O purificador de água que funciona com plasma

Fernando Espósito
31.08.2011

O purificador chileno que promete uma revolução, foto: eSustentable

Um dispositivo de baixo custo, seguro e que purificasse as águas mais contaminadas que existem, tornaria o mundo um lugar melhor. Ainda mais se pudesse ser mantido pela mesma comunidade que o utiliza e desse vazão à sua necessidade de consumo.

Ele existe. Foi desenvolvido por um designer industrial, juntamente à sua equipe de técnicos e cientistas. O dispositivo consegue purificar 2 mil litros de água contaminada a cada 24 horas, e só consome 100 watts/h de energia por 35 litros de água limpa em 5 minutos.

Os primeiros beneficiários deste inovador sistema serão 19 famílias chilenas pobres, integrantes do assentamento Fundo San José de Cerrillos, na cidade de Santiago. Lançado no assentamento na semana passada (23 de agosto), esse projeto original e de alto impacto foi desenvolvido no Chile e promete salvar vidas.

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O purificador funciona com tecnologia a base de plasma, que elimina os germes e bactérias da água contaminada e proporciona provisão contínua de água limpa e potável.

O plasma corresponde ao quarto estado físico da matéria. Alfredo Zolezzi, designer industrial egresso da Pontifícia Universidade Católica de Valparaíso, e diretor do Centro de Inovação Avançada de Viña del Mar, explica como funciona o dispositivo: “O que fizemos foi captar a água contaminada, que pode vir de qualquer fonte, e fazê-la passar por um dispositivo pequeno, de 23 centímetros, que aumenta a sua pressão, transformando-a de líquido a um fluido semi gasoso com características que nos permitem, com uma descarga elétrica, transformá-lo em plasma. Ionizam-se os gases e produz-se o plasma, que é estável. Isso facilita que a água alcance uma velocidade  altíssima. Quando volta a desacelerar, a água sai o dispositivo de novo em estado líquido. No processo, todo agente microbiológico morre, inclusive o transmissor da cólera. O resultado é água potável, segura para ser tomada.”

Zolezzi destaca que o invento nasceu da intenção explícita de usar recursos tecnológicos e científicos para reduzir pobreza. O projeto nasceu de uma parceria com a fundação “Un Techo Para Chile” (Um Teto para Chile) – instituição que luta para extinguir os assentamentos precários, transformando-os em bairros sustentáveis, com famílias integradas à sociedade

Este “milagre sócio-tecnológico” não só ajudará os chilenos, como poderá ser uma solução real para salvar as 6.000 vidas das crianças que morrem diariamente no mundo, por doenças associadas ao consumo de águas contaminadas, ou devido à sua escassez.

 

*Fernando Espósito é arquiteto e professor da PUCV Valparaiso, Chile

 

Saiba Mais:

Veoverde

Un Techo Para Chile

Purificación de Agua con Plasma, Innovación Social Disruptiva en Chile



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Chile: mão na massa pelas áreas verdes

Fernando Espósito
22.11.2010


É possível uma cidade onde os habitantes, além de usuários, sejam os criadores, construtores e administradores dos seus espaços públicos?

Sim, foi isto o que a fundação chilena Mi Parque (Meu Parque) compreendeu, rompendo com a indiferença e a falta de compromisso dos próprios habitantes em relação a seus lugares de convivência. Para alcançar esse objetivo, ela fomenta iniciativas em espaços públicos degradados, trabalhando estratégias de participação cidadã: os próprios moradores se engajam no projeto, gestão e recuperação desses espaços.

Uma das situações que desiludem os cidadãos frente ao poder público é quando solicitam algo de que necessitam, e tal coisa acaba mal implementada, resultando no contrário do que imaginavam. Um bom exemplo são as chamadas áreas verdes, sobretudo aquelas localizadas em bairros de baixa renda. Em geral, são na verdade áreas cinza, de aspecto sombrio, onde as únicas cores são as trazidas pela sujeira e dejetos, transformando-as em “terra de ninguém”, lugares marginais a poucos passos das casas dos moradores. Abandonados à sorte, ao invés de criar oportunidades de lazer, esses espaços contribuem para piorar a qualidade de vida dos cidadãos.

A Mi Parque surgiu em outubro de 2007 com o intuito de criar ou melhorar os espaços verdes dessas zonas socialmente vulneráveis. Com o slogan “Suje suas mãos pelas áreas verdes”, a fundação propõe um novo olhar sobre estes locais descuidados, onde a dignidade das pessoas passe a ser também estendida ao entorno das suas residências. Cada família participante no projeto, por exemplo, pode apadrinhar e inclusive batizar uma árvore, e costuma-se trabalhar o paisagismo com espécies de baixo consumo hídrico e adequadas para o tipo de clima.

Essas iniciativas reforçam o espírito comunitário e criam oportunidades para aprender alguma habilidade nova. As pessoas se apropriam dos espaços esquecidos e os enriquecem plantando árvores e construindo o mobiliário urbano com materiais reciclados de demolições ou doações de empresas.

O sucesso da fundação depende de parcerias público–privadas que destinam recursos para as comunidades mais necessitadas. As empresas podem apadrinhar uma praça, aportar os recursos para a jornada de trabalho de construção de benfeitorias ou de plantação de árvores. Além disso, qualquer um pode fazer doações mensais de 1 m2 de área verde, que custa $10.000 pesos chilenos (aproximadamente R$ 40,00), depositando o dinheiro na conta corrente da fundação ou trabalhando como voluntário. Com os recursos que consegue captar, A Mi Parque também disponibiliza as ferramentas necessárias para a realização dos projetos. Mas seu grande êxito é envolver a vizinhança ativa na melhoria dos parques e fazê-los se sentir responsáveis pelo seu destino.

* Fernando Espósito é arquiteto e professor da PUCV Valparaiso, Chile.



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