Vaga por vagas: trocando um carro por 12 bicicletas

Raul Bueno
20.09.2011

Vaga ao longo do passeio: 6 x 2,1m. Um carro ou 12 bicicletas. Ilustrações: Raul Bueno

Automóveis nas cidades têm dois grandes problemas: o primeiro é a poluição que causam. Este talvez possa ser sanado por carros 100% elétricos como o Nissan Leaf ou o Tesla. O outro problema pode ser respondido por qual qualquer iniciado em urbanismo: carros ocupam espaço nas ruas e construções.

Inspirado pelo PARK(ing) Day, na última sexta-feira, 16 de setembro, segue uma sugestão para facilitar a vida de quem anda de bicicleta e reduzir um pouco a prevalência do carro no uso do espaço público. Afinal, bicicletas e automóveis competem por vagas. No entanto, no espaço de uma vaga de automóvel — de 6 metros de comprimento por 2,1 metros de largura — cabem 12 magrelas.

No Rio de Janeiro é proibido prender bicicletas ao mobiliário urbano (veja o vídeo no final). Então o que fazer?

Este urbanista (e ciclista) que vos escreve acha que seria revolucionário demais, pelo menos no momento, substituir de cara as preciosas vagas dos motoristas por bicicletários. Então, pensei em um projeto de vaga com uso flexível: pode ser usada por um automóvel ou, como alternativa, por 6 bicicletas e 4 lambretas. Siga as ilustrações para entender o projeto.

Me parece uma boa idéia. Alguma autoridade responsável pelo pelo trânsito se habilita?

 

Apoiado deste modo sobre o passeio, o bicicletário não atrapalha o fluxo de pedestres e não impede a vaga de ser usada por um automóvel, caso não esteja ocupada por bicicletas.

 

Quando não há carro, ½ dúzia de bicicletas e quatro lambretas.

Quando um carro ocupa a vaga, os bicicletários não impedem que as suas portas abram. Nada como convivência pacífica.

Leia também:

Deixe seu carro em casa! Programação nacional para o DMSC 2011

Vídeo: Rio de Janeiro: PARK(ing) Day 2011, debate e festa

 

 Raul Bueno mora no Rio de janeiro e é um ciclista inveterado. Além disso é Arquiteto Urbanista, trabalha na Defournier & Associados e leciona no Bennett e na FAU-UFRJ.

 

Veja aqui o vídeo polícia tentando apreender um bicicleta no RJ, durante um choque de ordem



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10 cidades sustentáveis do mundo

Luana Caires
08.09.2011

Reykjavik é 100% abastecida por energia renovável, foto: Benjamin Dumas

Se transformar em uma cidade sustentável está longe de ser uma tarefa fácil, mas também não é impossível. ((o)) Eco selecionou 10 localidades que podem até não serem ecologicamente perfeitas, mas são exemplos de que é possível diminuir o impacto ambiental de um centro em urbano optando por um planejamento que inclua o verde em sua paisagem e preze por formas mais sustentáveis de organização. Confira a seguir o que foi ou tem sido feito para tornar essas urbes mais “verdes”.

1. Reykjavik, Islândia 

Há mais de 50 anos a Islândia tem se empenhado em diminuir sua dependência de combustíveis fósseis aproveitando seu potencial natural para a geração de eletricidade. Não é de se estranhar que sua capital seja 100% abastecida por energia limpa e de baixo custo. Parte dos veículos da cidade já são movidos a hidrogênio, tendência que deve aumentar ainda mais. O país está investindo pesado nessa tecnologia e pretende se tornar  uma “economia do hidrogênio” nas próximas décadas. No mês passado, foi posto em prática um experimento perto das usinas geotérmicas de  Reykjavik  para testar a viabilidade de se estocar carbono criando emendas de calcário no subsolo. Se tudo ocorrer como esperado, o dióxido de carbono ficará permanentemente aprisionado no solo, o que deve permitir que usinas geotérmicas se livrem dos dióxidos de carbono que elas trazem das profundezas e se tornem efetivamente neutras.

2.Malmö, Suécia

Pioneira na utilização de energia renovável, Malmö também é apontada como a primeira cidade de Troca Justa da Suécia. Ali, o governo tem incentivado o consumo de mercadorias locais produzidas eticamente, promovendo a conscientização dos seus habitantes sobre a importância de se estabelecer um mercado justo e sustentável. A cidade recicla mais de 70% do lixo coletado e os resíduos orgânicos são reaproveitados para a fabricação de biocombustíveis que, juntamente com a energia hidrelétrica, solar e eólica, alimenta o Western Harbor, uma comunidade 100% dependente de energia limpa. Além disso, Malmö possui mais de 400 quilômetros de ciclovias em seu território ­– cinco quilômetro s a mais Copenhague, na Dinamarca–, sendo a cidade sueca com maior número de vias para ciclistas. No ano passado, o uso das bicicletas aumentou 11% e 40% dos deslocamentos relacionados ao trabalho foram feitos utilizando a magrela.

