Rio de Janeiro: PARK(ing) Day 2011, debate e festa

Adriana Sansão
18.09.2011

O Programa PARK(ing) Day foi criado pelo Rebar, um estúdio de Arte e Design norte americano, e teve a sua primeira edição em 2005 em São Francisco. O objetivo do programa é a ocupação de uma vaga de estacionamento para convertê-la em área de lazer, por algumas horas. Surgiu da necessidade de se pensar sobre a maneira como as ruas são usadas, e sobre a quantidade de área destinada a estacionamentos, que poderiam ser melhor aproveitadas pela população.

O uso da vaga na Praça Tiradentes começou às 14 horas, quando iniciamos a montagem da estrutura de bambu no local. Às 16 horas, com quase tudo pronto, começamos a montar o som e a fazer os demais arremates, transformando a vaga em um mini auditório-discoteca, com direito a luzes e globo espelhado.

O debate iniciou-se às 18h30, tendo como convidados o Secretário Municipal de Transportes Alexandre Sansão, o consultor do ITDP Roberto Adler, e o Subsecretário Municipal de Patrimônio, Intervenção Urbana, Arquitetura e Design Washington Fajardo.

O formato do debate foi de uma entrevista, onde a organização fez perguntas aos convidados tendo como tema a relação Carros X Espaço público. Posteriormente, as perguntas foram abertas à plateia. Temas como a redução do uso dos automóveis particulares, transporte cicloviário e transformação de áreas de estacionamento em áreas de lazer deram o tom do debate.

Às 20h30 começou a festa dentro da vaga, com o DJ Quito e convidados, que tocaram os vinis do Wilson, melhor vendedor de discos do centro e que faz ponto diante do imóvel do Studio X – Rio, apoiador do evento. A festa se estendeu até meia noite, atraindo os pedestres que atravessavam a praça.

Além de abrir a reflexão sobre a quantidade excessiva de estacionamentos na cidade, a Intervenção temporária objetivou ativar o espaço urbano, imaginar novas paisagens e presentear a cidade com um evento que rompesse a linha contínua do cotidiano, fazendo do espaço público um lugar mais amável para a população.

 

Leia também: Deixe seu carro em casa! Programação nacional para o DMSC 2011

 

*Adriana Sansão é arquiteta e urbanista, professora da PUC-Rio. Ela foi uma das organizadoras do PARK(ing) Day 2011 no RJ. É autora dos blogs Notas Temporais e 100 países, dedicado aos relatos de viagens.



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América Latina, como vamos?

Luana Caires
01.09.2011

De acordo com estimativas da ONU, em 2050, 70% da população mundial viverá nas cidades– o equivalente a 6 bilhões de pessoas. Hoje, com apenas 3,2 bilhões delas morando em áreas urbanas a situação já é complicada, principalmente nos países em desenvolvimento. Com o objetivo de lutar por uma cidade mais democrática e sustentável, movimentos voltados para o tema surgiram na América Latina e estão arregaçando as mangas para mostrar que a mobilização e a articulação da sociedade podem transformar a gestão das cidades da região, assegurando que as políticas públicas sejam transparentes e contribuam para melhorar a qualidade de vida de forma sustentável.

Foi esse o tom do II Encontro da Rede Latino-americana por Cidade Justas, Democráticas e Sustentáveis, realizado de 29 a 31 de agosto em Salvador. Independentes e apartidários, a maioria dos movimentos da rede trabalha com indicadores concretos de qualidade de vida, que permitam acompanhar as desigualdades urbanas e aferir melhorias, especialmente no acesso a bens e serviços públicos.

Esses indicadores são agrupados por temas e cada um deles tem seus dados monitorados e divulgados por cada organização. Essa nova forma de mobilização sobre a gestão das cidades já conta com  36 movimentos em vários países latino-americanos .

Por aqui, esse tipo de iniciativa já começou a dar frutos. Graças à Rede Nossa São Paulo, com o apoio da Rede Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis, tramita no Congresso Nacional brasileiro uma Proposta de Emenda à Constituição para que a “lei de metas” seja adotada para todos os governos e municípios do país. Ela obriga os prefeitos a apresentarem à sociedade civil e ao Poder Legislativo um Programa de Metas e Prioridades de sua gestão, até 90 dias após a posse, discriminando as ações estratégicas, indicadores de desempenho e metas quantitativas e qualitativas para cada um dos setores da Administração Pública.

Já o Rio Como Vamos vem acompanhando obras e ações públicas destinadas a preparar a capital carioca para receber a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Além disso, o movimento participa do Conselho do Legado, criado pela prefeitura, e do projeto Jogos Limpos, do Instituto Ethos, com o objetivo de promover maior transparência sobre os recursos investidos nesses eventos.

Confira abaixo as organizações brasileiras que participam da Rede Latino-americana por Cidades Justas, Democráticas e Sustentáveis no Brasil. Para conferir a lista completa da América Latina, clique aqui.



