Três mitos sobre alimentos orgânicos

Luana Caires
21.07.2011

Nem tudo que é orgânico é bom para você, foto: London Permaculture

O consumo de produtos orgânicos está em alta. Apesar de, via de regra, serem bem mais caros do que os alimentos cultivados de forma tradicional, estima-se que nos últimos anos a venda de orgânicos certificados no mundo todo tenha saltado para cerca de 52 bilhões de dólares. Só no Brasil, esse setor faturou 350 milhões de reais em 2010, ou 40% a mais do que no ano anterior, segundo dados da ONG Organics Brasil.Cada vez mais as pessoas estão optando pelo que consideram hábitos mais sustentáveis e saudáveis.

Porém, na opinião de Christie Wilcox, autora do blog Science Sushi da revista Scientific American, há excessos na defesa dos orgânicos. Ela elogia as suas vantangens como evitar a monocultura, promovendo a rotação de solo cultivado e plantações mistas. Mas ataca o que considera 3 mitos sobre eles:

 

1. Fazendas orgânicas não usam pesticidas

Quando a Soil Associantion – organização inglesa que difunde o cultivo e consumo de alimentos produzidos de forma sustentável – fez uma pesquisa sobre o motivo que levava os britânicos a comprar produtos orgânicos, 95% dos participantes responderam que pretendiam evitar o contato com agrotóxicos. No entanto, a principal diferença entre a produção orgânica e a tradicional não é o uso de pesticidas, mas a origem dos pesticidas utilizados.

Enquanto a agricultura tradicional usa agrotóxicos sintéticos, a orgânica utiliza toxinas derivadas de fontes naturais. É comum a ideia de que substâncias encontradas na natureza são, de alguma maneira, menos agressivas ao meio ambiente do que aquelas criadas pelo homem. Porém, as pesquisas científicas mostram que os pesticidas naturais também podem prejudicar a saúde.

A Rotenona, por exemplo, foi usada na agricultura convencional e na orgânica por décadas até que pesquisadores concluíram que a exposição a essa substância está relacionada ao desenvolvimento da doença de Parkinson e tem potencial para provocar a morte de várias espécies, inclusive dos humanos. Com isso, a utilização da Rotenona como pesticida foi proibida nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, a substância pode ser utilizada somente mediante autorização do órgãos reguladores responsáveis.

É preciso estar atento ao fato de que, mesmo que você consuma produtos cultivados sem qualquer tipo de pesticidas, isso não significa que sua saúde esteja completamente livre de riscos, pois os alimentos orgânicos tendem a ter níveis mais altos de agentes patogênicos. Um estudo realizado nos Estados Unidos encontrou E. Coli na produção de 10% das amostras vindas de fazendas orgânicas, enquanto apenas 2% daquelas vindas das culturas convencionais apresentaram a bactéria.  Isso porque uma parte dos produtores orgânicos utilizam o esterco como adubo, o que pode facilitar a contaminação.

No fim das contas, os orgânicos também dependem das condições em que são cultivados. Os métodos utilizados nas fazendas orgânicas variam muito de local para local — algumas delas não utilizam nem mesmo pesticidas naturais. Portanto, é importante escolher com cuidado o fornecedor dos seus alimentos, sejam eles orgânicos ou não.

2. Alimentos orgânicos são mais saudáveis.

Algumas pessoas acreditam que, por não usar químicos sintéticos, o plantio orgânico produz alimentos mais nutritivos e saudáveis. No entanto, os estudos científicos ainda não encontraram evidências de que isso seja verdade – e cientistas têm pesquisado sobre essa hipótese por mais de 50 anos.

Um estudo recente realizado no Reino Unido revisou sistematicamente 162 artigos publicados entre 1958 e 2008 que comparavam produtos orgânicos e não-orgânicos, mas não foi encontrada nenhuma diferença na concentração de 15 nutrientes, entre eles a vitamina C, o betacaroteno e o cálcio. Os pesquisadores constataram que alimentos convencionais apresentavam níveis maiores de nitrogênio, enquanto os orgânicos apresentavam mais fósforo e eram mais ácidos – fatores que não influem em sua qualidade nutricional.

Outra análise, desta vez feita com produtos de origem animal, como carne, laticínios e ovos, encontrou poucas diferenças no conteúdo nutricional desses alimentos. Os orgânicos, porém, apresentaram níveis mais altos de gordura, principalmente de gordura trans.

3. O cultivo orgânico é melhor para o meio ambiente

Esse tipo de agricultura tem vantagens, como o fato de não utilizar pesticidas sintéticos, mas isso não quer dizer que, apesar dessa característica, não possam ser prejudiciais ao meio ambiente.