3.Vancouver, Canadá

Líder do ranking das cidades mais habitáveis do mundo por quase dez anos, Vancouver é a cidade da América do Norte com a menor pegada de carbono. Mais de 200 parques esverdeam a sua área urbana e pelo menos 90% da sua energia já provém de fontes renováveis. Em 2005, o governo colocou em prática uma estratégia para que todos os edifícios construídos na cidade oferecessem uma melhor performance ambiental. Desde então, disponibiliza para a população todas as informações necessárias sobre como diminuir o impacto de suas residências e oferece incentivos para que seus habitantes façam uso de energia solar. Até 2020, a cidade pretende neutralizar toda a emissão de gases estufa proveniente dos seus edifícios, que hoje são responsáveis por 55% das emissões de Vancouver.

Por quase 10 anos, Vancouver liderou o ranking das cidades mais habitáveis do mundo, foto:R.Fun

4.Copenhague, Dinamarca

Quando o assunto é ecocidade, Copenhague é um dos principais nomes que devem vir à sua cabeça. No ano passado, ela ficou entre as cidades Mais Habitáveis do mundo, de acordo com a classificação da revista Monocle, e faturou o título de Melhor Cidade para Ciclistas. Cerca de 40% de sua população pedala diariamente para se deslocar pela área urbana e foi lá que surgiu pela primeira vez o empréstimo público de bicicletas. Desde 1990, a cidade conseguiu reduzir suas emissões de carbono em 25% e até 2015 o governo pretende transformá-la na ecometrópole número um do mundo. Além do investimento em fontes limpas de energia – lá foi inaugurada, em 2001, um dos maiores parques eólicos marítimos do mundo –, Copenhague é elogiada pelos esforços desenvolvidos na última década para manter as águas de seu porto limpas, local tão seguro que hoje pode até receber banhistas.

5.Portland, Estados Unidos

Ela tem inspirado outros centros americanos a incluir espaços verdes em seu planejamento urbano. Para conservar os áreas vegetativas em sua volta, foi estabelecido um limite para o avanço da urbanização da cidade, que conta com 92 mil acres de  área verde  e mais de 300 quilômetros de ciclovias. Portland foi a primeira cidade dos Estados Unidos a aprovar um plano para reduzir as emissões de dióxido de carbono e tem promovido sistematicamente a construção de prédios verdes. Além disso, cerca de 40% de sua população utiliza ou a bicicleta ou o transporte coletivo para ir ao trabalho e, desde de outubro, o governo recolhe os resíduos orgânicos, que são enviados para centros de compostagem. Hoje, metade da energia utilizada pela cidade é obtida a partir de fontes limpas, como a luz solar e o aproveitamento de resíduos para a produção de biocombustível.

6.Bahia de Caráquez, Equador

A Bahia de Ceráquez é um verdadeiro paraíso para os ecoturistas. Nos anos 90, o local foi devastado ao ser atingido por um terremoto. Então, o governo e  algumas ONGs decidiram reconstruí-la como uma cidade sustentável. Eles desenvolveram programas para conservar a biodiversidade local e controlar a erosão, implantaram esquemas de incentivo à agricultura orgânica e de reutilização  dos resíduos privados e dos mercados públicos na compostagem. É de lá a primeira fazenda orgânica certificada de camarões.

7. São Francisco, Estados Unidos

Ela foi a primeira cidade americana a banir o uso de sacolinhas plásticas e brinquedos infantis fabricados com produtos químicos questionáveis. São Francisco é também uma das cidades líderes na construção de prédios verdes e já possui mais 100 deles. Quase metade dos seus habitantes utiliza o transporte publico ou a bicicleta para se locomover todos os dias e mais de 17% da população faz bom proveito dos parques e das áreas verdes da cidade. Em 2001, os eleitores aprovaram um incentivo de 100 milhões de dólares para o financiamento da instalação de painéis solares e turbinas eólicas e de reformas para tornar as instalações públicas da cidade mais energeticamente eficientes.

São Francisco foi a primeira cidade americana a banir o uso de sacolas plásticas, foto: Billy Gast

8. Sidney, Austrália

A Austrália foi o primeiro país a banir as lâmpadas incandescentes, substituindo-as por modelos mais energeticamente eficientes. Em Sidney, as emissões de gases estufa diminuíram 18% apenas com a reforma de suas instalações públicas. Além disso, lá foi colocado em prática um projeto de uma rede regional de bicicletas que deve unir 164 bairros. Com essas medidas, o uso da magrela triplicou nas áreas em a rede foi instalada. Também foi em Sidney que surgiu a Hora do Planeta, em que toda a cidade desligou as luzes por 1 hora para chamar atenção para o problema do aquecimento global.

9. Freiburg, Alemanha

Desde que foi reconstruída após a Segunda Guerra Mundial, Freiburg vem experimentando o modo de vida sustentável. É lá que se encontra a famosa Vauban, uma vila de 5 mil habitantes criada para servir de distrito modelo de sustentabilidade. Todas as casas são construídas de maneira a provocar o menor impacto possível no meio ambiente, mas ela é conhecida mesmo por ser uma comunidade livre de automóveis e que incentiva modos mais ecológicos de deslocamento. Em Freiburg também existe uma vila totalmente abastecida por energia solar.

