposição de uma regra como essa ajudaria a economizar milhões de dólares”, afirmou. Sozinha, a energia utilizada para iluminar edifícios residenciais e comerciais nas cidades responde a 25% das emissões de gases de efeito estufa, o dobro da contribuição do transporte, de 14% .

Estamos seguindo um caminho de uma urbanização verde? Grimard responde: “Isso não é utópico, é necessário”. A Europa está na frente, mas os EUA, a América do Sul e demais regiões do mundo terão que trilhar esse caminho. “Líderes locais e a sociedade civil devem se mover na direção das regulações e hábitos sustentáveis. Este é o futuro. Mesmo que alguns gestores não gostem disso, eles serão forçados”, argumentou o representante da ONU-HABITAT.



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