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Favelas precisam ser urbanizadas, diz Joan Clos

Gustavo Faleiros
22.08.2011

Semana da Água, em Estocolmo - foto: Alex de Sousa

“O mundo precisa de um novo movimento higienista.”  Este foi o argumento que o espanhol Joan Clos,  atual diretor do programa para cidades da ONU (UN-Habitat), levou ao público da 21a Semana Mundial da Água, que começou nesta segunda na cidade de Estocolmo, Suécia. Em referência às políticas públicas que transformaram cidades como Paris, Rio de Janeiro, Nova York e Londres no início do século 20 – quando ruas estreitas e cortiços foram substítuitos por novos bairros com luz elétrica e água encanada -, o representante da ONU disse que é preciso urbanizar as favelas em diversas partes do mundo.

Em cidades e bairros onde há qualidade de vida, a superfície ocupada com espaços públicos é de 25% a 35%. Em contraste, nas favelas apenas 2% a 3% da área ocupada é utilizada como ruas, praças e outros espaços públicos.

De acordo com os dados da UN-Habitat cerca de 800 milhões de pessoas vivem hoje em favelas na América do Sul, África e Ásia. Em alguns países, 60% da população urbana vive em assentamentos ilegais com habitações sem infraestrutura. A urbanização recente em nações em desenvolvimento, apontou Clos, difere daquela ocorrida no século passado por não vir acompanhada de industrialização.

Por isso, segundo ele, investimentos urbanos seriam uma forma de gerar oportunidades de emprego e renda. ”Se não existe a rua, não existe um lugar para acumular recursos, como água, saneamento, telecomunicações”, argumentou. Segundo o espanhol, em cidades e bairros onde há qualidade de vida, a superfície ocupada com espaços públicos é de 25% a 35%. Em contraste, nas favelas apenas 2% a 3% da área ocupada é utilizada como ruas, praças e outros espaços públicos. “A rua é a fábrica da cidade, é onde se produz o bem comum”, disse Clos.

Barcelona: Pontos Verdes ampliam reciclagem do lixo problemático

Estudo de 100 cidades conclui que são vilãs do efeito estufa

Um porto mais verde e articulado para o Rio

Sua palestra foi proferida na abertura do Semana Mundial da Água, que neste ano tem como tema principal o desafio de gerir os recursos hídricos em um mundo de urbanização acelerada. Até 2050, espera-se que cerca de 6 bilhões de pessoas vivam nas cidades, o dobro do atual número, ou aproximadamente 80% da população mundial projetada nas próximas décadas. “As áreas urbanas necessitam de um manejo adequado de seus recursos hídricos para que se evitem conflitos com as necessidades em zonas agrícolas fora das cidades”, frisou o diretor do Instituto Internacional para Água em Estocolmo, Anders Berntell

Oportunidade com as Olimpíadas no Rio 

Antes de assumir o cargo de diretor da UN-Habitat no ano passado, Joan Clos, foi prefeito de Barcelona entre os anos de 1997 e 2006.  Ele também esteve envolvido diretamente com a preparação das Olimpíadas de 1992, que até hoje são consideradas como projeto que mudou a face de Barcelona. Conversamos com Clos a respeito das Olimpíadas que começam a ser prepadas no Rio de Janeiro e ocorrem em 2016. Veja vídeo abaixo

 

Links Externos:

Nações Unidas – Habitat 
Semana Mundial da Água – Estocolmo

 



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Olha que coisa mais … feia

Magda von Brixen
12.07.2011

Perplexidade. Tenho um filho indigenista vivendo em contato visceral com a Amazônia, e foi através dele que o Zé Castanheira entrou na minha casa um dia depois de sua morte. Vendo e ouvindo os dez minutos da sua fala mansa no TED x Amazônia – mais um Zé, brasileiro e vigoroso, contando sua emocionante história – me quedei muda. Assisti mais uma vez: o exemplo contundente de sustentabilidade, possível lá na floresta e a todos nós, sendo transmitido em palavras simples, sem demagogia ou xiitismo.

Ele mesmo transformava sua fonte – a castanheira viva – em óleo e outros derivados, mas preservando-a como a um caríssimo membro da sua família. “No meu próprio lote estou industrializando… Eu faço óleo de castanha de primeira qualidade, rico em selênio, bom pra todo tipo de comida, fritura, e se usa como óleo de oliva na salada. Do resíduo, que chama bagaço, se faz sorvete, biscoito, o que sua imaginação der pra comer… Isso já tá indo pro mercado aos poucos, o pessoal da universidade, da CPT (Comissão Pastoral da Terra) está me comprando direto este óleo, que além de ser bom pra comer é ótimo remédio, como vocês sabem: o selênio combate o câncer, agregando valor à floresta.”

Emocionante assisti-lo, dramático saber que pessoas assim estão sendo eliminadas sumariamente: simples, honesto, verdadeiro, espontâneo, calcado no script natural de quem vive coerente com o que diz, por isso mesmo flecha certeira em nossos corações e mentes. “Se o negócio tá preto, eu vou lá e tiro o cipó, faço dez cestos num dia, faço R$ 100,00; faço vinte cestos, R$ 200,00 (…) e ela (a floresta) tá lá, continua me dando, no dia que eu quero vou lá e apanho.”

Zé fazia o dever de casa, da floresta, do planeta: desenvolvimento sustentável, tema da grande conferência mundial que vai acontecer agorinha mesmo por aqui, na urbe carioca, a Rio+20, em 2012. Zé não vai mais fazer cestos, ouvir passarinhos, o balanço do vento nas castanheiras ou o estridente guincho da motosserra que cala a voz da floresta. “Ela é viável em pé. É uma coisa que você não agoa, você não bota adubo, você só tem o trabalho de ir buscar o que ela produz.”