10. Curitiba, Brasil

Ela não é chamada de cidade modelo à toa. Seu eficiente transporte público é utilizado por 70% da população e, se consideradas somente as metrópoles verdes, ou seja, centros urbanos de grande porte, Curitiba só perde para Copenhague no índice de menor emissão de dióxido de carbono per capita e para Vancouver no quesito produção de energia renovável. A cidade possui ainda um bom programa de conservação da biodiversidade e de reflorestamento de espécies nativas e tem uma área verde de 51 metros quadrados por habitante.

 

Post editado em 05/10/2011: nos comentários, nossos leitores criticaram a falta de um método objetivo para a escolha dessa seleção de cidades sob o título “As 10 cidades mais sustentáveis do mundo”. Achamos que o texto foi bem pesquisado e está bem feito, mas concordamos com o argumento. Por isso, consideramos que o post não é mais um ranking, uma lista de posições, mas uma seleção de cidades que se destacam. Curitiba, representando a América Latina, certamente merece estar na lista, como mostram vários links de textos nacionais e internacionais sobre o tema. Eduardo Pegurier, editor de Cidades.



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Em Copenhague, 93% vivem satisfeitos com a cidade

Natalia Garcia
23.08.2011

do projeto Cidade para as Pessoas*

Quando desembarquei no aeroporto de Kastrup, fazia calor em Copenhague. A primavera chegava ao fim e o verão se aproximava. Um olhar desatendo às avenidas da cidade poderia dar a falsa impressão de que estavam todos de férias.

A maioria das pessoas se locomove de bicicleta, inclusive em incríveis bicicletas de carga. Depois do trabalho, pedalam para casa, correm à beira do rio, vão ao parque e se deitam na grama… e, no verão, nadam nas águas do canal mais próximo. Talvez seja essa interação com a cidade que dê a sensação de que estão sempre “a lazer”, de férias. “Tínhamos como meta: atingir 85% de satisfação”, conta Pernille Nørby, do Urban Design Department, um departamento da prefeitura que cuida do bem-estar das pessoas. Para poder cumprí-la, Pernille encomendou uma pesquisa, há um ano, e se surpreendeu com o resultado: 93% estavam satisfeitos. “Copenhague estava bem à frente do que imaginávamos”, comemora ela.

É bem provável que você já tenha ouvido falar da capital dinamarquesa como uma referência quando o assunto é “meio ambiente”. Copenhague hospedou várias conferências sobre modelos urbanos e mudanças climáticas e possui uma meta muito clara: em 2025 querem se tornar a primeira capital do mundo a neutralizar suas emissões de carbono.

No entanto, para entender essa meta e o motivo que levou Copenhague a ser essa referência, é preciso compreender o conceito de “meio ambiente” que eles passaram os últimos 60 anos desenvolvendo. Colocar o meio ambiente no norte da administração política significou criar um ambiente melhor para as pessoas viverem.

A origem

O marco inicial desse processo foi a criação, em 1962, da Strøget, a primeira rua de pedestres da Dinamarca e uma das primeiras do mundo. O caso foi emblemático porque essa não era uma das pequenas ruelas medievais típicas das cidades européias. Era, sim, uma importante e movimentada avenida comercial da cidade. A medida foi alvo de pesquisa do planejador urbano dinamarquês Jan Gehl, uma figura importante para consolidar a preocupação com as pessoas na administração política da cidade. “Conhecemos o habitat ideal de todos os animais: da girafa, do leão, do elefante… até do ornitorrinco, mas e o Homo Sapiens? Qual é o lugar ideal para essa espécie viver?”, provoca Gehl, que tem dedicado os 50 anos de sua carreira a responder essa questão.

Na imagem de satélite a rua para pedestres (foto: Google Maps)

O urbanista Jan Gehl: qual o ambiente ideal para as pessoas? (foto Natália Garcia)

Foi esse urbanista com essa tese tão visionária que influenciou as gerações políticas posteriores e permitiu que todos os meus dias de trabalho na capital dinamarquesa terminassem aqui:

E, como no verão o sol só se põe às 23h, eu aproveitava boas horas do fim do meu dia dando braçadas na água gelada e salgada desse canal. Mas se sua mente implacável já está pensando que isso jamais seria possível em cidades brasileiras, dê uma olhada em como era essa mesma área em 1991:

 

Até essa época, a rede de águas pluviais (os canos que levam a água da chuva até os rios e canais) muitas vezes se misturava à rede de esgoto, algo que acontece na grande maioria das cidades brasileiras. Assim, em caso de chuva forte, as galerias de águas pluviais enchiam demais, se misturavam ao esgoto e toda essa sugeira era despejada nos canais. O entorno do rio era também uma área industrial, então ninguém circulava por ali.

“Era impensável usar essa área para o uso recreacional”, diz Jan Rasmussen, do Department of Parks and Nature da prefeitura. Duas eram as grandes causas de poluição nas águas que banhavam Copenhague. Uma delas: a água do esgoto. A outra: o lixo.

Mas, em 1991 foi aprovado um plano de despoluição das águas dos canais e remoção da área industrial, para criar centros de lazer ao redor do rio. De lá para cá, muita coisa mudou. Todas as galerias de águas pluviais foram reconstruídas, para que jamais se misturassem ao esgoto. Além disso, reservatórios de água – como piscinões – foram construídos em pontos estratégicos para que a água da chuva se armazenasse em casos de tempestade e não alagasse os canais. O encanamento dos esgotos também foi, em grande parte, reconstruído, para que os canos não permitissem vazamentos. O lixo, que era, em parte, descartado em aterros sanitários, contaminando o solo, hoje tem outro destino: 50% dos resíduos são reciclados e 50% incinerados.