Os produtores orgânicos, como regra, não aceitam os transgênicos, embora eles tenham o potencial de reduzir o uso de pesticidas e aumentar a produtividade das plantações e o valor nutricional dos alimentos – exatamente o que o cultivo orgânico procura fazer. No entanto, apesar de rejeitar os transgênicos, boa parte dos produtores de orgânicos recorre a artifícios como a aplicação de Bacillus thuringiensis (proteína de uma bactéria encontrada no solo) como inseticida. Essa é a mesma substância produzida por algumas das plantas geneticamente modificadas, com a vantagem de que, quando é produzida pela própria planta, a toxina não contamina o solo nem as reservas de água próximas às áreas de cultivo.

Mas o principal motivo pelo qual a agricultura orgânica não é mais verde do que a convencional é porque suas fazendas têm uma fração da produtividade daquelas que usam métodos industriais. Se o mundo decidisse produzir apenas alimentos orgânicos na mesma extensão de terra tomada hoje pela agricultura, o número de pessoas famintas poderia saltar de cerca de 800 milhões para 1,3 bilhão. Portanto, seria necessário aumentar a quantidade de terra utilizada pela agricultura e, para isso, avançar sobre habitats atualmente intocados.


Wilcox conclui que nessa seara as coisas não são preto no branco. Nem tudo o que é considerado orgânico é bom para o consumidor ou para o meio ambiente. Isso não condena a agricultura orgânica. Por tentar minimizar o uso de pesticidas e adubos sintéticos, pode ser que a longo prazo ela seja o caminho para a agricultura sustentável. Mas é importante poder questioná-la e mostrar suas falhas. 

 

Via: Scientific American

 

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10 plantas que ajudam a melhorar a qualidade do ar

Luana Caires
15.07.2011

A gérbera reduz a concentração de benzeno, que pode aumentar o risco de leucemia, foto: TheBees

Você sabia que mesmo dentro casa não estamos a salvo da poluição do ar? Como os habitantes de países industrializados costumam passar de 80 a 90% do seu tempo em ambientes fechados, a poluição de interiores é considerada um dos maiores riscos do mundo à saúde pública. Mas existem algumas maneiras de minimizar o problema. Além de dar preferência  ao uso de tintas formuladas com matéria-prima natural, evitar produtos de limpeza que contenham compostos orgânicos voláteis (COV) e manter os dutos da ventilação ou do aquecimento bem limpos, você pode recorrer à ajuda de  plantas domésticas, pois existem algumas variedades que agem como purificadores naturais do ambiente. Elas não apenas convertem o dióxido de carbono em oxigênio, mas também removem da atmosfera elementos prejudiciais como o ozônio, o benzeno e o formaldeído. Confira abaixo algumas dicas de espécies que podem melhorar a qualidade do ar da sua residência:

Gérbera

Essa simpática flor é muito eficiente na remoção de tricloroetileno, substância cancerígena utilizada como solvente nos processos de lavagem a seco. Ela também pode ser usada para reduzir a concentração do benzeno, que pode aumentar os riscos de desenvolvimento de leucemia. Coloque um vaso dessa planta no seu quarto ou na sua lavanderia, desde que esses cômodos sejam bastante iluminados.

Clorofito

Ele sobrevive até aos donos mais relapsos. Também conhecido como gravatinha, o clorofito combate o benzeno, o formaldeído, o monóxido de carbono e o xileno, comum em solventes e outros produtos químicos.

O clorofito sobrevive até aos donos mais relapsos, foto: Istvan

Lírio da Paz

Tudo o que essa planta precisa para florescer é de um local com pouca ventilação e de uma boa sombra. De acordo com um estudo da Nasa, os lírios da paz são muito eficientes na eliminação dos três gases voláteis mais comuns – formaldeído, benzeno e tricloroetileno – e também combatem o tolueno, que quando inalado em pequenas quantidades pode causar cansaço, confusão mental, debilidade, perda da memória e náusea, e o xileno.

Dracena-de-Madagascar

Além de ser fácil de manter, a dracena pode ser utilizada para a remoção de tricloroetileno, xileno e formaldeído, substância que pode causar irritação dos olhos, nariz, garganta e pele. Pesquisas recentes relacionam a longa exposição a esse composto com o aumento da chance de desenvolvimento de esclerose múltipla.

Lírio-Amarelo

Ele absorve o monóxido de carbono, gás tóxico que pode provocar alteração na pressão sanguínea e sensação de sufocamento. É ideal para jardins, sacadas ou varandas.

Hera

Um estudo apontou que ela reduz a concentração de partículas de material fecal e de mofo no ar. O melhor local para manter essa planta é o quintal, mas lembre-se de colocá-la fora do alcance de crianças ou animais para evitar a ingestão acidental de suas folhas, que são tóxicas para o organismo.

A jiboia – verde mesmo sem sol , foto: FloresyPlantas

Crisântemo

Sua mãe podia até não saber, mas aquelas flores coloridas que ela mantinha em casa tinham uma outra função além de decorar o ambiente. Elas são ótimas para eliminar o benzeno.

Azaléa

Ela é uma boa opção para combater o formaldeído de fontes como a madeira compensada ou espumas isolantes e também é ótima para camuflar o odor forte do amoníaco. Uma dica é colocar um vasinho com essa flor no seu banheiro.