Você que me lê, já ouviu o barulho de uma motosserra abaixo da sua janela e, em poucos segundos, o estrondo seco de uma árvore caindo? Pois é, eu já. “… Lá na minha pequena propriedade eu produzo óleo de castanha, manteiga de cupuaçu, polpa de cupuaçu, faço artesanato de cipó e em madeira. Agora, eu aproveito as madeiras que a natureza derruba, que a natureza põe no chão pra mim. E no lugar daquela que caiu, eu planto outra. Então, a floresta é sustentável, duas vezes mais em pé do que derrubada. Que quando você derruba, você só tem uma vez; e quando você deixa ela em pé, você tem ela para sempre.”

E a voz mansa do Zé acordou este barulho aqui dentro, reverberando uma memória recente – incomensurável distância entre os dois fatos em si, sua magnitude e consequências envolvidas; mas, em comum, a mesma insanidade voraz humana que não olha à frente nem para os lados, só o imediatismo de alguns poucos interesses espúrios.

16 de fevereiro de 2011, Ipanema, Rio de Janeiro.

O apartamento em que eu estava então morando na Rua Joaquim Nabuco tinha uma vista verde lindíssima de amendoeiras e uma outra espécie de árvore de copa imensa, que fazem parte do conhecido ‘corredor’ verde dos fundos da Joaquim Nabuco – ele se estende do Colégio São Paulo, no início da Av. Vieira Souto, ao prédio nº 240 da Rua Francisco Otaviano. O charme dos prédios desse local são justamente os apartamentos de fundos, pela vista verde que os separa do mar. Viveiro rico de bem-te-vis e outras tantas espécies de pássaros, famílias inteiras de micos ali vivem e se alimentam das sementes dessas árvores, produzindo uma festa diária aos olhos e ouvidos. Tudo isso em pleno bairro de Ipanema, sempre tão cantado apenas pela beleza e poesia da sua praia, das suas garotas.

Pois estava eu às 10h trabalhando no computador, de frente para este oásis, quando ouvi um barulho insistente de motosserra – achei que era mais uma obra na vizinhança. De repente, ouvi também um estrondo fortíssimo de árvore abatida e então pulei pra janela: uma das copas frondosas já era uma clareira para as janelas dos prédios nº 6 e nº 8 da Av. Vieira Souto, este último o abatedor das árvores, pois algumas delas estão no seu terreno de fundos. Da minha janela mesmo falei com um dos operários, que disse ser de uma empresa particular contratada para ‘limpar’ o excesso das copas etc. etc. Só que a ‘limpeza’ estava sendo feita cortando já a metade dos troncos de duas árvores – enquanto eu telefonava a amigos para saber o que fazer RÁPIDO, falando com o operário e, ao mesmo tempo, com meu porteiro pelo interfone, a motosserra era mais rápida ainda e já abatia a segunda copa. Os micos saltavam guinchando pra tudo que é canto e as aves voavam ruidosamente, com os bem-te-vis fazendo altos e inúteis protestos contra os céus. Vi, na minha frente, o desenho em microcosmo do que vai acontecendo por nossas matas e florestas. Impassíveis e com técnicas bem rudimentares, os operários iam em frente, balançando perigosamente em cordas que pendiam dos próprios galhos grossos que iam sendo abatidos.

No meu prédio ninguém sabia nem fazia nada, do porteiro ao síndico, que disse mesmo nada poder fazer porque as árvores pertenciam ao prédio vizinho. Não havia nem como aguardar a imprensa, porque a motosserra continuava eficiente seu trabalho a cada segundo e o resultado era irreversível!…

Telefonando para todas as instituições ligadas ao assunto, acabei descobrindo que havia o que fazer sim: acionei a PATRULHA AMBIENTAL, serviço do setor de Parques e Jardins da Prefeitura, e o caminho foi ágil e eficiente após dar o histórico e endereço do caso. Me atendeu Janaína, que rapidamente acionou um ‘patrulheiro’ já em trânsito ali por perto, Alexandre, que chegou com uma escolta policial e assim teve acesso aos porteiros e ao devido prédio depois. Facultei meu endereço para que ele pudesse fotografar o ‘abatedouro’ (antes fui até lá pegar o nº do edifício em questão para a denúncia, porque da Av. Vieira Souto não se percebia absolutamente nada, nem o barulho da motosserra…).

A motosserra parou na hora. Pude ver da minha janela a empresa se retirando. O primeiro round estava ganho, pois eles não tinham em seu poder a licença de poda, obrigatória no caso. No dia seguinte a Patrulha Ambiental me telefonou dizendo que o prédio conseguira a licença – e eles não podiam impedir a poda das árvores, somente monitorar se essa poda ficava nos limites do razoável, sem comprometer a sobrevivência das árvores. Alexandre voltou realmente à tardinha, segundo meu porteiro, para verificar o trabalho. Embora já tivessem cortado toda a copa de mais uma árvore no final da manhã e uma imensa clareira agora devassasse grande parte dos apartamentos de dois prédios, no lugar dos pássaros e micos que enchiam de paz nossos cansados olhos dos computadores, várias árvores de Ipanema, com certeza centenárias, foram então preservadas – pelo menos por enquanto.