No sul da Dinamarca, a ilha do tesouro versão 2009

Um passeio de bike em Copenhague

“Quando o plano começou a ser colocado em prática, nadar nos canais era algo que imaginávamos que demoraria muito a acontecer”, diz Rasmussen. “Mas 15 anos depois, em 2005, tivemos nossa primeira piscina no canal Havnebadet”, completa o técnico. Hoje já são três piscinas públicas na cidade.

As metas para o futuro

Ser uma cidade sem emissões de carbono é uma meta que derivou do objetivo de ser uma cidade para pessoas. “Claro que, técnicamente, é impossível não emitir carbono”, explica Morten Kabell, técnico do conselho de mudanças climáticas da prefetura. E ele tem razão: até a respiração dos seres humanos libera carbono no meio ambiente. “Nossa ideia é reduzir as emissões até o limite e estimular empresas a comprarem cotas de carbono para neutralizar o que sobrar”, conclui. Conheça algumas das medidas:

Transportes:Hoje 55% das viagens na região central de Copenhague já são feitas de bicicleta. Mas até 2025 a prefeitura quer alcançar essa marca nas viagens feitas também nas áreas periféricas da cidade. “Além de diminuir as emissões de carbono, essa mudança é economicamente vantajosa”, explica Adreas Røhl, engenheiro técnico da secretaria de transportes. Conheça a relação história da cidade com o uso de bicicletas e entenda por que elas são economicamente vantajosas nesse vídeo:

Energia: Desde 2000 Copenhague investe em um projeto de fazenda eólica em alto mar e, já em 2007, 17,9% de toda a Dinamarca era abastecida pelo sistema. A meta é, em 2050, abastecer 50% do país dessa forma.

El Hierro: ilha será abastecida com energia 100% renovável

Se Copenhague será capaz de neutralizar suas emissões é difícil de responder. Mas é fato que, se a cidade não alcançou a meta de ser o habitat ideal para o homosapiens viver, está bem próxima disso. Mais: Copenhague descobriu que priorizar as pessoas na agenda política é economicamente vantajoso. Temos um bocado para aprender, não?

* a jornalista Natália Garcia criou o projeto Cidades para Pessoas. Durante um ano ela vai viajar por 12 cidades do mundo e morar por um mês em cada uma delas em busca de boas ideias de planejamento urbano que tenham melhorado essas cidades para quem mora lá. Veja mais em www.cidadesparapessoas.com.br



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Favelas precisam ser urbanizadas, diz Joan Clos

Gustavo Faleiros
22.08.2011

Semana da Água, em Estocolmo - foto: Alex de Sousa

“O mundo precisa de um novo movimento higienista.”  Este foi o argumento que o espanhol Joan Clos,  atual diretor do programa para cidades da ONU (UN-Habitat), levou ao público da 21a Semana Mundial da Água, que começou nesta segunda na cidade de Estocolmo, Suécia. Em referência às políticas públicas que transformaram cidades como Paris, Rio de Janeiro, Nova York e Londres no início do século 20 – quando ruas estreitas e cortiços foram substítuitos por novos bairros com luz elétrica e água encanada -, o representante da ONU disse que é preciso urbanizar as favelas em diversas partes do mundo.

Em cidades e bairros onde há qualidade de vida, a superfície ocupada com espaços públicos é de 25% a 35%. Em contraste, nas favelas apenas 2% a 3% da área ocupada é utilizada como ruas, praças e outros espaços públicos.

De acordo com os dados da UN-Habitat cerca de 800 milhões de pessoas vivem hoje em favelas na América do Sul, África e Ásia. Em alguns países, 60% da população urbana vive em assentamentos ilegais com habitações sem infraestrutura. A urbanização recente em nações em desenvolvimento, apontou Clos, difere daquela ocorrida no século passado por não vir acompanhada de industrialização.

Por isso, segundo ele, investimentos urbanos seriam uma forma de gerar oportunidades de emprego e renda. ”Se não existe a rua, não existe um lugar para acumular recursos, como água, saneamento, telecomunicações”, argumentou. Segundo o espanhol, em cidades e bairros onde há qualidade de vida, a superfície ocupada com espaços públicos é de 25% a 35%. Em contraste, nas favelas apenas 2% a 3% da área ocupada é utilizada como ruas, praças e outros espaços públicos. “A rua é a fábrica da cidade, é onde se produz o bem comum”, disse Clos.