Jiboia

Essa é outra planta poderosa contra o formaldeído.  Uma opção é manter a jiboia –também conhecida como hera-do-diabo – na sua garagem, ainda que ela for coberta. Essa espécie se mantém verde mesmo na ausência de luz.

Babosa

Ela ajuda e eliminar o formaldeído e o benzeno, mas essa não é a única vantagem de se ter uma babosa em casa. O gel encontrado dentro de suas folhas pode ser aproveitado para aliviar cortes e queimaduras e para tratamentos estéticos. Se sua cozinha for bem iluminada, escolha um cantinho próximo à janela para cultivar essa planta.

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Surto de E. Coli na Alemanha e os riscos dos vegetais crus

Luana Caires
13.06.2011

Broto de feijão: o mocinho que virou bandido, foto: Charles Haynes

Quem acompanhou as notícias do surto causado por uma variante de alta letalidade da bactéria E. Coli, responsável pela morte de 35 pessoas, deve ter começado a olhar para a sua saladinha com certa desconfiança. Afinal, segundo as autoridades alemãs, inocentes brotos de feijão foram a fonte mais provável da contaminação – aqueles raminhos populares entre as pessoas que se preocupam com uma dieta saudável. No Brasil, a boa notícia é que não há indício da chegada da tal variante O104:H4 da bactéria, de acordo com as investigações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Porém, a crise levantou um questão mais abrangente: qual é o risco de contaminação quando ingerimos frutas, verduras e legumes crus?

Quando comemos salada confiamos na eficiência da vigilância sanitária sobre uma longa cadeia de fazendeiros, empacotadores, transportadores e mercados para garantir que nossos vegetais estão livres de germes. Cada garfada é um voto extraordinário de confiança nos sistemas de produção e distribuição de alimentos que trazem os verdinhos ao nosso prato. Entretanto, como milhares de alemães descobriram esse mês, uma porção azarada pode demonstrar que essa confiança é equivocada.

Se eles estiverem contaminados por algum microorganismo, é possível contrair uma Doença Transmitida por Alimentos (DTA). Os sintomas mais comuns desse tipo de enfermidade são falta de apetite, náuseas, vômitos, diarréia, dores abdominais e febre­ – dependendo do agente etiológico. Também podem ocorrer problemas em diferentes órgãos e sistemas, como no fígado (Hepatite A), terminações nervosas periféricas (Botulismo), má formação congênita (Toxoplasmose), dentre outros.

No Brasil, a maioria das DTAs são causadas pela Salmonella, Escherichia coli patogênica e Clostridium perfringens. Como essas bactérias são comuns nos intestinos de animais e humanos, a contaminação pode se dar pelo contato das fezes desses hospedeiros com a água ou diretamente com os alimentos, seja pela utilização de dejetos animais como adubo, por falta de higiene durante o armazenamento, transporte ou lavagem do produto, ou pelas condições do local produtor, que pode ter uma reserva de água contaminada em área próxima à produção e entrar em contato com os vegetais no caso de um período de chuvas fortes, por exemplo.

Como no início os alemães acharam que a culpa do surto era de pepinos orgânicos produzidos na Espanha, é importante dizer que a suscetibilidade à contaminação tanto das formas de cultivo orgânica quanto das convencionais é a mesma. “Os pesticidas utilizados na agricultura não matam essas bactérias, que se multiplicam sobretudo no período pós-colheita, por causa de condições inadequadas de higiene na lavagem dos legumes, depois consumidos crus”, afirma o engenheiro agrônomo e fiscal federal do Ministério da Agricultura, Marcelo Laurino, coordenador da CPOrg-SP (Câmara Setorial de Agricultura Orgânica de São Paulo). Laurino destaca que caso aconteça algum problema sanitário em vegetais orgânicos é possível rastreá-lo todo o caminho que fizeram, da semente até o consumidor. “A produção orgânica é obrigatoriamente rastreada, senão o produtor não consegue certificá-la como tal”, explica.

Dados epidemiológicos do Ministério da Saúde apontam que 45% das contaminações por doenças transmitidas por alimentos ocorrem dentro das casas dos brasileiros e estão associadas principalmente ao manuseio incorreto e à conservação inadequada de alimentos. Veja a seguir como se prevenir contra as DTAs:

  • Lave as mãos regularmente
  • Fique atento à procedência dos alimentos que consome e só beba líquidos pasteurizados ou filtrados
  • Evite alimentos crus. Um cozimento adequado, a uma temperatura acima de 70ºC, consegue matar quase todos os micróbios presentes nos alimentos. Para ter certeza do cozimento completo, principalmente em carnes bovinas e de frangos, deve ser verificada a mudança da cor e textura na parte interna do alimento.
  • É preciso lembrar que em condições ideais, uma única bactéria pode se multiplicar em 130 mil em apenas seis horas. Uma temperatura abaixo dos 5ºC ou acima dos 60ºC retarda essa multiplicação. Por isso, alimentos cozidos não podem ficar por mais de duas horas à temperatura ambiente, os alimentos perecíveis devem ser refrigerados e os cozidos permanecer quentes até o momento de serem servidos
  • Evite a contaminação cruzada! Separe carnes, peixes e ovos crus de outros alimentos, utilize utensílios diferentes, como facas ou tábuas de corte, para alimentos crus e para os cozidos e lave bem os as mãos depois de manipulá-los.