“De nossa janela tínhamos uma bela vista arborizada que, por muito pouco, escapou de ser totalmente abatida pela sanha de uma motosserra. Ganhou-se uma batalha, mas não a guerra. Purificado pelas folhas de dadivosas amendoeiras e outras árvores centenárias, esse oásis faz parte do abençoado trecho que liga Copacabana a Ipanema – o Arpoador – e funciona como um verdadeiro pulmão da área. Ajudando a manter o ecossistema, serve de morada a pássaros, micos e outros bichinhos”, diz a proprietária do apartamento que eu então alugava, a médica Anna Saraiva, hoje moradora de Teresópolis – RJ e adepta de práticas agroecológicas – há três anos se dedica ao cultivo de plantas alimentícias e medicinais em área urbana, valendo-se da homeopatia nesse manejo.

Atualmente, para grandes podas (como esta), é necessário licença – quer dizer, é o caminho correto, muita gente não tira mesmo. Aí, se denunciado ao órgão competente, multam. O Parques e Jardins dá a relação de empresas credenciadas para fazer a poda dentro dos critérios corretos de preservação das espécies.

Para quem se interessar pelo histórico completo, o que consegui levantar é que a síndica do prédio nº 8 resolveu contratar o serviço para não correr o risco de ter que pagar indenização ao meu prédio, caso as árvores destruíssem o telhado da garagem pela queda de grandes galhos em temporais. Acontece que eu soube, por reunião de condôminos, que o telhado dessa garagem ia ser trocado em breve, pois estava realmente velho e podre. Ele é que precisava ser renovado, no lugar de retirar as copas de árvores que vão levar dezenas de anos para recuperar seu tamanho – se conseguirem! Através de alguns vizinhos mais antigos, também descobri que o ‘sonho’ do nosso síndico era justamente construir mais um andar de garagem (ela é térrea atualmente), e as copas das árvores dos prédios vizinhos, que avançavam pelo telhado da garagem, ‘atrapalhavam’!

O que resta é fazer pressão SIM, senão, aos pouquinhos, vão retirando as árvores de todo o espaço urbano com a desculpa de não comprometer o patrimônio construído; e vão construindo mais e mais garagens, na contramão de todo o bom senso e dos investimentos atuais que visam o equilíbrio do meio ambiente com o fator urbano, apontando para a crescente emergência do transporte alternativo: bicicletas, metrô, ônibus, de preferência nesta ordem…

Zé Claudio Castanheira se considerava filho da floresta. Emocionado, ele dizia: “essas árvores que tem na Amazônia são minhas irmãs. Quando eu vejo uma árvore dessas em cima de um caminhão indo para a serraria, me dá uma dor, é mesmo que eu estar vendo um cortejo fúnebre levando o ente mais querido que você tem, porque é vida, é vida pra mim que vivo na floresta, é vida pra todos vocês que vivem nos centros urbanos, porque ela está lá purificando o ar, ela está lá dando retorno pra nós…”.

Patrick Howlett-Martin, diplomata francês aqui no Rio, diz sobre o assunto: “Tive o mesmo problema no ano passado e não sabia a quem recorrer… são moradores, síndicos e porteiros que decidem cortar árvores sem o mínimo constrangimento. Tenho um pequeno apartamento na Rua Francisco Otaviano, no nº 240, que dá nesse corredor verde. Como, na época, o porteiro do prédio ao lado cortou árvores e grandes galhos do jardim dos fundos do edifício, fui averiguar quais as razões da mutilação de espécies tão sadias. Pois o estrago foi realizado por ele num domingo, cumprindo ordens do próprio síndico, que mandou cortar as árvores. ‘Coincidentemente’, em janeiro deste ano, durante uma reunião de condomínio no mesmo prédio, o síndico propôs fazer um estacionamento asfaltado no lugar do jardim, para isso tendo que cortar definitivamente as árvores centenárias do espaço. Tal proposta, felizmente, não obteve quorum e foi rechaçada, mas temo que o assunto não tenha sido enterrado de vez. É assustador…”.

Hoje, ao escrever este artigo, fui checar os telefones que, em fevereiro último, me apoiaram tanto no que considerei ser a minha responsabilidade – queria disponibilizá-los a todos. Com surpresa, os números diretos do Parques e Jardins, da Ouvidoria da Comlurb e, principalmente, da eficiente Patrulha Ambiental, foram todos substituídos e centralizados pelo número 1746, uma Central única da Prefeitura. Ao invés da atenciosa Janaína, entra o serviço eletrônico e você deve escolher a opção 3 – então uma atendente anotará sua denúncia, acionando a Patrulha Ambiental.

Quis localizar Alexandre, porque gostaria de entrevistá-lo. A atendente me forneceu o telefone da Secretaria de Meio Ambiente, à qual a equipe da Patrulha se reporta: (21)2976-3149. Ninguém atendeu a minhas inúmeras tentativas. Tomara que a eficiência do atendimento direto de quatro meses atrás não seja perdida e a Central atue com mais agilidade ainda, acionando os patrulheiros da vez.