Barcelona: Pontos Verdes ampliam reciclagem do lixo problemático

Estudo de 100 cidades conclui que são vilãs do efeito estufa

Um porto mais verde e articulado para o Rio

Sua palestra foi proferida na abertura do Semana Mundial da Água, que neste ano tem como tema principal o desafio de gerir os recursos hídricos em um mundo de urbanização acelerada. Até 2050, espera-se que cerca de 6 bilhões de pessoas vivam nas cidades, o dobro do atual número, ou aproximadamente 80% da população mundial projetada nas próximas décadas. “As áreas urbanas necessitam de um manejo adequado de seus recursos hídricos para que se evitem conflitos com as necessidades em zonas agrícolas fora das cidades”, frisou o diretor do Instituto Internacional para Água em Estocolmo, Anders Berntell

Oportunidade com as Olimpíadas no Rio 

Antes de assumir o cargo de diretor da UN-Habitat no ano passado, Joan Clos, foi prefeito de Barcelona entre os anos de 1997 e 2006.  Ele também esteve envolvido diretamente com a preparação das Olimpíadas de 1992, que até hoje são consideradas como projeto que mudou a face de Barcelona. Conversamos com Clos a respeito das Olimpíadas que começam a ser prepadas no Rio de Janeiro e ocorrem em 2016. Veja vídeo abaixo

 

Links Externos:

Nações Unidas – Habitat 
Semana Mundial da Água – Estocolmo

 



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Corte de árvores deixa São Paulo menos verde

Luana Caires
07.07.2011

Funcionários da prefeitura cortam árvore na Praça Marechal Deodoro, foto: Cátia Toffoletto

Enquanto novos imóveis são construídos a cada esquina e mais arranha-céus figuram nos cartões-postais de São Paulo, as árvores da cidade pedem socorro. Somente de janeiro a abril deste ano 12.187 delas foram derrubadas, de acordo com um levantamento feito pela Comissão do Verde e Meio Ambiente da Câmara Municipal. Para se ter uma ideia do tamanho do estrago, é como se 80% da área do Parque do Ibirapuera, na zona sul do município, tivesse sido desmatada.

Segundo o estudo, todos os cortes foram autorizados pela Prefeitura –  grande parte para dar lugar a prédios, conjuntos habitacionais e obras de infra-estrutura. Sérgio Guimarães Pereira Júnior, diretor da Vallor Urbano, empresa especializada no segmento de urbanização, pondera que as licenças para o desmatamento preveem compensações: para cada árvore retirada, pelo menos três novas mudas devem ser plantadas.

Mas, como aponta a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a obrigatoriedade de replantio é ignorada pelas empresas ou realizada de maneira irregular, sem que haja nenhum tipo de fiscalização. Além disso, outro problema é que, na maioria das vezes, as mudas são replantadas em áreas distantes do local que foram retiradas. Com isso, a região de onde foram suprimidas áreas verdes sofre, efetivamente, uma perda ambiental.

Pereira Júnior concorda que a simples reposição de mudas não é suficiente como compensação ambiental. “Plantar novas árvores sem um planejamento adequado é apenas uma forma de aliviar culpas”, afirma o executivo. “O mais importante é que haja um programa de conservação ambiental com o envolvimento da comunidade local”, completa.

Campanha de arborização

Ainda que não possam resolver o problema de falta de verde em São Paulo, os cidadãos podem contribuir para tornar pelo menos a sua rua, praça ou bairro mais arborizados. Para isso, a Secretaria do Verde e Meio Ambiente do município mantém uma campanha de incentivo permanente à arborização, que oferece gratuitamente uma muda para ser plantada em endereços da capital paulista. Basta fornecer algumas informações sobre o local que receberá a planta.  A secretaria também disponibiliza uma cartilha com orientações e dicas sobre como semear e manter uma árvore na cidade.

 

Veja também:

No meio do caminho havia outra árvore

Maringá inova na arborização do espaço urbano




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Cidades e mudanças do clima, a corrida da adaptação começou

Cristiane Prizibisczki
08.06.2011

 

Resiliência pode ser entendida como a habilidade de uma comunidade de suportar, sobreviver, se recuperar rapidamente e continuar funcionando após uma crise ou desastre. Isto é, a capacidade de se adaptar a um novo cenário. Com a percepção de que eventos climáticos extremos aumentaram, o movimento para se adaptar à nova realidade já começou. Segundo levantamento da organização Governos Locais para a Sustentabilidade (ICLEI), a maioria dos planos de adaptação às mudanças no clima, no entanto, ainda está no papel, ou seja, na avaliação dos riscos ou intenção em agir. Pesquisa realizada pela organização com 493 de seus membros mostrou que apenas 17% dos planos iniciaram ações. Cidades européias e asiáticas estão à frente nesta corrida, de acordo com o estudo, apresentado no último final de semana no 2º Congresso Mundial sobre Cidades e Adaptação. Centros urbanos da América Latina estão na última posição. (confira gráficos).

A adaptação pode ser traduzida em medidas muito simples e baratas, como sistemas de aviso de enchentes por SMS ou a manutenção da limpeza de ruas para evitar entupimento de valas e esgoto e, assim, diminuir o risco de alagamentos. Muitas das ações feitas por governos municipais, inclusive, poderiam ser consideradas estratégias de adaptação à mudança do clima, mesmo que esta relação não seja clara ou explícita. “A adaptação não têm que necessariamente custar muito, é mesmo uma coisa de melhores práticas e procedimentos que as municipalidades já tem capacidade de implementar”, defende Vesna Stevanovic-Briatico, do governo da cidade de Toronto, Canadá.