 

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This: a escova de dentes biodegradável que veio do Oriente

Luana Caires
27.05.2011

Que tal usar uma escova de dentes 100% natural?, foto: Leen Sadder

Que tal trocar a escova dental de plástico por uma feita a partir de uma matéria-prima natural? Pois a designer libanesa Leen Sadder redesenhou uma escova que é exatamente assim: ela é biodegradável e dispensa o uso de pasta de dente. Só não se assuste com a sua aparência incomum: a This nada mais é do que um Miswak – um galhinho da árvore salvadora pérsica popular como instrumento de higiene bucal no  Oriente Médio, no Paquistão e na Índia.

A prática é antiga, mas coube a Sadder redesenhá-la e torná-la um produto para o consumidor ocidental, já que poucas pessoas se animariam com o metódo, para fazer a ponta, de ter que arrancar um pedaço do galho a mordidas depois de cada uso. Por isso, ela criou uma embalagem atraente com uma tampa semelhante a um cortador de charuto. Na hora de escovar os dentes, basta girar a tampa cortante sobre o galho, arrancar a casca protetora e liberar as cerdas com os dedos. Depois é só escovar os dentes normalmente e cortar, após o uso, as cerdas já utilizadas.

 

Sadder criou uma tampa semelhante a um cortador de charuto, foto: Leen Sadder

 

O Miswak é tão eficiente quanto outros produtos de higiene bucal. Sua ação pode ser comparada a desinfetantes como o triclosan e o gluconato de clorexidina, pois suas cerdas possuem propriedades antimicrobianas, limpam a boca e evitam o mau hálito. Por isso, algumas pesquisas sugerem que, se usado de maneira correta, o galhinho pode ser até mais eficaz do que as escovas de dente convencionais.

Por enquanto, a escova This ainda não está sendo comercializada, mas outras versões de Miswaks estão à venda na internet.

 

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Via: Inhabitat



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Ecofaxina IV: Faça você mesmo produtos de limpeza ecológicos

Luana Caires
17.05.2011

Diga adeus aos produtos industrializadosl, foto: Michelle Matheny

A faxina pode até ser chata e desgastante, mas  casa limpinha é uma maravilha. E se você pensa que para isso precisa daqueles produtos industrializados cheios de substâncias tóxicas está enganado. Além de não serem prejudiciais à saúde, as versões caseiras funcionam tão bem quanto as do supermercado, são bem mais baratas e não agridem o meio ambiente.

((o)) eco selecionou algumas receitas para você fazer sabão, amaciante, desinfetante e outros produtinhos em casa e tornar o seu ritual de limpeza mais sustentável.

Sabão caseiro em barra

Existem várias maneiras de preparar sabão caseiro. Para essa receita, você vai precisar de ½ litro de soda cáustica líquida, 2 litros de óleo ou gordura, 250ml de álcool e 1½ litro de água. Ferva a água e a coloque em um balde com todos os outros ingredientes. Com um cabo de vassoura ou com uma colher de pau, misture bem por mais ou menos 40 minutos. Quando a massa ficar consistente e com uma corzinha creme, forre uma caixa de madeira com um pano, deposite a mistura sobre ele e deixe secar em um local arejado. A pasta pode demorar um pouquinho para endurecer, mas isso é normal. Depois de seco, retire o sabão da caixa puxando pelo pano e corte como desejar.

Mas fique atento: A soda deve ser manuseada com muito cuidado! Não se esqueça de usar luvas de borracha para evitar que ela entre em contato com a pele e cause queimaduras.

Detergente para louças

Ferva, em fogo baixo, duas xícaras de água e 1 xícara de sabão de coco ralado. Mexa até dissolver. Tire do fogo, acrescente mais seis xícaras de água, duas colheres de bicarbonato de sódio, suco de dois limões e misture bem. Depois é só aplicar na louça e esfregar.

Amaciante

Fazer amaciante caseiro é mais fácil do que você imagina. Basta misturar 1 sabonete de glicerina ralado com 2 xícaras de água e levar ao fogo. Deixe ferver até o sabonete dissolver. Depois, acrescente mais 6 xícaras de água, 2 colheres de glicerina liquida e  1 colher de leite de rosas. Misture bem e engarrafe.

Para passar roupas

Uma solução feita com uma colher de sopa de polvilho dissolvida em 1 litro de água facilita a tarefa e ainda não polui o ar.