Mas, me deu saudades da dupla Alexandre-Janaína…



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Dia do Meio Ambiente: confira o que vai rolar por aí

Luana Caires
04.06.2011

Pegue uma caneta e faça o seu roteiro. Atividade é o que não falta!; foto: Reprodução

Este domingo, 05/06, promete ser agitado: terá exposições, shows com grandes nomes da música nacional até oficinas de arte com sucata. Para você não fica fora dessa, ((o)) Eco preparou uma listinha com os destaques da programação de 6 grandes cidades brasileiras.

Belo Horizonte

Atividades culturais e  educacionais na capital mineira: No Parque das Mangabeiras, as crianças poderão aprender a reaproveitar materiais para criar jogos educativos e participar de atividades de recreação enquanto os adultos curtem  a exposição “Vida ao ar livre”, realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta). Os mais prendados poderão aprender a arte dos bordados e quem quiser curtir uma onda mais zen vai curtir a exposição de quadros da Organização Brahma Kumaris.

Já no parque Parque Municipal Américo Renné Giannetti, vão rolar oficinas de origami e de reutilização de sucatas, além de uma bela exposição de orquídeas e de fotos sobre a biodiversidade do parque.

Brasília

Quem gosta de música não vai perder as atrações musicais do Festival da Águas, na Concha Acústica (Lago Paranoá), com entrada franca. A partir das 10h os shows começam com Lado A, The Fingers, Hermes Prada e Som de Bob; a partir das 16h, no Palco Principal 1, é a vez de Zeca Baleiro, MV Bill, Pitty, CPM 22 e Banda H3 se apresentarem; e às 16h40 entram em cena os mineiros do Skank, seguidos das bandas NX Zero, Ponto de Equilíbrio e Planta e Raiz.

Também vale a pena curtir a 1ª exposição Oportunidades ambientais,  com 80 estandes. A mostra apresenta artesanatos de material reciclável, biojoias, ecoturismo, vermicompostagem, biscoitos artesanais, carro elétrico, bicicleta de bambu e muito mais.

E a galera do esporte terá a chance de se divertir com a maratona de canoagem, o Circuito Internacional de Jet Ski e apresentações de wakeboard, além das oficinas de skate, grafite e dança de rua.

Curitiba

Na capital paranaense, o domingo começa com o a exposição Safári dos Sentidos, no Museu Botânico de Curitiba. A exposição é direcionada aos deficientes visuais, que terão contato com animais taxidermizados do acervo do Museu de História Natural. Haverá placas em braile com nomes e curiosidades e sons dos animais.

No parque Barigui, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente vai expor uma embarcação carregada com entulho retirado de rios da capital. A intenção é mostrar o grave problema causado pelos resíduos sólidos lançados nos cursos fluviais. A exposição faz parte de um trabalho de mobilização social junto com o projeto Águas do Amanhã, do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCom). Quem for ao parque neste domingo ainda poderá participar de oficinas de reciclagem de lixo, gincanas e ajudar na coleta do lixo reciclável produzido no próprio parque.

E na segunda-feira, (6/06), começa a tradicional Feira do Meio Ambiente, na Rua XV de Novembro, com exposição de práticas de sustentabilidade.

Porto Alegre

Neste domingo, às 15h, tem apresentação do teatro de bonecos “A Incrível Descoberta da Natureza”, na Praça Júlio Mesquita (Rua General Salustiano, embaixo do Aeromóvel). Em caso de chuva, a atração será transferida para a Usina do Gasômetro. No mesmo horário, em frente ao Monumento do Expedicionário, o Conselho de Usuários do Parque Farroupilha promove a palestra Xadrez Ecológico e Meio Ambiente. A entrada é gratuita e dispensa inscrições.

A 27a Semana do Meio Ambiente de Porto Alegre continua até o dia 12 junho com atividades como passeio ciclístico interparques, palestra com o ex-deputado federal Fernando Gabeira, oficina de cultivo básico de orquídeas e muito mais.

Rio de Janeiro

Na capital carioca, a CEDAE vai comemorar a Semana Mundial do Meio Ambiente convidando os moradores do Rio a plantar uma árvore. A partir deste domingo até o dia 11/06, folders impressos em papel reciclado contendo uma semente de ipê amarelo serão distribuídos nos pedágios da Ponte Rio-Niterói e Via Lagos, no projeto Rio Academia em Copacabana e para as crianças que visitarem a Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu.

Quem visitar o Pão de Açúcar amanhã também vai sair de lá com a sua sementinha e poderá conferir uma exposição de fotografias que retrata paisagens naturais em pequenos planetas. A mostra estará aberta a todos os visitantes e poderá ser vista no Morro da Urca até o dia 12 de junho. O ingresso para o bondinho já inclui a visitação.

Salvador

Prepare a sua magrela, pois amanhã tem bicicletada às 7h30, saindo do Farol da Barra, seguida de uma série de atividades no Jardim de Alah. A Semana do Meio Ambiente soteropolitana continua até o dia 10 de junho com painel sobre mudanças climáticas, mini-curso de introdução ao direito ambiental na UFBA e muito mais.

 

Leia também:

Neste fim de semana tem Virada Sustentável em São Paulo



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Evento no Rio lança o livro verde dos negócios sustentáveis

Fabíola Ortiz
01.06.2011

"Cross Wind Bridge", a ponte que gera a energia da sua própria iluminação, foto: divulgação

O evento Rio Global Green Business reúne, até sexta-feira, na sede da FIRJAN, representantes de países como Inglaterra, Itália, México, Holanda, Japão, Chile e Argentina. Como forma de estimular as boas práticas no mundo, será lançado o Bright Green Book, o “Livro Verde do Século 21”, que apresenta 100 iniciativas que tiveram destaque, nos últimos dez anos, na contribuição para a virada em direção ao desenvolvimento sustentável, desenvolvidas por cidades ou empresas.