Mas as reais medidas que deixarão as cidades mais resilientes passam por decisões complexas e caras, como a reestruturação de todo o planejamento urbano, redefinição de prioridades e investimentos pesados. Durante o encontro em Bonn, nas experiências particulares de cada agrupamento urbano – de países ricos e pobres – foi possível identificar algumas idéias comuns, como a necessidade de incluir toda a sociedade na formulação dos planos, o envolvimento de governos locais como sendo crucial, a exigência de uma forte liderança política e, acima de tudo, colaboração. As tecnologias já existem e a necessidade se mostra cada vez mais urgente. Falta agora, segundo os participantes do evento em Bonn, vontade de se mexer.

Cidades líderes – O Instituto Internacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento (iied) identificou as 14 cidades (veja ilustração do mapa mundi) que estão à frente na corrida por adaptação. Elas foram destacadas porque, mesmo sem contar com ferramentas básicas, em alguns casos, e uma escala relevante de informação sobre possíveis impactos, foram capazes de iniciar seus planos de adaptação. Segundo David Dodman, pesquisador do Instituto, o que as diferencia é o fato de estarem tomando ações independentes da resposta de governos nacionais e decisões internacionais. Cada uma com sua realidade e recursos, elas resolveram não esperar pelo futuro, mas sim evitar o que ele promete.

Confira o que algumas cidades ao redor do mundo já estão fazendo para se adaptar.

Essen (Alemanha) – Entre as dez maiores cidades da Alemanha, Essen sofre dos problemas comuns aos grandes centros urbanos: alta densidade populacional, impermeabilização do solo, falta de áreas verdes e ilhas de calor em regiões específicas. A resposta para o problema está focada em realidades locais, como Altendorf, área escolhida para receber um projeto piloto de “esfriamento”. A região já começou a se transformar e, em futuro próximo, terá apenas prédios baixos – até quatro andares – com diferentes alturas e que não estejam ligados ou muito perto um dos outros, para evitar acúmulo de calor e não bloquear correntes de vento; a fachada das construções será voltada para um parque próximo visando receber o vento que vem de lá; espaço terá árvores e áreas verdes para se beneficiar da sombra e telhados serão construídos de forma plana, para receber painéis solares e áreas verdes. O resultado esperado é o “esfriamento” não só de Altendorf, mas também de áreas adjacentes.

Veneza (Itália) – Em 2008, o governo de Veneza, lançou um sistema gratuito de aviso sobre enchentes via SMS. Basta se cadastrar para receber mensagens com até 36 horas de antecedência sobre alagamentos e entre seis e três horas sobre a ocorrência de chuvas pesadas. O sistema de mensagens também avisa quando o tempo vai melhorar e quando as águas baixaram. Famosa por sua proximidade com a água, a relação que a tornou famosa é hoje uma ameaça. No começo do século 20 a cidade tinha de lidar com menos de 10 ocorrências por década da ‘ácqua alta’ – com é chamada a elevação do nível das águas. Hoje, são cerca de 53. Um projeto de R$ 25 bilhões, o Mose, está sendo implementado pela cidade para protegê-la de um aumento de até 60 centímetros — previsto pelo IPCC —  no nível do mar até o final do século.

Enxurrada destrói estrada, Toronto. Foto: cortesia de Jane-Finch.com

Toronto (Canadá) – Em 2005 a cidade de Toronto sofreu uma de suas maiores enchentes, evento que deixou centenas de pessoas temporariamente desabrigadas e trouxe um prejuízo de 547 milhões de dólares. Isso foi o bastante para que o governo local implementasse uma série de programas de curto e longo prazo de prevenção e combate ao problema. Entre as medidas que estão sendo tomadas está o aumento de sistemas de drenagem urbana, incluindo calçadas permeáveis, bacias de retenção de águas pluviais, valas e banhados; expansão de galerias pluviais e vias de escoamento; além de incentivo por meio de subsídios para instalação de bombas e válvulas em sistemas de esgoto doméstico. O governo também tem subsidiado a criação de telhados verdes para prédios novos e já existentes. Quando se trata de adaptação às mudanças climáticas, Toronto pensa longe: os programas consideram período de até 25 anos.

 

Leia também:

Metrópoles trocam receitas para diminuir suas emissões

Estudo sobre cidades e clima prevê aquecimento de até 4°C

Cidades resilientes

 

*Cristiane Prizibisczki é jornalista free-lance e atualmente desenvolve pesquisa sobre mídia e mudanças climáticas em centros urbanos na Universidade de Cambridge.



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Metrópoles trocam receitas para diminuir suas emissões

Juliana Tinoco
07.06.2011

Madrid com o céu tomado por uma mancha cinza-chumbo, foto: Sérgio Alcántara

Grandes cidades ocupam somente 2% da superfície da terra, mas são responsáveis por 80% das emissões de gases estufa, garantem cálculos apresentados durante evento do C40link , grupo de quarenta metrópoles reunidas para discutir soluções para o clima. Em encontro na semana passada em São Paulo, representantes das cidades falaram em metas e iniciativas para frear o aquecimento global.