Desinfetante para banheiro

Separe algumas folhas de eucalipto e deixe de molho em 1 litro de álcool (de preferência 70º) por 2 dias. Depois, ferva 1 litro de água com um sabão caseiro ralado até que ele seja dissolvido. Então, basta adicionar essa mistura à essência de eucalipto e engarrafar.

E para deixar a sua casa com um cheirinho agradável, invista em plantas. Você sabia que, além de perfumar, algumas espécies melhoram o ar do ambiente? A azaleia e o  antúrio, por exemplo, combatem poluentes como amoníaco e são indicados para cozinhas e banheiros. Já o lírio e a flor-do-natal são recomendados para cômodos pouco ventilados, pois funcionam como filtros de ar.

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Ecofaxina III: tirando manchas sem usar produtos químicos



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Estudantes criam esterilizador hospitalar movido à luz solar

Luana Caires
05.05.2011

O Capteur Soleil, criado pelo francês Jean Boubour, foto: Rice University

Esterilizar utensílios médicos tem sido um desafio de longa data em países subdesenvolvidos, pelo menos nas clínicas localizadas em áreas não abastecidas por energia. Mas um equipamento criado pelos estudantes de engenharia da Rice University, nos Estados Unidos, pode ser a solução para esse problema. Eles adaptaram a tecnologia Capteur Soleil a uma autoclave ­­­–  aparelho que utiliza vapor de água sob pressão para a esterilização –, conseguindo captar luz solar para alimentá-la.

Criado há quase três décadas pelo inventor francês Jean Boubour, o Capteur Soleil é constituído por uma tubulação de aço emoldurada no formato de um “A” com uma camada de espelhos curvos na parte inferior. Esses espelhos redirecionam a luz solar para um tubo no vértice da moldura por onde passa água, que, com o calor, é transformada em vapor.

Em vez de bombear o vapor direto para a autoclave, a ideia inovadora do time de pesquisadores foi usá-lo para aquecer uma placa condutora desenvolvida especialmente para o projeto, que funciona basicamente como a chapa de um fogão elétrico e pode ser aproveitada até para cozinhar.  O calor da placa então é usado para aquecer a autoclave, uma espécie de panela de pressão dentro da qual é colocado um compartimento com furos no fundo. Basta pôr água na “panela” e depositar os instrumentos médicos dentro desse compartimento para dar início à esterilização.

De acordo com o padrão estabelecido pelos Centers for Disease Control and Prevention dos Estados Unidos, para que esse procedimento seja bem sucedido é preciso que os utensílios sejam mantidos a uma temperatura de 121oC por pelo menos 30 minutos. Mas, utilizando a tecnologia criada por Boubour, esse processo pode ser um pouquinho demorado. Segundo Sam Major, um dos engenheiros envolvidos no projeto, com o sol forte do meio dia, o equipamento demora de 40 minutos a uma hora para começar a aquecer significativamente a autoclave.

E não pense que o Capteur Soleil tem sido empregado só para esse fim. Uma versão dele está sendo usada no Haiti como um fogão solar.

 

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Ecofaxina III: tirando manchas sem usar produtos químicos

Luana Caires
04.05.2011

O maior truque para se livrar das manchas é agir rapidamente, foto: Robert Hruzek

Tem coisa melhor do que começar o dia com um cafezinho fresco? Mas basta um breve descuido para que, no meio da correria, um daqueles pequenos acidentes do dia-a-dia aconteça: aquele respingo atinja a sua camisa e ponha fim ao seu bom humor. Afinal, as manchas são difíceis de remover na hora da lavagem.

Da próxima vez em que a pressa, mau jeito ou mero azar resultarem em uma mancha, não se preocupe. ((o))eco reuniu as melhores dicas para você se livrar dessas marquinhas indesejadas sem produtos químicos.

Sujou, lavou

O segredo para não sofrer na hora de remover uma mancha é agir rapidamente. Quanto mais tempo a substância passar em contato com o tecido, mais difícil será a remoção de suas marcas.

Evite esfregar

Procure eliminar os sinais antes de começar a esfregar a roupa, removendo o excesso com uma toalha absorvente ou com água fria e deixando a peça de molho. Quando esfregamos fortemente uma mancha de vinho, por exemplo, fazemos com que a bebida atinja as fibras mais profundas do tecido, o que pode dificultar ainda mais a sua remoção.

Não use água quente

Uma vez em contato com água quente, a mancha tende a se fixar no tecido. Claro, como você vai ver a seguir, o procedimento depende do tipo de marca a remover. Mas, na dúvida, opte sempre pela água fria.

Adeus alvejante

Aqueles três ingredientes básicos de uma ecofaxina – vinagre branco, bicarbonato de sódio, limão – são suficientes para manter a brancura das suas roupas. Adicione meia xícara de vinagre branco e uma xícara de bicarbonato de sódio durante o ciclo da lavagem da sua máquina e deixe que ela faça o resto do trabalho. Para remover manchas amareladas, você pode optar pelo limão. Basta deixar as peças brancas de molho em água morna com mais ou menos quatro xícaras de suco e alguns pedaços de limão por uma hora. Depois é só lavar normalmente. Elas ficarão cheirosas e sem aparência desbotada.