Nessa corrida em busca de alternativas para atrelar a sustentabilidade à economia as armas são inovação e tecnologia.

Destacam-se entre os projetos apresentados as casas de Bambu com micro-concreto do arquiteto brasileiro Alejandro Sartori, do Instituto do Bambu (UFAL), um tipo de estrutura leve e 30% mais barata; a iniciativa holandesa “WaveRoller”, de geração de energia a partir das ondas marítimas; e a criação do Green Investment Bank, na Inglaterra, um banco de investimento especializado em negócios sustentáveis. De Portugal veio a (já anglificada) “Cross-Wind Bridge”, criada pelos designers portugueses Tiago Barros e Jorge Pereira ), que aproveita o fluxo de carros por baixo dela para movimentar o ar e, com essa energia eólica, manter sua iluminação à noite.

Entre os desafios da transição está a rápida urbanização do mundo. São as cidades, por exemplo, que, de forma direta ou através do seu consumo, geram 70% do efeito estufa antropogênico. No entanto, elas também estão no centro das inovações verdes, defende Alain Grimard, o canadense que ocupa o cargo de representante regional da ONU-HABITAT, Programa da ONU para os Assentamentos Humanos. “Mais da metade da população mundial vive em centros urbanos. São as cidades as que mais emitem gases de efeito estufa, mas igualmente são capazes de mudar este panorama”, disse ele a ((o))eco.

Se todas as cidades pintassem as ruas e os tetos dos edifícios nas cores branca, amarela ou verde, ao invés de cores escuras, haveria uma redução de 1 a 2% do total do consumo de energia. “Apenas a imposição de uma regra como essa ajudaria a economizar milhões de dólares”, afirmou. Sozinha, a energia utilizada para iluminar edifícios residenciais e comerciais nas cidades responde a 25% das emissões de gases de efeito estufa, o dobro da contribuição do transporte, de 14% .

Estamos seguindo um caminho de uma urbanização verde? Grimard responde: “Isso não é utópico, é necessário”. A Europa está na frente, mas os EUA, a América do Sul e demais regiões do mundo terão que trilhar esse caminho. “Líderes locais e a sociedade civil devem se mover na direção das regulações e hábitos sustentáveis. Este é o futuro. Mesmo que alguns gestores não gostem disso, eles serão forçados”, argumentou o representante da ONU-HABITAT.



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Rio de Janeiro: Estado lança programa ambicioso de tratamento de esgoto

Fabíola Ortiz
21.04.2011

Baía de Guanabara, patrimônio natural e também esgoto da região metropolitana do RJ, foto: Alordelo

Em quatro anos o Rio de Janeiro quer dobrar o tratamento de esgoto produzido no estado, passando de cerca de 30% para 60%, além de por fim a todos os lixões até 2014. Estas são as metas do Pacto pelo Saneamento, assinado nesta segunda-feira (18), pelo governador Sérgio Cabral. Contudo, a ausência de mecanismos de controle social das obras pode por em xeque a  sua concretização, analisa o ambientalista Vilmar Berna, reconhecido pelas Nações Unidas com o Prêmio Global 500 para o Meio Ambiente, em 1999, no Japão.

Atualmente, 33% do esgoto produzido no estado é tratado e, segundo informações oficiais, para chegar a esse patamar, foram necessários 30 anos de trabalho. A meta do Pacto pelo Saneamento é ousada porque pretende duplicar esse volume de tratamento em apenas quatro anos.

O programa é composto por dois pilares: o Rio + Limpo, que enfatiza a coleta e tratamento de esgoto, e o Lixão Zero, que prevê a construção de aterros sanitários e remediação de lixões. Existem hoje 46 lixões abastecidos legalmente pelas prefeituras do estado do Rio e ainda outras dezenas de lixões clandestinos.

“É uma questão complexa, um desafio que o governo está propondo e é importante que seja feito. O governo está fazendo uma promessa em cima de dados, metas e com investimentos de recursos. Qualquer ação precisa começar por aí, os nossos políticos anunciam, viram notícia, mas depois a gente vê que não mudou na realidade”, disse a ((o))eco Vilmar Berna, que vive em Jurujuba, na cidade de Niterói, de frente para a Baía de Guanabara, numa comunidade de pescadores artesanais.

Esta não seria a primeira vez que projetos de grande porte foram esquecidos ou abandonados no tempo. É o exemplo do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG) que já tem mais de 15 anos e na prática “a gente vê que foi um desastre”, criticou. Este foi um dos projetos que não deu certo. Vilmar lembra outro projeto de erradicação dos lixões com o Programa Estadual de Controle do Lixo Urbano, Pró-Lixo, no período do governo de Anthony Garotinho (de 1999 a 2002) que também não surtiu efeito. “Os lixões estão aí e mais ativos do que nunca. E o dinheiro foi jogado pelo ralo”, alega Vilmar.