Os planos soam ambiciosos. Copenhage, capital da Dinamarca, quer ser neutra em carbono até 2025. Sidney, Áustralia, reduzir em 70% suas emissões até 2030. Hong Kong (China) e Madrid (Espanha) pretendem diminuí-las ao menos pela metade, a primeira nos próximos 10 anos, a segunda em 40 anos. No Brasil, somente a cidade de São Paulo possui uma meta de redução anunciada: 30% até 2050.

Para chegar lá, as cidades precisam investir pesado em áreas como geração de eletricidade, aquecimento e transporte, diz Manish Bapna, vice-presidente da World Resources Institute (WRI)link. “Do total de gases estufa que emitimos, 65% vem do setor de energia, dominado pelos combustíveis fósseis. Renováveis representam 30% da produção mundial, a maior parte vinda de biomassa tradicional. As modernas, como solar, eólica e geotérmica, não somam nem 1%”, afirma Babpa.

Em algumas cidades, no entanto, este panorama já vem mudando. Em Copenhagen, cada saco de lixo equivale a três horas e meia de eletricidade para uma casa. O sistema de geração de energia por incineração de resíduos aquece 97% das residências da cidade e mais da metade do sistema de aquecimento urbano.

Madrid, para solucionar o drama das emissões nos transportes públicos, dá benefícios para quem compra veículos híbridos e elétricos. “Já são mais de 300 pontos de recarga de carros elétricos pela cidade e estamos expandindo”, diz Elisa Baharona, Diretora de Sustentabilidade da prefeitura de Madrid.

Em Sidney, o carro-chefe do plano de mitigação das emissões está em produzir energia por tri-geração: gás natural, biogás e sobras de calor desperdiçado nas usinas elétricas. “O desperdício das usinas chega a dois terços da energia”, comenta Allan Jones, do Departamento de Energia e Clima da prefeitura de Sidney.

As promessas de Santiago, no Chile, são de 60% mais áreas verdes urbanas nos próximos 10 anos e 100% das águas tratadas até ano que vem. Ciclovias também estão na agenda de muitas cidades. O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab pretende ampliar o horário de uso das ciclofaixas, áreas exclusivas para bicicletas demarcadas ao longo das ruas, que poderão em breve ser usadas em dias de semana.

No vídeo abaixo, representantes de grandes cidades na conferência C40 comentam as iniciativas das metrópoles em mitigação de gases estufa.
 


 



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Evento no Rio lança o livro verde dos negócios sustentáveis

Fabíola Ortiz
01.06.2011

"Cross Wind Bridge", a ponte que gera a energia da sua própria iluminação, foto: divulgação

O evento Rio Global Green Business reúne, até sexta-feira, na sede da FIRJAN, representantes de países como Inglaterra, Itália, México, Holanda, Japão, Chile e Argentina. Como forma de estimular as boas práticas no mundo, será lançado o Bright Green Book, o “Livro Verde do Século 21”, que apresenta 100 iniciativas que tiveram destaque, nos últimos dez anos, na contribuição para a virada em direção ao desenvolvimento sustentável, desenvolvidas por cidades ou empresas.

Nessa corrida em busca de alternativas para atrelar a sustentabilidade à economia as armas são inovação e tecnologia.

Destacam-se entre os projetos apresentados as casas de Bambu com micro-concreto do arquiteto brasileiro Alejandro Sartori, do Instituto do Bambu (UFAL), um tipo de estrutura leve e 30% mais barata; a iniciativa holandesa “WaveRoller”, de geração de energia a partir das ondas marítimas; e a criação do Green Investment Bank, na Inglaterra, um banco de investimento especializado em negócios sustentáveis. De Portugal veio a (já anglificada) “Cross-Wind Bridge”, criada pelos designers portugueses Tiago Barros e Jorge Pereira ), que aproveita o fluxo de carros por baixo dela para movimentar o ar e, com essa energia eólica, manter sua iluminação à noite.

Entre os desafios da transição está a rápida urbanização do mundo. São as cidades, por exemplo, que, de forma direta ou através do seu consumo, geram 70% do efeito estufa antropogênico. No entanto, elas também estão no centro das inovações verdes, defende Alain Grimard, o canadense que ocupa o cargo de representante regional da ONU-HABITAT, Programa da ONU para os Assentamentos Humanos. “Mais da metade da população mundial vive em centros urbanos. São as cidades as que mais emitem gases de efeito estufa, mas igualmente são capazes de mudar este panorama”, disse ele a ((o))eco.

Se todas as cidades pintassem as ruas e os tetos dos edifícios nas cores branca, amarela ou verde, ao invés de cores escuras, haveria uma redução de 1 a 2% do total do consumo de energia. “Apenas a imposição de uma regra como essa ajudaria a economizar milhões de dólares”, afirmou. Sozinha, a energia utilizada para iluminar edifícios residenciais e comerciais nas cidades responde a 25% das emissões de gases de efeito estufa, o dobro da contribuição do transporte, de 14% .

Estamos seguindo um caminho de uma urbanização verde? Grimard responde: “Isso não é utópico, é necessário”. A Europa está na frente, mas os EUA, a América do Sul e demais regiões do mundo terão que trilhar esse caminho. “Líderes locais e a sociedade civil devem se mover na direção das regulações e hábitos sustentáveis. Este é o futuro. Mesmo que alguns gestores não gostem disso, eles serão forçados”, argumentou o representante da ONU-HABITAT.