Molho de tomate

A tradicional macarronada de domingo sempre acaba deixando os seus rastros. Para remover manchas de suco e molho de tomate, esfregue um limão sobre o local atingido, enxágue e deixe secar. Se ainda houver vestígios, molhe a peça em uma solução de 1/4 de água morna, 1/2 colher de chá de detergente e uma colher de sopa de vinagre branco por 15 minutos. Enxágue e lave.

Vinho tinto

Se estiver em um restaurante e não puder combater a mancha naquele momento, ao chegar em casa, ferva a peça atingida em uma vasilha com leite  e deixe de molho até a mancha sumir. Vinagre, glicerina e perborato de sódio também podem ser usados para remover marcas de vinho, café e chá.

Óleo e gordura

Despeje água fervente sobre a mancha. Aplicar um pouco de maizena ou de bicarbonato de sódio sobre a área a ser limpa também ajuda a suavizar a marca.

Ferrugem

Cubra a área manchada com sal, aplique suco de limão por cima e coloque no sol por aproximadamente 20 minutos. Depois ponha um pano branco sobre a roupa e passe o ferro quente. Assim que mancha sair, lave a roupa normalmente.

Graxa

A margarina vegetal ajuda a tirar as manchas de graxa. Coloque um pouco sobre a área a ser limpa, deixe por alguns minutos, depois lave normalmente.

Ovo

Antes de lavar, aplique uma pasta de sal (sal com gotinhas de água) sobre a mancha. Depois, siga com a lavagem normal, mas lembre-se de não usar água quente. 

Sangue e Tinta de caneta

Da próxima vez que uma caneta estourar no bolso da sua camisa preferida, não se desespere. Deixe a peça de molho em leite antes de lavar.  Essa técnica pode ser utilizada para tirar manchas de sangue ou, se preferir, deixe a roupa atingida de molho em uma solução de água fria com sal.

Batom e maquiagem

Para esse tipo de marcas, a glicerina pode funcionar muito bem, mas aplique somente sobre a mancha. Depois, lave normalmente com água morna.

 

Essa lista não esgota o assunto. Quando se trata de remoção de manchas, cada um tem o seu truque. Se você tiver alguma ideia que não apareceu por aqui, compartilhe com a gente! Na semana que vem, a série continua com Ecoreceitas de detergente, amaciante e desinfetante.

 

Veja também:

Ecofaxina: como limpar seu banheiro sem produtos químicos

Ecofaxina II: como limpar sua cozinha sem produtos químicos

Ecofaxina IV: Faça você mesmo produtos de limpeza ecológicos

Via: Inhabitat



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Açúcar: o grande vilão da dieta?

Luana Caires
20.04.2011

Para Lustig, o açúcar deveria ser considerado uma toxina, foto: Ween Nee

Qual seria a sua reação se você descobrisse que o açúcar – esse que adoça o nosso cafezinho – é tóxico? Pois bem, a afirmação é de Robert Lustig, um especialista em desordens hormonais e em obesidade infantil da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, em São Francisco, uma das melhores dos EUA. E ele não está se referindo apenas àquele pó branco refinado, conhecido como sacarose, mas também ao xarope de milho rico em frutose (HFCS), um adoçante encontrado nos refrigerantes carbonatados, néctares, salgadinhos, xaropes, geleias e outros produtos adoçados.

Para Lustig, é o alto consumo de açúcar, e não de gordura, o responsável pelo aumento vertiginoso do número de americanos obesos e diabéticos nos últimos 30 anos. E mais do que isso: ele também estaria por trás de outras doenças crônicas, como hipertensão, problemas cardíacos e até câncer. Segundo o especialista, deveria ser posto na lista de coisas que estão nos matando, assim como o álcool e o cigarro.

O açúcar é composto por glicose e frutose. Enquanto a primeira substância é metabolizada por todas as células do corpo, a segunda é metabolizada pelo fígado. Em experimentos realizados com ratos de laboratório foi observado que, quando os animais ingerem altas quantidades de frutose, o fígado converte grande parte desse monossacarídeo em gordura e, em conjunto, parece induzir também à resistência à insulina – o que está relacionado às doenças acima, principalmente a chamada diabetes tipo 2, a mais comum.

No entanto, as consequências danosas do consumo do açúcar demorariam anos para causar danos sérios. A verificação da hipótese de Lustig pede estudos de longo prazo. A última vez em que uma agência do governo americano analisou os efeitos do açúcar foi em 2005. Na época, os autores do relatório desse estudo apontaram evidências de que o seu consumo aumentaria o risco de doenças cardíacas e de diabetes, mas os dados colhidos não foram considerados conclusivos. Na falta de resultados mais sólidos, Lustig é muito criticado por se referir ao açúcar como toxina ou veneno.