Com um investimento de cerca de R$ 5 bilhões, o Pacto pelo Saneamento ficará sob comando da Secretaria de Estado do Ambiente em parceria com a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) e dos municípios. Segundo comunicado divulgado pelo governo do Estado, “o decreto possibilitará a criação de instrumentos efetivos para que haja uma redução importante da poluição nos rios, baías e lagoas”.

A execução do projeto será feita a partir de recursos provenientes do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam), do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fundrhi), além de investimentos federais e de uma porção da iniciativa privada.

“Eu aplaudo essa vontade de fazer, mas é apenas uma vontade. Cada salvador da pátria que chega ao governo faz promessas de fazer em quatro anos o que não se fez em 400. Para que isso se torne realidade, vai ter muito trabalho pela frente. É preciso verificar se há a proposta de mecanismos de controle da sociedade para acompanhar a implementação”, afirma Vilmar.

No pacto, o ambientalista é crítico justamente por notar a ausência destes mecanismos de controle das obras. “A nossa cidade é partida, tem o asfalto, a parte urbanizada e a não urbanizada da cidade onde estão as comunidades de baixa renda. Tem que haver mecanismos de controle nas comunidades pobres, como uma forma de auditar as obras. Se não houver, o pacto é assinado, mas ninguém quer que ele seja fiscalizado”, argumentou.

Ele analisa que as políticas públicas são reflexo da “fase embrionária” que vive a democracia brasileira. “O político é um reflexo da sociedade e não há políticas para os lixões, só promessas. A nossa visão nos separa da natureza que é usada como armazém de recursos. Em vez de repensar o seu consumo e reduzir a produção de lixo, o cidadão que paga imposto e joga a lata de refrigerante no lixo, só quer saber onde isso vai ser jogado”, completa.



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Reduzindo o espaço dos carros, de NY para o Rio de Janeiro

Fabíola Ortiz
24.03.2011

Avenida Rio Branco, antiga Av. Central, 1930. Foto: Peter von Fuss

 

(continuação de Times Square, Nova York: adeus carros, alô pedestres)

 

A exemplo do que foi feito em Nova York, o centro do Rio de Janeiro poderia implantar um sistema parecido. “Me parece que o exemplo da Times Square poderia ser aplicado para a Avenida Rio Branco para aumentar o espaço do pedestre”, diz José Moulin Netto, vice-presidente do  Green Building Council Brasil. Em Nova York, um estudo mostrou que o terço de pessoas que estão nos carros e ônibus ocupam dois terços da via e o que sobra de calçada está sempre lotado. É capaz de chegarmos à mesma conclusão aqui no Rio, especula Moulin. “É parecido com o que a gente experimenta na Av. Rio Branco. Sou propenso a aceitar o seu fechamento total ou parcial”.

No centro do Rio, algumas ruas históricas próximas à Praça XV e ruas estreitas transversais à Rio Branco como a Rua do Ouvidor, já se tornaram ruas exclusivas de pedestre. Mas o desafio será bloquear a Rio Branco, antiga Av. Central e marca da reforma urbana empreendida no início do século XX pelo então prefeito Pereira Passos. A avenida continua sendo uma das principais artérias do Centro, ligando a Praça Mauá, no porto, à Cinelândia. Nos seus 1.800 metros de extensão por 33 de largura circulam quase dois mil ônibus todos os dias

De acordo com o projeto Rio Verde, da prefeitura, o plano é fechar a Avenida Rio Branco e adjacências para carros e ônibus e transformar esse conjunto num enorme parque urbanístico com dois milhões de metros quadrados, compreendido entre o quadrilátero das avenidas Rio Branco — desde a Presidente Vargas –, Av. Passos, Beira Mar, Presidente Antônio Carlos, República do Paraguai e Rua 1º de Março. Para testar o plano, já foi feito uma experiência no dia 26 de junho de 2010, um sábado.

Dados da prefeitura indicam que cerca de 36% dos gases tóxicos que poluem a Rio Branco provém de ônibus e carros. O fechamento melhoraria a qualidade do ar e transformaria a via num enorme calçadão de pedestres, com chafarizes, quiosques, arborização e mobiliário urbano especial. As linhas de ônibus seriam remanejadas. Haveria uma redução de 70% da frota e, em complemento, seria adotado o transporte com veículos elétricos de grande porte.

Para reduzir o fluxo diário de carros no centro, uma das soluções possíveis é a adoção do pedágio urbano: cobrança de tarifa para quem quiser usar um veículo privado na região. “Eu pessoalmente acho muito boa a ideia de pedágio urbano. A gente tem que, de alguma maneira, penalizar o transporte individual em automóvel e promover e valorizar o transporte coletivo”, disse Moulin.

Mas não é fácil aprovar tal medida. Até mesmo em São Paulo, a maior metrópole da América Latina, onde a necessidade de melhorar a mobilidade de 6,5 milhões de automóveis é urgente, criar um imposto sobre a circulação de carros enfrenta “dificuldades homéricas”.