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Muitas bicicletas, pouco carbono

Gabriela Machado
24.05.2011

Hilmar Lojewski, discorrendo sobre Berlim, foto: Gabriela Machado

No dia 4º e último dia da CICI2011 (Conferência Internacional de Cidades Inovadoras), Jeremy Rifkin, economista americano e autor do livro A Economia do Hidrogênio, fez a interligação entre a crise econômica, a energética e mudanças climáticas. “Para cada grau Celsius de elevação na temperatura global, a atmosfera absorve 7% mais precipitação de chuva, o que significa mais enchentes, mais períodos de seca. E isso já está acontecendo.” Ele defendeu a necessidade de troca da matriz energética mundial em menos de duas gerações, transformação que já está em andamento na Europa.

No painel Cidades Inovadoras, um representante desse movimento, o vice-prefeito da cidade de Wageningen na Holanda, Alexander Hooesfloot, ilustrou o conceito mostrando os esforços desta cidade de apenas 37 mil habitantes para se tornar neutra em carbono até 2030. “Inauguramos o primeiro posto de recarga para carros elétricos e temos um projeto para fazer com que todos os carros municipais sejam movidos a gás  ‘verde’,  gerado a partir de resíduos de suínos e aves”, contou. Outra iniciativa é um programa de separação de vidros em cores e um complexo esportivo dotado de 2.200 painéis solares que garantem sua auto-suficiência.

Centro esportivo de Wageningen, foto: divulgação

Wageningen reúne em média 8.000 ciclistas na hora do rush e já vêm recebendo reclamações dos motoristas de carro. “Quanto a esse tema, iremos melhorar o sistema de trânsito para as bicicletas e não para os carros. Se você ama a vida da grande cidade, Wageningen não é para você”, completa Hooesfloot.

Do outro lado, Hilmar Lojewski, planejador urbano de Berlim, uma das grandes metrópoles europeias mostrou o panorama local. “Berlim é a oitava cidade mais verde entre as 30 cidades européias mais influentes, estamos diminuindo a emissão de gases poluentes, mas ainda não somos bons em combustíveis renováveis”, explicou. Em compensação, estão em andamento projetos de arquitetura sustentável, eficiência de energia, redução de carbono, e uma fábrica de biomassa, que já produz energia térmica para 50 mil habitantes. Berlim conseguiu também se tornar uma cidade amigável a bicicletas em apenas 10 anos.



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Fritjof Capra defende cidades resilientes

Gabriela Machado
23.05.2011

Fritjof Capra e May East, foto: Gabriela Machado

Curitiba — A II Conferencia Internacional de Cidades Inovadoras, a CICI2011, debateu as necessidades dos centros urbanos de se tornarem mais flexíveis e resistentes a choques externos.  No modelo atual, eles têm necessidades vitais, como comida e energia, que são supridas por instâncias centralizadas e distantes do seu local de consumo.

As cidades ocupam 12% do território mundial e consomem em média, 75% dos recursos disponíveis”, diz May East, diretora do CIFAL FindHorn e coordenadora do programa Cidades em Transição. Ela e o físico Fritjof Capra tentaram mostrar o caminho para reduzir a vulnerabilidade das cidades e incentivar a participação dos seus habitantes na busca de soluções resilientes. Aqui, resiliência é entendida como a capacidade de um sistema continuar funcionando mesmo que o sistema maior em que está inserido entre em choque.

Eles elogiaram projetos como o que ocorre em Brasilândia (SP) – a primeira “favela em transição” do mundo — com o desenvolvimento de hortas, panificadora comunitárias e feiras de troca. “No estágio em que estamos iremos sustentar o quê?”, indaga May. “É necessário redesenhar o processo de um bairro ou cidade como sistemas vivos que se retroalimentam, para depois então sustentá-los”.

Ela ressalta a falta de infraestrutura de produção de alimentos dentro dos centros urbanos: “A comida de um americano viaja em média 550 km para chegar às mesas. Se você sobrevoa a cidade de São Paulo, vê pouquíssimas hortas urbanas e peri-urbanas. Para sobreviver, as cidades devem tornar-se ecossistemas completos”, afirma. Ela lembra a citação atribuída a Marx de que “a revolução está três refeições à frente”.  No limite, argumenta, as cidades são medidas pela sua capacidade de resistir a falhas nos sistemas externos de produção e transporte de comida que as suprem.

Sistemas melhor adaptados à vida

Pensador sistêmico e destaque da conferência, o físico austríaco Fritjof Capra defendeu a necessidade de organizações não-hierárquicas e mais diversas como modelos ideais para as sociedades  do que chamou de era pós combustível fóssil.

“A maioria das cidades modernas destroem habitats naturais e segregam sua população. È imperativo não separar uma cidade de acordo com religião ou classe social. A diversidade promove maior resiliência, pois os elementos distintos da rede executam funções diferentes, mas perfeitamente complementares.”

Capra também sugeriu novas maneiras de pensar os programas urbanos: “É importante que surjam projetos de pequena escala com diversidade, eficiência energética, não poluentes e orientados para a comunidade. Devemos gerar uma mudança de paradigma para que as cidades funcionem como organismos integrados e participativos.”



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