Ainda assim, as ideias do especialista chamam a atenção do público. Desde que sua palestra Sugar: The Bitter Truth (Açúcar, a Verdade Amarga) foi publicada na internet, em maio de 2009, já foi vista mais de 1 milhão de vezes e a audiência cresce a 50 mil exibições por mês - número impressionante para um vídeo de 90 minutos sobre frutose e fisiologia humana.

Enquanto não surgem estudos definitivos a respeito do açúcar, vale a pena seguir as sugestões da maioria dos nutricionistas, mantendo uma dieta rica em frutas e vegetais e, ao mesmo tempo, com menos gordura, sal, carne vermelha e, claro, pouco açúcar. Afinal, aquele que adoça o seu café e sobremesa pode acabar confirmado como o vilão que mina a sua saúde.

Para quem tiver fôlego, segue o vídeo de uma hora e meia (em inglês).

 

 



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Ecofaxina II: como limpar sua cozinha sem produtos químicos

Luana Caires
18.04.2011

Não parece, mas esse é o lar favorito das piores bactérias da casa, foto: sewpixie

Se você tivesse que apontar o lugar mais sujo da casa, qual seria? O banheiro? Pois saiba que a cozinha esconde mais germes e bactérias do que qualquer outro cômodo. Isso porque é nesse local que lidamos com comida e  preparamos nossas carnes, que nada mais são do que carcaças de animais mortos, e, por ser úmido, esse ambiente é bastante favorável à colonização por bactérias. A esponja de lavar louça e os panos de prato, por exemplo, são uma das fontes mais infecciosas de bactérias de origem alimentar, como E. Coli e salmonela – que se escondem nos poros das buchas e dos tecidos e podem contaminar alimentos ou utensílios. Mas não precisa se desesperar e encharcar a cozinha com água sanitária.

O Ecocidades tem algumas dicas para manter a cozinha livre de germes sem utilizar produtos químicos prejudiciais ao meio ambiente e à saúde.

Prevenir é melhor do que remediar

O melhor segredo para evitar a proliferação microorganismos é cuidar da sujeira assim que ela aparece. Bactérias se multiplicam em um ritmo alarmante, uma simples célula pode dar origem a mais de 8 milhões em menos de 24 horas. Portanto, se você espirrar um pouco de ovo cru ou molho de espaguete no balcão, limpe imediatamente. Se derrubar migalhas no chão, varra no mesmo instante. Limpar a cozinha à medida que você for cozinhando pode lhe custar alguns minutos a mais, porém, vai lhe poupar tempo a longo prazo. Afinal, é muito mais fácil se livrar de uma mancha de gordura no fogão enquanto ela ainda está fresca do que passar horas esfregando crostas de manchas secas.

Fique atento aos prazos de validade e marque nas vasilhas com sobras de comida a data em que foram feitas, para que não fiquem envelhecendo na geladeira. Também é indicado se desfazer de comida velha ou estragada a cada duas semanas para evitar que colônias de mofo cheguem a criar raízes. Adotando esses cuidados, é possível reduzir as chances da proliferação de bactérias. Mas, afinal, o que fazer para remover a sujeirada sem usar produtos químicos?

Produtos milagrosos

Água, limão, vinagre, sal e bicarbonato de sódio fazem verdadeiro milagre quando o assunto é limpeza. E o melhor: são produtos super baratos e podem ser aplicados em praticamente qualquer superfície da casa. Para remover manchas do balcão ou da geladeira, por exemplo, basta fazer uma solução de água com bicarbonato. Se quiser, adicione um pouco de suco de limão para dar um perfume cítrico.

Esponjas e Panos de Prato

A umidade e as fendas minúsculas que tornam a esponja tão eficiente na hora da limpeza fazem dela o abrigo perfeito para as bactérias.  Para impedir que ela contamine seus utensílios, é preciso fervê-la por cerca de três minutos entre cada uso. Quanto aos panos de prato, deixe-os secar completamente depois da utilização e lembre-se de lavá-los, no mínimo, uma vez por semana. Lembre-se: quanto mais secas as coisas estiverem, menor a chance de bactérias. Elas adoram umidade.

Louças

Acumular aquela pilha de louça por lavar é um jeito infalível de encher a sua pia de germes. Para evitar que isso aconteça, lave seus utensílios de cozinha logo depois de usá-los. Você pode usar um detergente biodegradável ou fazer um detergente caseiro. Para tanto, basta ferver, em fogo baixo, duas xícaras de água e 1 xícara de sabão de coco ralado. Mexa até dissolver. Tire do fogo, acrescente mais seis xícaras de água duas colheres de bicarbonato de sódio, suco de dois limões e misture bem. Depois é só aplicar na louça e esfregar. E não se esqueça de fechar a torneira enquanto estiver ensaboando. Se suas louças de vidro estiverem sem brilho, é possível recuperá-lo mergulhando as peças em uma bacia com água e algumas gotas de vinagre e deixá-las de molho por  meia hora.