 



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Um porto mais verde e articulado para o Rio

Fabíola Ortiz
14.03.2011

Ilustração do pier Mauá, parte do projeto de revitalização do porto, fonte: divulgação

O projeto Porto Maravilha faz parte da iniciativa de revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro, seguindo a tendência de outras cidades no mundo que também repensaram essas áreas, como o caso de Porto Madero, em Buenos Aires, e do Porto de Barcelona. Além de fazer com que a região volte a ser atraente para moradia e negócios, o desafio do projeto será introduzir elementos de sustentabilidade. Com uma previsão de investimentos públicos e privados somando R$ 7,6 bilhões, promete mudar a paisagem degradada da região até as Olimpíadas de 2016. As reformas incluem a construção de 17 quilômetros de ciclovias e a demolição de parte do Elevado da Perimetral, que liga o bairro do Caju à região da Praça XV, no centro.

“A operação urbana Porto Maravilha reconhece que há uma vasta área de um milhão de metros quadrados subutilizada, e prevê o seu adensamento conciliando preservação com modernização”, explica Alberto Gomes Silva, assessor especial da presidência da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP), criada pela Prefeitura para coordenar a implantação do projeto.

“Vai haver uma valorização do transporte coletivo com implantação dos BRTs (Bus Rapid Transit, na sigla em inglês), mas a quantidade de ônibus também vai diminuir por que haverá um sistema de bonde elétrico, o veículo leve sobre trilhos, que vai interligar o tráfego dentro da região portuária”, detalha. Para completar, o transporte pesado de carga será banido da região. O resultado deve ser a queda dos níveis de poluição sonora e do ar.

 

Vista panorâmica do projeto, fonte: divulgação

O projeto de revitalização também envolve os bairros vizinhos da Saúde, Santo Cristo e Gamboa. No início do século XX, eles faziam parte do coração da cidade, mas, hoje, estão decadentes. Na área, vivem 25 mil moradores, segundo o IBGE. Com a revitalização, em um prazo de 10 anos, a expectativa é atrair outros 100 mil. “A tendência é adensar, ter mais gente morando e trabalhando na região. E que lá vivam pessoas de todas as camadas sociais. Não só de habitação de interesse social, mas que haja empreendimentos para classe média e alta. A gente quer justamente evitar o que ocorreu na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio), que, com condomínios de alta renda, virou um arquipélago de segregação”, argumenta Silva.

A área receberá arborização e paisagismo. Atualmente, a região do porto tem algo em torno de 2,5% de área verde. Essa porcentagem vai saltar para 10,5% com o plantio de 15 mil árvores. O que se quer é evitar o que ocorreu na Av Rio Branco, importante via de escoamento do centro: um paredão de prédios sem iluminação ou ventilação natural. Os edifícios serão altos mas espaçados. Eles poderão ter de 10 a 30 andares na Praça Mauá e até 50 andares na Avenida Francisco Bicalho, desde que cumpram a legislação de pelos menos 30 metros de afastamento. A justificativa para as torres altíssimas é esse ganho de espaço entre elas. As quadras serão menores e nos espaços abertos haverá jardins, pequenas praças e locais de convivência. Espera-se que ocorra uma mistura de uso residencial e comercial. As próprias edificações terão que incorporar elementos sustentáveis. “É lei que os edifícios deverão usar material certificado, tecnologia de baixo consumo de energia e fazer reutilização de água de chuva e daquela usada no próprio edifício. Pretendemos criar um regulamento para certificação de edifícios sustentáveis no Rio. Nós vamos amadurecer isso ao longo desse ano”, diz Silva.

O período de obras e de reforma completa do porto tem prazo, os Jogos Olímpicos de 2016, mas a população já começará a viver as mudanças no final de 2015. Se tudo der certo começará um círculo virtuoso na região; a partir de melhor infraestrutura, do aumento da população e da atividade econômica. Tudo isso, embalado por mais verde e diretrizes sustentáveis de urbanização.

 

Abaixo, explore o mapa (aproximado) da região portuária do Rio de Janeiro e veja coleção de fotos aqui.


Visualizar Região Portuária Rio de Janeiro em um mapa maior

 



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Lixo, o campeão ao contrário do carnaval carioca

Eduardo Pegurier
07.03.2011

Bloco das Carmelitas em Santa Teresa, até agora, campeão do lixo - foto: veredaestreita

2ª feira, 7 de março

No Rio de Janeiro, a cada ano os blocos de rua ganham mais força, mas parece que a celebração da alegria e da descontração confunde liberdade com sujeira. Nesse campeonato ao avesso, onde ganha (perdendo) quem deixa a maior quantidade de lixo, segundo o Jornal do Brasil, até sábado, estava na frente o bloco das Carmelitas, de Santa Teresa, com 2,5 toneladas recolhidas pela Comlurb. Em segundo lugar ficou o Vem ni mim que sou facinha, de Ipanema, que deixou para trás 2,2 toneladas. Seguiu o Embaixadores da Cidade Maravilhosa, Lapa, com 1,5 toneladas. Bem que a irreverência podia ficar apenas para os nomes de bloco e fantasias engraçadas…

 

4ª feira, 9 de março – atualização

Segunda as últimas notícias, o Carmelitas perdeu fácil a liderança. O bloco Quizomba, da Lapa, gerou 4,4 toneladas de lixo. Mesmo assim, perdeu para a dupla Bangalafumenga, Jardim Botânico, e Simpatia é quase amor, Ipanema. Os dois juntos, diz a Comlurb geraram 12 toneladas de lixo, ou uma média de 6 toneladas para cada um. Ganharam o campeonato do Ao contrário do que deveria ser.



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