Panelas

Para retirar a sujeira que adere ao fundo das panelas, coloque água e quatro colheres de sopa de vinagre dentro do utensílio. Leve ao fogo e deixe ferver. Na hora da lavagem, o grude vai embora com mais facilidade e menor quantidade de sabão.

Azulejos

Para desengordurar azulejos, adicione duas colheres de vinagre a um recipiente com oito xícaras de água morna. Em seguida, basta molhar um pano na solução e esfregá-lo na área a ser limpa.

Fogão

Aquela sujeira mais pesada, que insiste em ficar grudada no fogão, pode ser removida deixando um pouco de vinagre sobre a gordura 15 minutos antes de começar a limpeza. Fica novinho em folha. Se quiser, você também pode optar por uma solução de duas partes de água para uma de sal.

Forno

Espalhe um bocado de bicarbonato de sódio sobre a parte inferior do forno, certificando-se de que todas as manchas estejam completamente cobertas. Depois, vá borrifando água sobre a área a ser limpa várias vezes durante algumas horas para manter o local úmido e, então, deixe a mistura descansar por uma noite. No dia seguinte, basta remover a pasta de bicarbonato que a sujeira será eliminada.

Microondas

Da próxima vez em que encontrar espirros de comida dentro do microondas, não se desespere! Existe uma maneira fácil de remover manchas sem passar horas esfregando o aparelho. Coloque ¼ de xícara de vinagre e uma xícara de água em uma vasilha e aqueça a mistura no próprio microondas por dois ou três minutos. Quando terminar o aquecimento, deixe agir por 10 minutos. O vapor e a acidez do vinagre vão soltar as partículas de alimentos, permitindo que sujeira seja removida com mais facilidade. Também é possível substituir o vinagre por limão.

Geladeira

Para limpar a parte interna da geladeira, o uso de produtos industrializados é desaconselhável, pois liberam compostos orgânicos voláteis (VOCs) e eles podem prejudicar a saúde de quem ingere os alimentos guardados ali. Portanto, na hora da limpeza, prefira a mistura de água, bicarbonato de sódio e sabão.

 

 

Veja também:

Ecofaxina: como limpar seu banheiro sem produtos químicos

Ecofaxina III: tirando manchas sem usar produtos químicos

Ecofaxina IV: Faça você mesmo produtos de limpeza ecológicos

 

 

Via: Inhabitat



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Ocorrência de salmonela é menor em frangos orgânicos

Luana Caires
07.04.2011

A salmonela, comum no intestino da galinha, pode contaminar o ovo e a carcaça do animal, foto: StevenW

Um estudo realizado pelo Center for Food Safety da Universidade da Georgia apontou que frangos convencionais são mais suscetíveis à salmonela do que os orgânicos. Enquanto 38,8% das aves tradicionais carregavam a bactéria, o mesmo ocorria com apenas 5,6% das orgânicas. E o pior: 39,7% das salmonelas encontradas no frango comum apresentaram resistência a seis antibióticos diferentes, o que não ocorreu com as dos orgânicos.

Os pesquisadores analisaram animais de abate de uma mesma empresa da Carolina do Norte e apontaram que esse resultado tem a ver com a maneira como os frangos são criados. Se os convencionais podem ser presos em gaiolas, os orgânicos devem ser mantidos em um ambiente semelhante ao seu habitat natural – com acesso a espaços externos,  ar fresco e luz do sol, de acordo com o regimento da National Sustainable Agriculture Information Service dos Estados Unidos (ATTRA). O código também proíbe a utilização de antibióticos e outras drogas, o que obriga o criador a diminuir o número de frangos mantidos em um mesmo ambiente para evitar o aparecimento de doenças. Em granjas normais, cada animal costuma ter cerca de 0,05 metros quadrados de espaço, já na maioria das orgânicas, cada frango tem, em média, pelo menos 0,14 metros quadrados. Além disso, o ATTRA também proíbe que subprodutos do abate animal sejam misturados na ração das aves.

A intoxicação alimentar por salmonela é uma das mais frequentes e é um desafio para a saúde pública. Essa bactéria é comum no intestino da galinha e pode causar a contaminação da membrana que envolve a gema durante a formação do ovo e, dependendo das condições em que o animal for criado, pode contaminar também a carcaça do animal. Levantamentos em diferentes países têm mostrado que 30 a 50% das carcaças de frangos congelados ou resfriados estão contaminadas por salmonela. No Brasil, os índices variam de 9,15 a 86,7%.

Para evitar esse tipo de intoxicação, coma apenas ovos e carnes de frango bem cozidos. Tome cuidado com alimentos preparados com ovos crus, como maionese caseira, sorvete caseiro, molho holandês ou tiramissu, e lave bem as mãos e os utensílios de cozinha depois de lidar com carnes não cozidas.



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